Quem cala consente!!!

*Marco Antonio Felício da Silva

Esta semana estava com um grupo de pessoas, profissionais liberais em sua grande maioria, idade média de 35 a 45 anos, quando no meio da conversa, que versava sobre os descaminhos e corrupção do atual governo, uma jovem senhora afirmou que preferia este governo, com todas as suas mazelas, a uma “ditadura”, sanguinária e com militares torturadores e corruptos, como a que ocorrera após o “golpe de 64”. Imediatamente, iniciei uma contestação ao que a senhora acabara de afirmar, quando fui interrompido por um professor universitário que disse: “ O Sr. leu a entrevista do Coronel Curió ? Ele mesmo conta que, na Guerrilha do Araguaia, durante a revolução, quarenta e tanto jovens combatentes, aos quais Curió afirma respeitar pelo idealismo que demonstravam, foram assassinados, friamente, após a prisão respectiva. O Sr. sabia que lutavam pelo retorno do País à democracia, contra a ditadura, opressão e brutalidade dos militares ?”  

Em resposta, disse-lhes que não conheciam a verdadeira história que abrangia um tempo em que ainda eram crianças. Que aqueles que estavam no Araguaia eram revolucionários marxistas, treinados na China comunista, em 1962, antes do que chamavam de golpe militar de 64, com o ideal de instalar a luta armada no Brasil, a partir do campo, por meio de uma guerrilha rural, objetivando, finalmente, a implantação de uma ditadura comunista no País. Que o Curió havia se esquecido que tal idealismo não se coadunava com os anseios de liberdade do Povo Brasileiro. Que o Exército lá estava cumprindo o seu dever para com a Nação brasileira, impedindo que um bando de tresloucados levassem, a todo o País, a violência das armas, possibilitando regime que matou milhões de inocentes em grande parte do mundo. O que chamava de idealismo não passava de fanatismo, construído por doutrinação marxista e lavagem cerebral criminosas, explorando a ignorância, a boa fé e a motivação de alguns moços. Que em qualquer guerra, principalmente numa guerra irregular como a de guerrilhas, não se combate com flores, mas com armas que ferem e matam pessoas, em ambos os lados, dependendo de inúmeras circunstâncias e das pessoas presentes no caos que é o combate, difícil de ser administrado.

Falei sobre a morte do tenente da PM paulista, morto a coronhadas, no Vale da Ribeira, pelo comunista e ex-capitão Lamarca. Mostrei que a contra-revolução, feita por civis e militares, o foi atendendo aos apelos, temores, anseios e deseacaf da maioria povo brasileiro, manifestados nas ruas de todo o Brasil. Muitos retrucaram que jamais tinham ouvido semelhante História nos meios de comunicação, colégios, universidades e até mesmo nas igrejas. Que os políticos sempre traduziram a intervenção das Forças Armadas (FA) como um grande golpe na democracia, instaurando uma ditadura que matou e torturou intensamente.

Na propaganda eleitoral, dizer-se preso ou cassado pelo regime militar tem-se com fato altamente positivo. Que os livros que tratam da História do Brasil, usados por seus filhos, com o aval do governo, corroboram tais idéias e mostram o socialismo como solução para os problemas que afligem a população e o capitalismo como forma de exploração humana. Que os militares, embora acusados, quase que diariamente, nada falam, parecendo fragilizados. Respondi-lhes que os meios de comunicação, parcela da Igreja dominada pela Teologia da Libertação, universidades, colégios e sindicatos foram, inteligentemente, infiltrados, difundindo-se, então, de forma generalizada, versão deturpada dos fatos históricos que transformaram comunistas, que desejavam para o País uma ditadura policial, usando da violência armada, incluso do terrorismo, de assassinatos, assaltos e de justiçamentos, em amantes da Paz, da Justiça, dos Direitos Humanos e da Democracia. Para os militares, que salvaram a Nação de um regime sanguinário e desenvolveram o País, colocando-o entre as 10 maiores economias do mundo, as pechas destinadas foram as de torturadores e de golpistas.

Não contrariar isso, está dentro das normas de patrulhamento ideológico do cidadão, traduzidas pelo que é chamado de politicamente correto. Quem contrariar o estabelecido não será visto com bons olhos. Em qualquer debate, o contrário será abatido não por argumentos, mas pela desqualificação pessoal, principalmente por aqueles que dominam a mídia. Fácil é para o jornalista ou intelectual, sentado numa escrivaninha, sem nunca ter arriscado a vida no cumprimento do dever, escrever sobre o que não viu ou sentiu, principalmente quando tem o objetivo de desmoralizar e denegrir aqueles que não concordam com o seu viés ideológico.

Disse-lhes que o grande problema é que as Forças Armadas, principalmente, o Exército, venceram a luta armada, mas perderam a batalha da propaganda, adotando uma política de mudez e postura acuada. Ora ! Quem cala consente ! Não se faz ouvir e nem se difunde o que é a verdade. Assim, não adianta apenas falar e reclamar, o que se faz quase sempre pela internet e apenas entre militares, que as FA estão sendo achincalhadas moral e materialmente. É necessário agir, falar e, se preciso, confrontar. É necessário fazer com que a Nação ouça a voz das FA, em momentos de dificuldades, influenciando as grandes decisões de caráter nacional, tradição histórica, e por seus verdadeiros chefes, soldados de carreira e não por embusteiros temporários. Estes, quase sempre, fazem da função passageira trampolim para alcançar objetivos pessoais ou de grupos, ou ainda, fazer-se presente na mídia, vendendo imagens que não são verdadeiras. O caso da demarcação da Reserva Raposa Serra do Sol, que afeta a Soberania Nacional e a mudez dos grandes responsáveis por esta última, é emblemático.

Para reforçar meus argumentos de como, hoje, a verdadeira História é modificada por imagens e verdades distorcidas, mostrei-lhes o jornal Estado de Minas que, então, publicava reportagem sobre o lançamento do livro “Diários do Horror”, escrito por Frei Beto, baseado em bilhetes escritos pelo ex-preso, frei dominicano, Fernando Britto, clandestinamente,“nos porões da ditadura Militar”. A reportagem e a entrevista com o Frei Fernando, apresentado como um idealista injustiçado, não mostram claramente o motivo da sua prisão : apoiava com outros freis, usando o hábito e o convento, violentando princípios religiosos, o sanguinário guerrilheiro comunista, Carlos Marighella, chefe da mais violenta organização revolucionária, a ALN, autor de inúmeros assassinatos, assaltos e atos de terrorismo. Frei Fernando, traça a imagem do assassino Marighella : “ Marighella não era somente um grande líder revolucionário, mas também um grande amigo. Uma pessoa de muita ternura, de muita preocupação com a gente .” O Delegado que matou Marighella, em emboscada, com informações dadas pelos dominicanos presos é chamado, pelo Frei Fernando, de “ facínora”  e seu cúmplice de subversão, que contribuiu para inúmeras das ações violentas da ALN, comandadas pelo bandido Marighella, é descrito como o “doce Frei Mateus Rocha”.  

Sem dúvida, como vem acontecendo há anos, criou-se uma nova estória. Se não há quem diga o contrário de fatos como estes, isto é, a verdade, a mentira se tornará a verdade. E esta mentira, agora verdade, é que será do conhecimento dos leitores, mais um fato da nova estória, consolidando assassinos em heróis e heróis em bandidos, pois, quem cala, consente !

*General da Reserva
Cientista político
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