Ainda o Foro de São Paulo

Grupo Inconfidência

Embalado por pesquisas que o dão como o mais popular dos presidentes da República e cortejado por dirigentes de potências mundiais, o senhor da Silva considera-se, ao que tudo faz crer, acima do bem e do mal. Acostumado a ser bajulado pelos áulicos que o cercam, assessorado por conselheiros seguidores do marxismo e estando prestes a iniciar o seu último ano de governo, acelera aquelas medidas esposadas pelo Foro de São Paulo do qual, juntamente com Fidel Castro, foi o criador.

Indubitavelmente, Lula deseja que o Partido dos Trabalhadores torne-se hegemônico e, para isso, utilizando os processos de conquista do poder no meio sindical (quais sejam a compra de consci-
ências, a intimidação, a troca de favores, etc.) busca transformar a sua ministra chefe da Casa Civil em sucessora para, em 2014, presumivelmente, retornar ao poder.

Acontece que a instalação de um regime voltado para o domínio de corações e mentes passa, sem dúvida alguma, pelo controle dos meios de comunicação.

Isto posto, é de todo conveniente atentar para o afirmado, com sobejas razões, por Nivaldo Cordeiro em recente artigo (CONFECOM é o Foro de São Paulo em ação, de 22 Nov 2009):

- Quando Hugo Chávez estatizou e passou a controlar o setor de comunicações na Venezuela a coisa toda deu ruído, muita gente protestou e ficou por isso mesmo. ... Chávez apenas pôs em prática o plano continental do Foro de São Paulo para o setor, que objetiva recuperar na América Latina o terreno perdido no Leste europeu. A Venezuela iniciou a implantação do plano porque era onde havia as condições políticas para isso.

Nos demais países esperou-se o tempo certo. - O que foi feito lá à força acabou de virar legislação na Argentina, onde também as condições políticas foram reunidas para tanto. ... O casal Kirchner tomou conta da situação e está em rota de destruir o que resta de oposição. Não coincidentemente
a Folha de São Paulo trouxe artigo informando que o Equador iniciou processo de discussão de sua política de comunicação, nos mesmos termos de Chávez e dos Kirchner. ... essa política é basicamente uma cópia daquela que estar á sendo apresentada à CONFECOM... Não há nenhuma coincidência: o comando do Foro continua no Brasil. É aqui que está a inteligência e a orientação revolucionária, inspirando as ações políticas em todo o continente.

- Nos documentos da CONFECOM AINDAO FORO DE SÃO PAULO estão contidas as propostas bastante semelhantes ao que vimos na Venezuela, na Argentina e agora no Equador. Isso leva a crer que o processo histórico ganhou aceleração e os novos revolucionários estão com pressa, bastante seguros de seu próprio poderio. Não parece haver no momento força capaz de deter a marcha dos acontecimentos, seja no plano interno, seja no plano internacional. Afinal, o Foro de São Paulo é uma fração local do governo globalizado em formação. Uma nova ordem está sendo instaurada e, pelo jeito, será duradoura. (Os grifos são meus)

A 1ª Conferência Nacional de Comunicação (CONFECOM) foi presidida pelo Ministério das Comunicações, com a colaboração direta da Secretaria-Geral da Presidência da República e da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República. A Comissão Organizadora Nacional
também foi composta por outros órg ãos do poder público, tais como o Ministério da Cultura, e instituições da sociedade civil. Alguém duvida que coube, ao governo federal, a orientação sobre o que se decidiu no evento?

É bem verdade que, ultimamente, as incursões internacionais da diplomacia presidencial têm encontrado alguns obstáculos. Assim os mais recentes encontros da União de Nações Sul-Americanas (UNASUL) foram marcados por um clima de desconfiança envolvendo acusações de espionagem, disputas fronteiriças e suspeitas de uma corrida armamentista da qual fariam parte a Venezuela, a Colômbia, o Equador, o Peru e o Chile, além de acusações veladas ao Brasil. No imbróglio, o Acordo Militar entre a Colômbia e os EUA, alvo da crítica dos governos de esquerda da região.

Para culminar, a falta de consenso sobre a legitimidade das eleições em Honduras fez com que entrassem em choque, no âmbito da OEA, as posições do Brasil e dos EUA. E aí, muito embora os protestos dos governos bolivarianos e a irritação do governo brasileiro estava aberto o caminho para o retorno de Honduras ao seio da Organização. Para o Brasil, restou saber o que fazer com o
incômodo hóspede que recebemos com o intuito de ostentar prestígio internacional, em obediência aos planos de Chávez e Marco Aurélio Garcia, eminência parda do lulismo e ideólogo do Foro de São Paulo.

Mas sempre será possível evitar a implantação de um regime avesso à índole do nosso povo. Afinal, como afiança Popper, no passado nunca aconteceu tudo e o futuro, pela mesma razão, não é previsível com rigor matemático.

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