Intenção e gesto

*Marco Antonio Felício da Silva

O jornal Estado de Minas, mensalmente, a cada segundo sábado, publica interessante caderno, denominado Pensar Brasil, dando oportunidade a que determinados temas, relevantes para a sociedade brasileira, sejam tratados sob enfoques diferentes, possibilitando que o leitor, segundo processo de elaboração mental, chegue as suas próprias conclusões. É necessário, pois, que o jornalista responsável pelo dito caderno seja isento e possibilite o exercício equilibrado do contraditório para não induzir o leitor a visões estereotipadas, servindo a objetivos outros que tiram o mérito de iniciativa tão importante.

Para ser explícito, refiro-me ao caderno do dia 13 de março próximo passado e que aborda o Programa Nacional de Direitos Humanos/3 e no qual fui responsável pelo artigo, intitulado "sugestivamente” pela Editoria do caderno, Contramão da História. O subtítulo, criação também da mesma Editoria, fora do contexto geral do artigo, tenta impingir somente a setores do Exército o que o autor coloca como algo proveniente de grande parte da sociedade nacional. Afirma a Editoria em sua introdução do caderno (Intenção e Gesto): “A tarefa há de ser a de observar por trás da intenção e adiante do gesto.

Em matéria de justiça e de cidadania o ideal é ser puro nos argumentos, mas nunca ingênuo em sua defesa. É o sentido desse caderno”. Há que ressaltar que o Editor, jornalista João Paulo Cunha, em sua mesa de trabalho, mantinha afixada a foto de Che Guevara, indicação do seu viés ideológico. Creio que o Editor alcançou plenamente o seu objetivo de não ser ingênuo na defesa do PNDH/3, o que não era sua tarefa, mas a de provocar o debate. Assim, entre todos os articulistas, fui classificado como o único representante da direita, pura linguagem marxista para desqualificar quem não é considerado, por eles, marxistas, como politicamente correto como o seriam os de esquerda (progressistas, defensores dos DH, das minorias, dos trabalhadores, das massas carentes, da paz, da justiça, do “socialismo”, etc.....)

Realmente, fui o único dos articulistas do caderno que mostrou ser o PNDH/3 um calhamaço fundamentado na doutrina marxista-gramscista, contrário aos princípios democráticos, à liberdade e aos próprios Direitos Humanos, for-matado por ex-guerrilheiros que defendiam a ditadura do proletariado nos idos dos anos 60 e 70. Os demais articulistas são reconhecidamente “socialistas” ou provenientes da militância subversiva comunista e da luta armada que assolou o Brasil a partir dos anos 60, ainda na contramão da História.

A reação de diversos segmentos representativos da sociedade nacional, inclusa parcela da grande Imprensa, contra o PNDH/3, obrigando o governo a modificá-la em aspectos que agrediam esta mesma sociedade, me fez sentir parte de uma minoria que não se deixa engabelar e que se sente orgulhosa da luta que enceta.

Esperamos que o Congresso faça as demais modificações necessárias, evitando, principalmente, o ódio e a fratura da unidade da Nação.

O mentor do PNDH/3, Secretário Nacional de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, também partícipe da subversão comunista nos anos 60 e 70, se disse demissionário caso o programa fosse modificado. Aceitou as modificações e justificou, segundo os jornais, que elas são fruto “da discussão entre o Brasil das tradições e aquele das novas idéias, entre o velho e o novo”. Mostra ser arcaico o Secretário ao usar o instrumental teórico marxista-leninista, não apresentando argumentação condizente, mas apenas desqualificando os adversários, talvez até para manter-se no cargo, aproveitando-se das benesses do mesmo. Mostrou uma Intenção ideológica, mas o Gesto, sem dúvida, foi de pleno interesse pessoal.

*General da Reserva
Cientista político
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