Direito à Verdade II

* Gen Ex Gilberto Barbosa de Figueiredo

Márcio Leite de Toledo, também conhecido por Professor Pardal, era um militante de esquerda que recebeu treinamento de guerrilha em Cuba. Ao retornar ao Brasil, estabeleceu-se como um dos coordenadores da ALN, na área de São Paulo. Em 23 de março de 1971,quando tinha 26 anos, foi assassinado por seus companheiros de militância, sob suspeita de ser um traidor em potencial.

Em determinado momento, o Professor Pardal, a partir do início de desmantelamento da ALN pelas forças de segurança, começou a ter dúvidas sobre a eficácia de sua atuação.

Falava a amigos que estava pensando em trocar de organização, indo para alguma em que pudesse
ser mais útil. Nessa oportunidade, cometeu seu erro definitivo.

Foi julgado por um tribunal da ALN que, por quatro votos a um, resolveu executá-lo.Obviamente, não lhe foi dado o mínimo direito de defesa. A rigor, nunca soube do julgamento.

Foi atraído a uma rua de São Paulo e, quando Márcio esperava a pessoa que deveria encontrá-lo,foi metralhado de dentro de um carro.O que mais impressiona, no entanto, foi o panfleto largado pelos guerrilheiros no local.

Eis alguns trechos:
"A Ação Libertadora Nacional (ALN) executou, dia 23 de março de 1971, Márcio Leite Toledo. Esta execução teve o fim de resguardar a organização...
Uma organização revolucionária, em guerra declarada, não pode permitir a quem tenha uma série de informações como a que possuía vacilação dessa espécie, muito menos suportar uma defecção desse grau em suas fileiras. Cada companheiro ao assumir qualquer responsabilidade deve pesar bem as consequências desse fato...

Ao assumir responsabilidade na organização cada quadro deve analisar sua capacidade e seu preparo. Depois disso não se permite recuos. As divergências políticas serão sempre respeitadas. Os recuos de quem não hesitou em aceitar responsabilidades, nunca! O resguardo dos quadros e estrutura da organização é questão revolucionária! A revolução não admite recuos!"

Como já afirmei anteriormente, temos de dar razão ao Secretário Vannuchi. O Brasil tem direito a conhecer a verdade. Tem direito, acrescento, de conhecer essas e outras atrocidades cometidas por uma corja de fanáticos, hoje arvorados em defensores da democracia.

Presidente do Clube Militar

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