Amazônia - O grande desafio (XXVIII)

*Manoel Soriano Neto

“Árdua é a missão de desenvolver e defender a Amazônia. Muito mais difícil, porém, foi a de nossos antepassados em conquistá-la e mantê-la.” General Rodrigo Octávio / 1º Comandante Militar da Amazônia (1968/1970)

 

Anteriormente, elencamos algumas das ‘Recomendações’ dos bispos do Sínodo da Amazônia contidas no ‘Documento Final’ do Encontro, dado a público em outubro de 2019. Os integrantes do Conclave propuseram a instituição do “pecado ecológico” (prática de atos de “poluição e destruição da harmonia do meio ambiente”, etc.); o respeito às religiosidades não cristãs dos indígenas; o repúdio ao atual “modelo de desenvolvimento predatório e ecocida” da região; a ordenação de homens casados, entre outras moções (diga-se que o tema da ordenação foi o mais controvertido e polêmico, porém aprovado; obteve, contudo, a menor das votações do Encontro).

Sua Santidade, em resposta às ‘Recomendações’, exarou uma histórica declaração papal, em 12 de fevereiro do presente ano, denominada de “Exortação Apostólica”, que passou a ser chamada, vulgarmente, de “Querida Amazônia”. Nela, o Papa contrariou a maioria ‘progressista’ do Sínodo (atrelada à Teologia da Libertação) e não consentiu que homens casados se tornassem sacerdotes da Igreja.

Para tal, afirmam analistas de nomeada, muito pesou a publicação de um recente livro do “Papa Emérito”, Bento XVI, no qual ele defende, com veemência, o celibato dos padres, tendo, a esse respeito, mantido um encontro formal com o Papa Francisco. Destarte, após as discussões de um amplo temário, mercê da terminativa Decisão do Papa Francisco, houve uma expressiva vitória dos católicos conservadores, o que causou grande frustração na ala cognominada de “esquerda clerical”. Ao final da Exortação, o Papa, dentre outros tópicos, faz a defesa dos direitos dos pobres, da preservação das riquezas naturais do ecossistema amazônico e das culturas e religiosidades dos povos originários e ribeirinhos.

Alvissareira foi a criação, pela presidência da República, de um conselho governamental para a proteção do bioma amazônico - o “Conselho da Amazônia” - ao encargo do vicepresidente, general Hamilton Mourão. Desafortunadamente, a Amazônia sofre de um “déficit de soberania de Estado”, como, iterativamente, diversos Comandantes Militares vêm alertando. Uma das razões disso, é que a Região Norte representa apenas 7% do eleitorado brasileiro... O general Mourão, com ampla vivência nacional, tendo servido e comandado na Amazônia, declarou que assumirá “o comando, a coordenação e o controle” da benemérita Missão, pois “a Selva nos une e a Amazônia nos pertence!” Hosanas!!

Conspícuos estudos internacionais apontam o nosso País (especificamente a Amazônia), o Canadá, a Rússia (mais precisamente a Sibéria) e a Austrália, como os últimos espaços disponíveis de recursos para o desenvolvimento. Daí o cuidado permanente que devemos ter com a defesa e guarda da cobiçada Amazônia brasileira. Quando da ‘Questão de Palmas’, com a Argentina, o Barão do Rio Branco ao redarguir a um argumento do plenipotenciário argentino, quanto à grandeza territorial brasileira, soberbamente exclamou: “Senhor! Um palmo de terra que seja, em sendo brasileiro, deve ser defendido, pelos brasileiros, a ferro, a fogo e a sangue!” A propósito, o saudoso e valoroso general Luciano Salgado Campos, aludindo às palavras do Barão, nos deixou um primoroso livro referencial, prenhe de patriotismo, de título “Amazônia ... “A ferro, a fogo e a sangue!” (Gráfica Editora Tiprogresso).

E lamentamos a audiência de quase uma hora (!), que o Papa Francisco concedeu ao ex-presidiário Lula da Silva. O fato confrange os bons brasileiros, em especial os cristãos católicos. “Miserere Nobis!”

* Coronel, Historiador Militar e Advogado Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

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