A Verdadeira História do Araguaia

* Licio Maciel

A respeito da carta do Coronel Rui Garavelo Machado ao Comandante do Exército, versando sobre uma entrevista na rádio Gaúcha, sobre o filme Araguaia – Conspiração do Silêncio, cumpre esclarecer ao missivista que a guerrilheira (?) deve ser a Criméia Almeida, viúva do André Grabois (comandante do grupo militar da guerrilha), filho de Maurício Grabois (um dos chefões do PCdoB). Ambos, mortos no Araguaia. Portanto, a Criméia é extremamente rancorosa contra as Forças Armadas, que impediram de ser implantado o comunismo no nosso país. O pai, André Grabois, não chegou a conhecer o filho. A Criméia engravidou na mata e foi decidido pela cúpula levá-la para São Paulo, onde foi presa e encaminhada para Brasília, sob a responsabilidade do Gen Bandeira, que, como era de seu feitio, a protegeu, tratando-a como a uma filha. Ela deu à luz no HDB (Hospital Distrital de Base), tendo um atendimento normal e muito bom, inclusive com festinha de batizado, bolo, etc. No final das contas, o Gen Bandeira mandou levá-la em casa, em Minas, e entregar à família. O próprio motorista do General foi quem cumpriu a missão, com o carro do General. Pois bem, logo que se viu solta e livre, voltou para SP, deixando o recém-nascido com os avós, reiniciando as ligações com os bandidos. Tudo o que ela diz, é fruto do complexo da derrota. Mente desbragadamente, um péssimo exemplo para o próprio filho. Saiu da área da guerrilha antes do início dos combates e nunca mais voltou. Hoje, quer cantar de galo. No www.reservaer.com.br (Livraria Virtual, nº 5 – A Farsa do Araguaia), poderá ser lida a história completa do combate em que foi neutralizado o grupo militar comandado por André Grabois, o Zequinha. Mas o fato da Criméia ter sido mandada para parir em São Paulo pela cúpula dos comunistas, foi o motivo pelo qual Pedro Albuquerque e a mulher, na mesma situação, grávida mas que os comunas queriam que ela abortasse na mata, desertassem e dedurassem os companheiros, permitindo a descoberta do local. Transcrevo trecho:
O combate com o grupo militar da guerrilha foi um dos mais importantes, tendo desmoralizado o movimento do PC do B: eles perderam em um único combate, 4 elementos dos mais qualificados (um deles, o quinto do grupo, entrincheirou-se atrás de uma árvore e conseguiu fugir em desabalada carreira após cessado o tiroteio, pois estava sem arma na mão e ninguém atirou nele), todos com cursos na Albânia, Argélia, China e Cuba, etc. O que fugiu, soubemos depois, era o João Araguaia, desapareceu na mata.
Os bandidos ficaram desmoralizados e, na realidade, foi o começo do fim, até a morte do Osvaldão. Por este motivo, fazem pouco alarde do ocorrido, dizendo que foram emboscados, que eles estavam famintos, etc., embora saibam realmente o que aconteceu, uma vez que o que conseguiu escapar deve ter relatado o fato. Uma emboscada fica demonstrado impossível no caso, pois numa perseguição na mata não se sabe onde eles vão passar.
Tudo se originou no assalto a um quartel da PM, destacamento de São Domingos, ao alvorecer de um determinado dia, pegando a guarnição de surpresa. Antes, na madrugada, tinham destruído uma ponte da Transamazônica, de madeira, para impedir o acesso à área.
Incendiaram todas as instalações, quartel, refeitório, almoxarifado, corpo da guarda, casa da estação de rádio, paiol, etc., levando todo o armamento (fuzís, revólveres), toda a munição e todo o fardamento, todo o dinheiro e material individual, agredindo com coronhadas, torturando e humilhando os militares, inclusive deixando todos de cueca. Uma ação audaciosa e reveladora da grande confiança que possuíam até então.
Deixaram um recado com o Tenente comandante do destacamento: “Que ninguém ouse nos seguir, pois agora estamos bem armados e o pau vai quebrar...”. E quebrou mesmo, mas para o lado deles, principalmente.

Foi iniciada a perseguição com o efetivo de um GC, a meu comando, ainda com o Quartel fumegando, dez horas após terem fugido.

