As FARC voltam ao que nunca deixaram de ser

*Graça Salgueiro

O governo brasileiro sabe que os terroristas dasFARC PODEM estar novamente em nossa Amazônia, planejando maneiras de destruir oatual governo e ainda incrementar o tráfico de cocaína?

No encerramento do XXV Encontro do Foro de São Paulo, ocorrido entre 25 e 28 de julho em Caracas, Nicolás Maduro expressou abertamente seu apoio aos líderes terroristas das FARC - que já se encontravam há tempo na Venezuela mas eram dados como “desaparecidos” na Colômbia - Iván Márquez, Jesus Santrich, El Paisa e Romaña, dizendo que lá eles eram “muito bem-vindos”.

Vale lembrar que tanto Santrich quanto Márquez ganharam de presente por seus incontáveis crimes, um assento no Parlamento colombiano mas não cumpriram. Santrich foi preso por ter sido flagrado negociando 10 toneladas de cocaína com o Cartel de Sinaloa, do México, e ficou retido de abril do ano passado até meados de maio desse ano. Os Estados Unidos o pediram em extradição e pela frouxidão do presidente Iván Duque, quem deu a última palavra foi a JEP, uma excrescência jurídica criada para inocentar os terroristas de todos os crimes, passados e presentes, e Santrich acabou não só não sendo extraditado como libertado da prisão.

Enquanto Santrich esteve preso, Iván Márquez em “solidariedade” recusou-se a tomar posse no Senado e desapareceu. Com a soltura, Santrich tomou posse, fez um discurso lamuriento e teatral, pediu perdão mas dias depois fugiu sem deixar rastro. É lógico que todos sabiam que ele havia fugido para a Venezuela onde há o homízio das FARC e do ELN, e onde há décadas se planejava a farsa de um acordo de paz e a criação de um partido político, plano de guerra elaborado com a colaboração de Cuba, Venezuela e o Foro de São Paulo.

No dia 29 de agosto pp. Iván Márquez “reapareceu” através de um vídeo, onde anunciava o “rearmamento” e a reAS FARC VOLTAM AO QUE NUNCA DEIXARAM DE SER tomada das FARC-EP (sigla usada anteriormente), alegando a “traição do Estado” que “não cumpriu” com o acordo assinado em Havana. Ao seu lado estão Santrich, Romaña, El Paisa e uma dezena de guerrilheiros armados com fuzis, num local incerto e não-sabido mas que Márquez afirma ser na região amazônica do sudoeste do país, perto das fronteiras com a Venezuela e o Brasil.

Ao mesmo tempo em que esse vídeo foi divulgado, a Suprema Corte indiciou o ex-presidente Álvaro Uribe que deve depor no dia 8 de outubro (curiosamente a data de morte de Ernesto Guevara) e cujo resultado pode levá-lo à prisão. Já no começo de agosto, Fernando Londoño, que foi ministro da Justiça de Uribe e sofreu um atentado das FARC que quase o matou, foi também indiciado e seus bens tornados indisponíveis.

A quantidade incalculável de venezuelanos que todos os dias entram na Colômbia tem entre eles não apenas pessoas fugindo da opressão, miséria e fome, mas muitos recrutados das FARC em seu país, para engrossar as fileiras das frentes e batalhões na Colômbia.

Atualmente as FARC e o ELN já ocupam 17 estados venezuelanos com suas famílias, que se deslocaram desde quando começaram as conversações com Santos e seu governo traidor em Havana. Lá eles têm posses móveis e imóveis, documentos venezuelanos, armas - as melhores e mais letais não foram entregues à ONU - e uma ordem expressa de Maduro, encontrada num documento filtrado pelo serviço de Inteligência colombiano, de que as Forças Armadas Venezuelanas não devem “incomodar ou perseguir” membros das guerrilhas, mas, ao contrário, devem garantir “os direitos humanos e satisfazer suas necessidades básicas de alimentos e higiene”, enquanto o povo morre de fome, literalmente, todos os dias.

Ao ELN foi dada a tarefa de conformar um grupo paramilitar e atuar junto com os coletivos, apoiando a delinqüência nas zonas com narco-tráfico e recrutamento de menores, além da extração ilegal de ouro do qual eles ficam com 10%.

Entre as FARC e as Forças Armadas da Venezuela há uma aliança, onde os terroristas podem fazer uso dos serviços de Inteligência desse país para traçar planos contra a Colômbia. Eles analisam pontos estratégicos da infra-estrutura colombiana, assim como instalações governamentais, militares, portos, aeroportos, pontes e rodovias.

Tudo isso já se sabia desde a ditadura de Hugo Chávez, denunciado ante a ONU pelo ex-presidente Uribe pouco antes de deixar o governo, mas agora têm-se documentos comprobatórios, um calhamaço com mais de 300 páginas. Entretanto, mesmo diante de tal assombro, o presidente Duque parece não perceber que sua tibieza e lassidão levarão o país ao socialismo mais bizarro e assassino que se possa imaginar, pois há poucos dias recebeu no Palácio de Nariño a ninguém menos que Timochenko, o chefe supremo das FARC, que cumpre seu papel teatral de homem de paz e prometeu, entre sorrisos e apertos de mão, que haveria paz nas eleições do próximo 27 de outubro, embora suas “dissidências” já tenham assassinado brutalmente dois candidatos à prefeitos pelo partido Centro Democrático há pouco mais de 15 dias.

A pergunta angustiante que me faço, é: o governo brasileiro tem conhecimento desses fatos? Sabe que esses terroristas das FARC PODEM estar novamente em nossa Amazônia, planejando maneiras de destruir o atual governo e ainda incrementar o tráfico de cocaína, como houve há algum tempo entre Fernandinho Beira Mar e o “Negro Acacio”?

A “paz” proposta pelas FARC é como o pote de ouro do outro lado do arcoíris: só acreditam os ingênuos, os sonhadores e as crianças, porque os estudiosos do tema, como eu, NUNCA duvidamos de que seria essa farsa criminosa que estamos vendo.

* É jornalista independente, estudiosa do Foro de São Paulo e do regime castro-comunista e de seus avanços na América Latina, especialmente em Cuba, Venezuela, Argentina e Brasil. É articulista, revisora e tradutora do Mídia Sem Máscara e proprietária do blog Notalatina.

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