Direito à Verdade III

*Gen Ex Gilberto Barbosa de Figueiredo
 
 

Pesquisando-se os escritos sobre o tempo do “regime militar”, encontramos incontável número de relatos dramáticos, mostrando a ferocidade e a falta de qualquer sentimento dos que militavam nos movimentos subversivos. Hoje, posam de defensores da democracia e lutadores pelas liberdades. Quanto engodo! O Brasil necessita, realmente, conhecer a verdade, como afirma um conhecido secretário especial de direitos humanos.

Para ajudar a refrescar a memória de alguns cínicos e dar conhecimento àqueles que não viveram aqueles tormentosos tempos, transcreverei um trecho, escolhido ao acaso, do livro de autoria do General Agnaldo Del Nero Augusto, A Grande Mentira (BIBLIEX, Rio de Janeiro, 2001).

Em Fortaleza, a facção da ALN também dava continuidade às ações armadas. Em meados de 1970, foram deslocados para o Ceará três militantes recém-chegados de Cuba. A idéia era a de iniciar um trabalho de campo na Região do Cariri.

A ALN/CE iria atuar em frente com o PCBR, organização mais bem estruturada naquele estado.
Em 29 de agosto, o seqüestro e o assassinato do comerciante José Armando Rodrigues, na localidade de São Benedito, revoltaram a opinião pública. Após assaltarem a loja de Rodrigues, os terroristas o amarraram com cordas e o espancaram barbaramente. Em seguida, o assassinaram a tiros e lançaram seu corpo em um precipício na Serra de Ibiapaba.

Os assaltantes recolheram 32 mil cruzeiros da loja do comerciante, aparentemente sem qualquer reação. Por que o mataram? A resposta chega às raias do absurdo quando se fica sabendo que dois dos assassinos eram ex-seminaristas, sendo um deles o autor dos disparos. Onde teriam assimilado tanto ódio e violência? No ensino dos seminários progressistas ou na curta estada em Cuba? O fanatismo ideológico teria transformado o modesto comerciante de São Benedito em burguês monopolista, associado ao imperialismo norte-americano?

Depois de lançarem o corpo do penhasco, os terroristas reencetaram a fuga rumo a Fortaleza. À noite, nas cercanias de São Luiz do Curu, o grupo foi cercado, tendo sido presos dois de seus integrantes. Nos dias seguintes, ocorreram outras prisões. Com o deslocamento dos principais terroristas para fora da área, desarticulou-se a facção armada da ALN no Ceará.

Presidente do Clube Militar

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