Os bandidos, com a carga que levavam, deixavam batida nítida na mata e a velocidade de marcha era relativamente pequena devido ao peso da carga resultante do saque.
No terceiro dia de perseguição, a despeito das fortes e constantes chuvas, houve o confronto, cerca das 1500 hrs, num local às margens do rio Fortaleza. Eles deram três tiros às 0600 da manhã, caçando porcos monteiros. Cercados os bandidos, foi dada a voz de prisão, obtendo como resposta um tiro dado por um deles que estava de vigia mais à frente e que não tinha sido visto. O revide foi inevitável, imediato.
Do nosso lado, um soldado com ferimento na perna, julgado a princípio que tinha atingido a femural e outro soldado com distúrbios psicológicos (vomitando seguidamente e aparvalhado).
Conforme combinado via rádio, os mortos e feridos e todo o material foram transportados para o sítio da Oneide e entregues ao PIC para a devida identificação e etc., uma vez que o local do combate não era identificado nas cartas. Foram 6 horas de marcha extremamente difícil, numa estreita trilha em plena mata, com os cadáveres, feridos e carga sendo transportados em muares que estava

m abandonados pelos moradores, e que foram providenciados pelos guias (Luiz Garimpeiro e Antonio Pavão). A munição, de fuzil e .45, foi jogada fora, pois era muito pesada.

 

Numa reportagem na imprensa, um mateiro declarou que a tropa do Exército já chegava atirando.
Primeira mentira: os mateiros iam ficando para a retaguarda na iminência do confronto. Ficavam quietinhos lá atrás até o cessar fogo. Assim, não podiam ver os primeiros instantes após dada a voz de prisão. E sempre aprovei este procedimento, claro.
Segunda mentira: como os bandidos estavam fardados, tendo o Zé Carlos o gorro de 2º Ten da PM do Pará na cabeça (caki com estrela vermelha), teria obrigatoriamente de ser dada a voz de prisão para certificar-se de quem se tratava, invariavelmente.
Terceira mentira: na área agiam vários grupos de combate, principalmente em reconhecimento e busca de informes, o que tornava imperiosa a identificação para não haver acidente entre tropas amigas. Jamais poderia haver precipitação no encontro na mata. E nunca houve, que eu saiba.
Se a intenção fosse realmente acabar com eles, de qualquer maneira, o João Araguaia não teria sido poupado; estava sem arma na mão e ninguém atirou nele.
O mais gritante de tudo, que anula a versão de já chegar atirando, é que seria muito mais fácil levar prisioneiros marchando algemados pela mata do que transportar cadáveres em lombo de muares. Inclusive, vivos, continuariam carregando as próprias cargas que roubaram. Dificilmente o local dos combates, em mata fechada, permitia o pouso de helicóptero. As informações que poderiam fornecer também eram de suma importância e foram perdidas, uma vez que o sobrevivente, muito ferido, não estava em condições de falar na manhã seguinte. Ele apenas deu o nome de cada um componente e da importância do grupo. Sofreu muito durante a noite e no caminho tendo chegado muito mal no sítio da Oneide, onde foi medicado e identificado.
Tanto no caso da descoberta do local da guerrilha, como em todos os demais, era dada a voz de prisão. Os três elementos avistados (dois homens sem camisa e uma velha) no final da trilha de Pará da Lama, e que escaparam fugindo para a mata, podiam ter sido alvejados facilmente, tal a proximidade a que chegamos, uns 80 metros.
O mesmo poderia ter sido feito com o “Geraldo” (José Genoíno), que inclusive tentou fugir. Além de tudo, havia necessidade de obter informações.
O Pedro Albuquerque está vivo, em Recife, só temendo o justiçamento por parte dos antigos camaradas de aventura.
O caso da Sônia demonstra de maneira insofismável este procedimento das patrulhas. Ela poderia ter sido alvejada mortalmente ao puxar a arma, mas foi preferido deixá-la ferida, após 6 sucessivas advertências.
Aí está o que ocorreu. Quanto aos outros ítens citados pelo Garavelo, não há esperanças. Há muito que os militares não têm comandantes e não serão estes atuais agraciadores de Genoínos e Dirceus que irão fazer alguma coisa. Ou achamos uma solução urgente ou seremos aniquilados.

(Publicado no Inconfidência, nº 78, de 23 de fevereiro de 2005)

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