2010 - Ano decisivo para os brasileiros

 *Prof. Nelson Fernandes Maciel

No ano das eleições, que legitimam o processo democrático, estará em jogo o futuro do país, pois vamos eleger o novo presidente da República, os governadores dos Estados, os senadores, os de­putados federais e os estaduais.

Infelizmente, os nossos políticos, com pou­cas exceções, se enveredaram por um lamaçal de escândalos e corrupções que desestimula a práti­ca do civismo e envergonha os brasileiros.

Esta é a oportunidade única de uma mu­dança completa: não reeleger os malfeitores e bandidos.

Por outro lado, estamos vivenciando uma es­tabilidade económica e um ambiente favorável, que nos propicia a escolha de um novo presidente com base em suas propostas e debate de ideias.

Esperamos que os candidatos apresentem, de forma clara e detalhada, os seus planos para resolver os múltiplos problemas do governo fede­ral, dos políticos e de suas políticas.

Não podemos aceitar a disputa entre quem vai oferecer a maior taxa de crescimento, o melhor PAC, a mais ampla e generosa Bolsa Família, ou a simples continuidade do que está aí. Precisa­mos de um projeto de Nação. Um projeto de al­guém com coragem para estabelecer as mudan­ças e reformas essenciais para fazer o Brasil andar melhor e com ritmo de desenvolvimento e cresci­mento mais acelerado.

Queremos ouvir um debate sério sobre a principal reforma, que é a da educação, na qual está o nosso maior desafio e a neces­sidade de grandes investimentos. A educa­ção reduz a violência e melhora a segu­rança; reduz a pobreza e a desigualda­de, melhora a saúde e aumenta a taxa de emprego. A educação pré-escolar, fundamental e média precisa se tor­nar uma obsessão nacional.

A UNESCO, no relatório "Educação para Todos", colocou o Brasil na 88a posição no ranking de desenvolvimento educacional. Estamos atrás dos mais pobres, Paraguai, Equador e Bolívia. Uma vergonha!

Investimentos na educação superior são ne­cessários, mas não é preciso deixar de lado a for­mação "mais importante", só porque no ensino superior estão os maiores formadores de opinião e, consequentemente, mais votos, além de silen­ciar os universitários - a classe com maior capaci­dade de mobilização de um país.

Vamos analisar aquele que tem o melhor pla­no para a construção de uma democracia marcada pela ética, comprometida com a verdade, com o combate à corrupção, que não protege os respon­sáveis por escândalos e roubalheiras e que garan­ta a liberdade da imprensa.

Devemos conhecer as melhores propostas para a gestão da máquina pública com austeridade, com­batendo seu inchaço e o descontrole de gastos e desperdícios. Vale lembrar que a dívida bruta inter­na do Brasil vem crescendo assustadoramente, chegando a mais de 2 trilhões de reais. Isto signi­fica que o governo vem, consecutivamente, gas­tando mais do que arrecada.

Precisamos analisar o que os candidatos têm a dizer sobre a relação de nossos governantes com países como Venezuela, Bolívia, Cuba e, recente­mente, o Ira. Quais são os reais interesses brasi­leiros nessa proximidade amistosa e sempre com manifestação em defesa das açôes desses governantes reconhecidamente ditadores.

Queremos ouvir um debate para a proposição de reformas do insustentável sistema previdenciário, da maluca e dinossaura legislação trabalhista, do complexo sistema tributário e da reforma política. Essas reformas, engavetadas há mais de 10 anos, facilitarão o progresso de milhões de brasileiros que produzem e pagam impostos.

Para o revigoramento da democracia é impor­tantíssimo que o povo estabeleça a alternância de poder, que depura o governo, desfaz panelinhas par­tidárias em todos os níveis do governo, empresas estatais, autarquias, agências reguladoras e fun­dos de pensão, em que são gerados os maiores níveis de corrupção.

Com programas de governo bem estabeleci­dos, teremos condições de avaliar as propostas e os planos de cada um e decidir em quem votar. Assim, já em 2011, estaremos prontos para cobrar as promessas.

É importante lembrar: o que está em jogo é o futuro do Brasil, e não o do PV, PT ou PSDB.

Diretor-Presidente do Grupo CPT, ex-professor da Universidade Federal de Viçosa - MG E-mail: Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

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