Infiltração vermelha

Rodolpho Heggendorn Donner

“Infiltre e depois controle todos os veículos de comunicação de massa” Item de conhecido decálogo usado pela militância comunista

 
 
A política herdada de Marx, Engels, Lênin, Gramsci, Escola de Frankfurt, também pelos desatinos humanistas de Stalin, não se importa por quais meios precisa dominar a opinião pública. Um dos males que comete contra a sociedade está nos modos de promover ou desmerecer pessoas, respectivas obras, procedimentos e organizações. Jorge Amado, grande nome da literatura, mundialmente famoso, foi um dos mais entusiasmados militantes filiados ao Partido Comunista, até saber das barbaridades cometidas na Rússia por Stalin. Imediatamente, desligou-se do Partido. Não tardaram ameaças pessoais. Arruda Câmara, na época “"vice”" de Prestes, ameaçou-o dizendo que em seis meses ele não mais existiria como autor e intelectual (*). O dito não vingou, como bem se sabe pelo sucesso muito superior à ameaça por estar abandonando o “"empresariado”" comunista.
 
Sabe-se que grandes nomes na cultura brasileira foram filiados ou simpatizantes do PCB, como o poeta Carlos Drummond de Andrade, escritores Graciliano Ramos e  Rachel de Queiroz, compositores Chico Buarque e Vinícius de Moraes, novelista Dias Gomes, arquiteto Oscar Niemayer, desenhista Ziraldo e outros. Tiveram sempre suas obras publicamente exaltadas. Grandes obras, sem dúvida, mas teriam sido tão louvadas se seus autores fossem filiados a outros partidos? As ideias socialistas precisam tomar carona no sucesso de grandes nomes, suas obras e engajamento político, fundamentais ao propósito de influenciar e dominar a opinião pública.
 
No que se escreve, pensa ou fala haverá sempre participação emocional. Não há discurso meramente racional. Assim, reportagens, noticiários, fotos, crônicas, editoriais, programas de TV tornam-se abrigo para todo tipo de inclusão política. Jornalismo engajado fará mau jornalismo se manipular fatos. Influência partidária existirá sempre onde houver conivência política e dependência financeira, tal como acontece hoje em destacados órgãos de comunicacão de massa. A decência jornalística respeita fatos, a engajada constrói realidades politicamente favoráveis, como fez durante a existência da trôpega Comissão da Verdade.
 
Fatos interpretados, adjetivados ou ocultados tornam-se proselitismo, seja pessoal, cultural, político, moral, religioso ou ético. Jornalismo é religião, não apenas profissão. Exige dedicação extremada, obrigações muitas vezes contrárias a modo próprio de pensar. Não raro para manter empregos, valores são deixados de lado ao se aceitar personagens, palcos e enredos impostos, instrumentos de diretrizes políticas ou editoriais.
 
Jovens são alvo preferencial para a persistente catequese política de esquerda. A fase adolescente, ainda em formação, enfrenta conflitos na evolução psicológica buscando identidade própria. Época de vulnerabilidades e de identificação por influências externas, não raro aventuras, emoções e inclusão a grupos. Estatutos partidários de esquerda sabem disso e aproveitam essa instabilidade cognitiva para “oferecer seus préstimos” à vida escolar, principalmente a acadêmica, promovendo lideranças, funções diretoras e currículos. Procedimentos comportamentais de gênero, exploração do racismo, existência de comunidades carentes, reinterpretações históricas a modo próprio, acusações a imperialismos capitalistas pelos males da humanidade são tópicos bastante desejados para inclusões curriculares.
 
Daí a importância das campanhas ‘Ensino Sem Política’ para vigilância e oposição a prejudiciais interferências políticas — quaisquer que sejam —nos currículos escolares.
 
As maravilhas do mundo vermelho contadas, recontadas e reinterpretadas por seus militantes não raro tornam-se pesadelos na penumbra do exercício político e nas decepções pós controle. O Brasil está conseguindo agora ver isso com mais clareza.
 
(*)- Vídeo, JorgeAmado:VID-20170701-WA0094.mp4.
 
* Coronel - Psicólogo

 

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