A paz na Colômbia: a que preço?

*Graça Salgueiro
As negociações de paz com as FARC estão sendo feitas sob injustos acordos, muito favoráveis aos guerrilheiros e, principalmente, de modo a dar especial destaque à atuação política do presidente da Colômbia.

Pouco tem-se comentado sobre um suposto “processo de paz” que está sendo articulado entre o governo colombiano e as FARC. Quando muito fala-se de raspão, em notinha curta que não chama a atenção de ninguém e, ainda assim, louvando a “boa-vontade” dos terroristas. Os episódios ocorridos na Síria e mundo islâmico, ao contrário, merecem destaque há semanas, mesmo que seja para perpetuar a mentira de que o vídeo desimportante sobre Mahomé foi o causador do tumulto. E em que aqueles fatos nos atingem? Em nada, que eu saiba, entretanto, este falso “acordo de paz” com os terroristas das FARC nos dizem muito mais mas providencialmente não se fala no Brasil, porque há o processo do “mensalão” sendo julgado e as eleições municipais batendo na porta, eventos muito propícios para se ocultar da população as implicações que isto nos traria.

A primeira falsificação deste acordo deu-se com o anúncio mesmo, pelo presidente Juan Manuel Santos, de que se iniciaram em agosto, quando na realidade começaram em fevereiro deste ano em Havana. A segunda, é que as FARC estão de fato interessadas em terminar com o conflito. Para quem não acompanha, a idéia de terminar com um conflito existente há mais de 50 anos e que já ceifou centenas - senão milhares - de vítimas inocentes, como civis - crianças, mulheres e idosos -, policiais, militares e jovens milicianos que são recrutados a força na base da chantagem, a idéia parece atraente. Nenhuma pessoa normal e sensata, em sua sã consciência pode ser contrária à idéia de paz, entretanto, vejamos a que custo os atores envolvidos nas negociações desejam isto.

O presidente Santos tem apenas três fatores em mente: ser reconhecido mundialmente como o “fazedor da paz” e com isto abocanhar o cobiçado Prêmio No-bel,  ser re-eleito e/ou ser o próximo secretário geral da ONU. Tudo girando em torno do seu umbigo e do seu imensurável ego, e para isto pouco importa que esteja vendendo o país a um bando terrorista sanguinário e considerado um dos mais cruéis do mundo.

Para satisfazer seus caprichos, Santos apresenta um discurso ao povo e à imprensa mas nos contatos com os terroristas vai cedendo a todas as suas exigências. São eles que dão as cartas e impõem seu programa estabelecido desde a época dos fundadores, Jacobo Arenas e Tirofijo. Estão na agenda, por exemplo, o modelo econômico, educacional, a reforma agrária e a segurança. É de interesse das FARC exterminar as Forças Armadas que, certamente, serão substituídas por seus guerrilheiros. Por outro lado, discute-se no Congresso, a pedido de Santos, o valor do “salário” a ser pago a estes novos “cidadãos”, que já comenta-se ficará em torno de 1 milhão de pesos (equivalente a R$ 1.000,00), quando o soldo dos soldados que arriscam e entregam suas vidas diariamente em combate não passa dos 600 mil pesos.

As FARC são as novas estrelas midiáticas e não há dia em que algum dos “negociadores” não dê entrevista nos canais de televisão, rádio e jornais, e posam como respeitáveis personalidades que têm o destino do país em suas mãos. Dentre as infinitas aberrações ditas por seus representantes está a mais cruel de todas, de que não têm mais nenhum seqüestrado. E as famílias em desespero se perguntam: o quê fizeram de seus parentes há décadas seqüestrados, e dos quais não se tem notícia? Foram assassinados? Onde os enterraram? Em caso positivo, por que não entregam seus corpos? Também para estes psicopatas não existe o comércio de armas e drogas, mesmo com as incontáveis provas que o mundo inteiro conhece.

E Santos afirma sem se ruborizar que acredita na palavra das FARC. E com a conivência de seu irmão mais velho, Enrique Santos, “ex” membro do M-19 e amigo das FARC, deu cobertura para que os negociadores saíssem do país para Cuba via Venezuela. E certamente é quem está custeando, com o dinheiro dos contribuintes, a estada desses terroristas em Cuba desde fevereiro deste ano. Em declaração recente, “Marcos Calarcá” afirmou que o “sucesso” do acordo vai depender da “oligarquia” aceitar um cessar fogo bilateral e acatar suas propostas que sabemos não vão ao cerne da questão que são: fim do narco-tráfico, desmobilização com entrega das armas e julgamento para os crimes de lesa-humanidade. Isto não virá, tampouco está na pauta. Em troca, o ex-presidente Gaviria propôs que o presidente lhes conceda um “indulto”, enquanto que militares inocentes, como o coronel Plazas Vega, amargam um condenação a 30 anos de prisão por um crime que não cometeu. Com a lei “Marco para a Paz”, Santos já lhes oferece impunidade total e direito a participar da vida política do país. Então, terá êxito seu objetivo desde sempre, de tomada do poder pela via legal, projeto do Foro de São Paulo, de Lula e Chávez. E será, também, o fim da democracia e das liberdades não só na Colômbia mas em todo nosso continente.

* É jornalista independente, estudiosa do Foro de São Paulo e do regime castro-comunista e de seus avanços na América Latina, especialmente em Cuba, Venezuela, Argentina e Brasil. É articulista, revisora e tradutora do Mídia Sem Máscara e proprietária do blog Notalatina.
Mais por este Autor:
Artigos Relacionados: