Agenda positiva do governo começa com leilão do pré-sal

ESTADO DE SÃO PAULO

Para Moreira Franco, inscrição de 16 grupos para disputar licitação amanhã é ‘clara demonstração’ de retomada da confiança

 

BRASÍLIA - Superada a tensão em torno da segunda denúncia contra o presidente Michel Temer e os ministros da Casa Civil, Eliseu Padilha, e da Secretaria-Geral, Moreira Franco, o governo aposta na agenda econômica para virar a página e criar um clima positivo. Amanhã, o governo realiza duas rodadas de leilão de áreas de exploração de óleo e gás no pré-sal e espera um ágio elevado. Programado há bastante tempo, esse será o primeiro grande evento econômico após a votação na Câmara.
 
“Todos os números que temos indicam uma trajetória de muito sucesso”, disse Moreira Franco ao Estado. Para ele, a inscrição de 16 grupos econômicos para participar dos leilões é uma clara demonstração de volta da confiança no Brasil. “Se continuar assim, vamos cantar ‘o campeão voltou’ em pouco tempo”, brincou.

 

Leilão do pré-sal

Investimentos estimados nos campos que serão leiloados chegam a R$ 100 bilhões em 10 anos Foto: Wilton Junior/Estadão

 
“Vai bombar”, afirmou o ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho sobre o resultado do leilão. Ele disse que espera um ágio elevado, mas não arriscou dizer de quanto. Diferentemente dos leilões de concessão, as áreas do pré-sal funcionarão num sistema de partilha e o critério de escolha dos vencedores é diferente. A disputa se dará na parcela a ser paga ao governo ao longo da exploração. Além disso, há o bônus de assinatura fixado em R$ 7,75 bilhões para as duas rodadas. Esse bônus é uma espécie de pedágio pago à União pelo direito de explorar e produzir petróleo e gás nas bacias brasileiras.
 
“Nesse leilão estarão as maiores petroleiras do mundo e a afirmação de várias delas é de disposição de investimento no Brasil, independente do leilão”, disse Moreira Franco. Ele cita alguns dados que ouviu nas conversas e de anúncios das próprias petroleiras. A British Petroleum e a Shell disseram que pretendem quadruplicar sua produção no Brasil na próxima década. A maior empresa do setor no mundo, a Exxon Mobil, estava fora do mercado brasileiro havia cinco anos, voltou no mês passado, na rodada de leilões de áreas no pós-sal, e está inscrita no leilão de amanhã.
 
A norueguesa Statoil anunciou recentemente um investimento de R$ 1,2 bilhão na Bacia de Santos. Além disso, pretende comprar participação de empresas para produzir energia solar, numa demonstração de que os investimentos desses grupos têm um alcance mais amplo. A China estará presente com três grupos: Sinopec, CNOOC e CNPC. E a Petronas, da Malásia, vai estrear no País.
 
Os investimentos estimados para os campos do pré-sal leiloados amanhã chegam a R$ 100 bilhões para o período de dez anos. Com os leilões previstos para 2018, a conta sobe para R$ 260 bilhões.
 
O Rio deverá ter um incremento de R$ 25 bilhões em suas receitas. O dinheiro, estima o governo, permite elevar em um terço os investimentos em saúde ou em educação. Espera-se a geração de 500 mil empregos.
 
QUEM ESTÁ NO JOGO
 
Petrobrás - Brasil
 
Ouro Preto -Brasil
 
BP - Reino Unido
 
Shell - Reino Unido/Países Baixos
 
Chevron - EUA
 
Exxon - EUA
 
Repsol - Espanha
 
Repsol Sinopec - Espanha/China
 
CNOOC - China
 
CNPC - China
 
Ecopetrol - Colômbia
 
Petrogal - Portugal
 
Petronas - Malásia
 
Qatar Petroleum - Catar
 
Statoil - Noruega
 
Total - França
 
 
Mais por este Autor:
Artigos Relacionados: