O perigo de um deliqüente com poder

*Graça Salgueiro

No passado 12/12 Nicolás Maduro, ditador venezuelano, falou em cadeia nacional para anunciar pelaenésima vez, como fazia Chávez, que o país estava sendo ameaçado pelo "império" e que ele tomaria providências. Em seus delírios, disse: "Bolton foi designado para instalar um conselho de governo transitório na Venezuela. Estão treinando grupos de forças especiais (734 mercenários venezuelanos e colombianos), contra bases aéreas e bases militares venezuelanas. Temos informação do treinamento de um grupo de comando dos Estados Unidos para uma agressão cirúrgica contra bases aéreas na Venezuela". E, diante de tal "perigo", anunciou"o apoio da Rússia e Irã, sem contar,"naturalmente, com Cuba.

Foram os porta-vozes russos quem informaram da frota que enviaram à Venezuela. Quatro aviões de longo alcance: dois bombardeiros Tupolev-160 (conhecidos como "Cisnes Brancos"), capazes de levar e lançar bombas atômicas ou carregar, em ausência das bombas, mais de 40 toneladas de armamento pesado como mísseis de cruzeiro com ojivas nucleares em um raio de 5.500 quilômetros. Um cargueiro Antonov-124, dotado de uma fuselagem especial, que pode transportar até 150 toneladas de carga, como máquinas, equipamentos e tropas. E o velho Ilyushin-62, que entrou em serviço em 1986 e pode carregar até 186 passageiros.

O Irã, por sua vez, afirmou em 08/12, através do contra-almirante Touraj Hassani Moqaddam, sub-comandante da Armada (Marinha), que "um de nossos planos no futuro próximo é enviar duas ou três naves com helicópteros especiais, em uma missão que poderia durar cinco meses" que já chegaram à Venezuela.

O mandato de Maduro, ilegal e ilegítimo desde o primeiro dia, termina em 10 de janeiro de 2019 e deveria haver novas eleições no princípio de dezembro, mas por decisão na ilegítima Assembléia Nacional Constituinte (ANC) instalada em junho desse ano, foi autorizada - à revelia de todo um país - a continuação de Maduro na presidência para o próximo período que vai até 2025.

A OEA a União Européia, o "Grupo de Lima" (formado por mais de 10 países da América Latina) e os Estados Unidos, já declararam, desde a instalação da ANC, que nem reconhecem Maduro como presidente legítimo, nem a legalidade da ANC. Isso tem enfurecido Maduro que está cada dia mais isolado, contando apenas com os comparsas do Foro de São Paulo, Cuba, Bolívia e Nicarágua, e tem disparado para todos os lados. Além dos EstadosUnidos e a Colômbia, também atacou onovo governo brasileiro, afirmando que tanto Jair Bolsonaro quanto o General Hamilton Mourão são "loucos, cada um mais louco do que o outro e que não o provoquemporque ele vai liderar uma batalhaque nem em mil anos o mundo vai esquecer".

No domingo 9/12 houve eleições municipais. A oposição haviaconvocado os eleitoresa não ir votar, porque issolegitimaria toda a ilegalidadeque se vem vivendo nopaís, entretanto, a MUD (Mesade Unidade Democráticaque conforma partidos detodos os matizes até de esquerda descontentes com o governo atual) não atendeu o pedido e o partido governante,PSUV, acabou elegendo quase todos os seus candidatos. A abstenção foi de 80% mas não o suficiente para invalidar o pleito.

Maduro foi julgado, condenado e destituído de suas funções pelo legítimo Tribunal Superior de Justiça (que operadesde o exterior) pelo caso Odebrecht,mas não se abala com a condenação porquesó responde ao ilegítimo TSJ, nome a do pela ANC e continua dando as cartas. Rússia e Irã (comenta-se também que aTurquia) oferecem apoio a Maduro (não à Venezuela!) como uma desforra contra o governo de Trump, por causa das críticas,restrições comerciais e sobretudo por ter saído do acordo anti-nuclear assinadopor Obama.

Há anos a Chávez fez acordos com Mahmud Ahmadinejad, então presidentedo Irã, de cooperações comerciais que, na realidade, visavam a encobrir a remessa secreta de urânio para o Irã, do qual a Venezuela possui ricas jazidas. Estariam os iranianos retribuido agora todos os mimos recebidos no passado recente em cooperação com a Rússia de Putin?

O Secretário-Geral da OEA, Luis Almagro, pediu ao Organismo para a Proscrição das Armas Nucleares na América Latina e o Caribe (OPANAL) para comprovar se a Venezuela cumpre com o Tratado de Tlatelolco para a desnuclearização do continente, e se assegurar deque a comunidade internacional não está na presença de armas nucleares. Segundo Almagro, "vejo com a mais alta preocupação as notícias sobre os bombardeiros russos" e pede que "se tomem as medidas necessárias para ver se a Venezuela não possui armas nucleares".

Trump assegurou que nessa sexta feira 14/12 os russos deixariam a Venezuela, mas custo a crer. Há aí uma disputade egos e poder.

É jornalista independente, estudiosa do Foro de São Paulo e do regime castro-comunista e
de seus avanços na América Latina, especialmente em Cuba, Venezuela, Argentina e Brasil.
É articulista, revisora e tradutora do Mídia Sem Máscara e proprietária do blog Notalatina.

 

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