Proposta para um novo Movimento Nacionalista no Brasil

*A. C. Portinari Greggio

A Doutrina de Segurança Nacional, ou Doutrina da ESG, ainda é o único instituto teórico inteiro, coerente e abrangente que resta,  após a devastação cultural efetuada pelas esquerdas, em escala crescente, nos últimos oitenta anos.


O fato de a DSG ser reminiscente do passado não significa que esteja ultrapassada. No penúltimo artigo publicado no Inconfidência sugerimos que uma lei natural determina a irresistível marcha da sociedade numa certa direção. Mas a direção não é de progresso, é de regressão ao caos. A degeneração e a morte são processos naturais não somente dos organismos vivos, mas também das sociedades.

Para resvalar na direção do caos não é preciso fazer nada, é só deixar que as coisas aconteçam, ou empurrar para que aconteçam mais rápido. Essa tem sido a estratégia geral da esquerda. O verdadeiro progresso é obtido quando se rema contra a corrente, ou quando se empurra ladeira acima. Nada, no progresso humano, acontece espontaneamente. Tudo o que se constrói exige esforço, luta e trabalho. Até a simples preservação do que já existe só se faz mediante contínua luta contra o caos. Portanto, o fato da DSG nunca ter sido “atualizada”, longe de significar que é ultrapassada, demonstra o contrário: que soube manter-se intacta e escapou ao processo geral de degeneração.

Isso, porém, não significa que a DSG não tenha de ser adaptada às novas circunstâncias. Tal como foi elaborada nas décadas de 1950 e 1960, a DSG era essencialmente uma resposta do Brasil ao avanço do comunismo soviético. E como o comunismo ameaçava todo o Ocidente, a resposta brasileira se inseria na frente ocidental contra o comunismo.

Diferente do marxismo, a DSG não pretendia ser filosofia nem ideologia. O marxismo queria mudar o mundo de acordo com uma utopia que exigiria não apenas a reconstrução das instituições sociais, mas a transformação total do ser humano. Por isso se apresentava como sistema completo e fechado de pensamento, e rejeitava tudo o que o senso comum e as tradições haviam ajuntado em milênios de História.

A DSG era muito mais modesta. Não pretendia transformar o mundo. Seu objetivo era apenas opor-se à degeneração marxista e defender a instituição mais importante da cultura ocidental: o conceito e a realidade da Nação. Para a DSG, a Nação é o arcabouço da civilização. Não há, para ela, possibilidade mundo civilizado sem fronteiras ou sem nações, até porque cada civilização só se manifestar dentro de seu respectivo arcabouço nacional. Todos conhecemos a civilização grega, a romana, a judaica, a árabe, a germânica, a francesa, a britânica, a chinesa, etc. Mas eu gostaria de ouvir alguém citar alguma civilização sem raízes nacionais.

A DSG não precisa inventar filosofias ou ideologias porque sua missão é apenas proteger a nação e a civilização tal como existem. Para isso, ela confia no senso comum do povo. Em temas como casamento, família, homossexualidade, autoridade, patriotismo, educação, civilidade, tradição, instituições jurídicas, artes, costumes, em tudo isso, a DSG confia no que já existe e é aceito por consenso. São temas que ela nem sequer discute, pois seu propósito não é impor ideias, é proteger o ambiente em que as ideias e instituições florescem. Se o povo, guiado pelo mesmo senso comum, resolver mudar as suas ideias e instituições, a DSG não terá nada a opor, desde que seja por consenso nacional, e não por imposição de alguma minoria. A grande força da DSG vem exatamente daí. Partindo do senso comum, constrói um arcabouço de ideias cujo único objetivo é dar consistência e coerência ao que todos aceitam por ser parte desse mesmo senso comum.

Por isso, a DSG se intitula simplesmente “doutrina”, e não “ideologia”, nem muito menos “filosofia”. Como doutrina, expõe suas ideias sem aliciar o aluno. Simplesmente propõe: “Se amas tua pátria, se desejas proteger tua família, tua cidade, teu mundo, se queres segurança e estabilidade, se pretendes trabalhar e prosperar à tua custa, se queres que teus descendentes vivam no mesmo país sob as mesmas ideias e ideais comuns, se amas a ordem e queres o progresso, então esta é a doutrina adequada.”. Pergunta: se o cabedal de ideias e valores da DSG já existe e é conhecido dos que a aceitam, para que então os cursos e estudos de DSG? Resposta: As ideias e valores do senso comum são por natureza dispersos e muitas vezes incoerentes. Aceitá-los não é suficiente. O senso comum, para ser útil na solução de problemas complexos, tem de ser metodicamente arranjado de forma coerente e lógica. As noções esparsas têm de ser reduzidas aos seus axiomas fundamentais, a partir dos quais um arcabouço lógico é desenvolvido e aplicado de modo científico. A Doutrina de Segurança Nacional é o senso comum metodizado como teoria.


Mas não resta dúvida de que a DSG tem de ser atualizada. Não porque tenha perdido o valor, nem porque seja antiquada, ou tenha de ser atualizada no seu conteúdo nuclear. Quanto a isso, não há nada a mexer. Esse será o tema do nosso próximo artigo no Inconfidência.

* Economista, ex-aluno da Escola  Preparatória de Cadetes  de São Paulo

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