Trading Seara tenta destravar recuperação

Valor Econômico

A trading brasileira Seara Agroindustrial ofereceu seus ativos de logística a credores, incluindo a Bunge e a cooperativa agrícola CHS, para tentar resolver seu processo de recuperação judicial – que está ameaçado por alegações de fraude -, informaram duas pessoas envolvidas no caso.

A Seara Indústria & Comércio de Produtos Agropecuários entrou com pedido de recuperação judicial em abril para reestruturar R$ 2,1 bilhões em dívidas. Em julho, contudo, a Justiça acatou um pedido de paralisação de tramitação do processo até que peritos indicados pelo tribunal investigassem alegações de credores de que a companhia havia falsificado declarações financeiras, de acordo com seis fontes e documentos judiciais vistos pela Reuters.

Em uma tentativa de resolver o processo de recuperação judicial, a Seara propôs um acordo extrajudicial com credores na semana passada, segundo duas das fontes. A proposta em discussão envolve repassar um terminal portuário para embarque de grãos e três terminais de transbordo às tradings agrícolas e outros credores, disseram as fontes.

A Seara sustenta que as alegações de fraude não se justificam e informou que havia apelado da decisão de suspender o processo de proteção contra credores. A empresa não quis comentar sobre um possível acordo extrajudicial.

A CHS, maior credora da Seara, chegou a participar de negociações para comprar a companhia, disseram duas pessoas com conhecimento do assunto. A cooperativa americana confirmou que é credora da Seara, mas disse que "não comenta investigações em andamento". A Seara deve US$ 218 milhões à CHS, mostraram os documentos aos quais a Reuters teve acesso.

A Seara também está discutindo um investimento do grupo chinês Shanghai Pengxin para cobrir pagamentos a credores financeiros como Credit Suisse, Rabobank e Citigroup, disse uma das fontes. A Pengxin não respondeu a uma solicitação de comentário. No ano passado, a chinesa comprou duas tradings de grãos no Brasil, como parte de uma iniciativa de companhias do país asiático para assegurar oferta de alimentos no longo prazo.

O holandês Rabobank tem a receber US$ 82 milhões, a dívida com o banco suíço Credit Suisse é de US$ 15 milhões e com a Bunge Alimentos o endividamento é de US$ 18 milhões, segundo os documentos. Credit Suisse, Bunge e Rabobank não quiseram comentar. Os documentos do 4º Tribunal Regional Federal também mostraram que dados financeiros apresentados pela Seara ao Credit Suisse antes do pedido de recuperação divergiam dos resultados declarados em 2016.

Segundo a Seara, os documentos enviados ao Credit Suisse eram apenas preliminares. Um juiz do caso encontrou "fortes evidências de que os dados não refletem a atual situação da companhia", segundo a decisão judicial de julho que suspendeu o andamento do processo de recuperação judicial.

A proposta de um acordo extrajudicial exigiria que a Seara abrisse mão da maioria de seus ativos, incluindo uma planta de processamento de soja, armazéns, três terminais de logística e um terminal portuário em Paranaguá, disseram duas das fontes ouvidas. Os terminais são considerados ativos valiosos devido à capacidade de transportar grãos por ferrovias desde o Mato Grosso até o porto de Paranaguá, no Sul. Os terminais têm contratos de longo prazo com a Rumo, da área de logística

Por Reuters, de São Paulo

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