Brasil: Opção preferencial pela ilegalidade

*Graça Salgueiro

Ontem o governo brasileiro desferiu o golpe mais baixo, desrespeitoso e ilegal contra o governo de fato de Honduras, quando par-ticipou da conspiração para abrigar clandestinamente em sua embaixada o presidente deposto constitucionalmente Manuel Zelaya.

Para que se possa compreender este fato, é necessário recuar um pouco no tempo e ler o que diz na Resolução Final do XV Encontro do Foro de São Paulo, ocorrido no México entre 22 e 23 de agosto, em seu parágrafo décimo quinto, item 2, onde os principais temas debatidos foram o acordo militar Colômbia-Estados Unidos e o “golpe” em Honduras: “Décimo quinto (...) 2. Apoiar decididamente a esquerda hondurenha nos termos da resolução particular por este XV Encontro” ().

Ora, o que de tão secreto acordou-se nesta “resolução particular” que apenas os eleitos puderam tomar conhecimento? Não se sabe mas é possível presumir, depois do que ocorreu ontem em Honduras. Desde que Zelaya foi deposto a posição do Brasil sempre foi coerente, não com os fatos e a realidade, tampouco com o que diz da boca para fora ao defender a democracia, a soberania nacional e a auto-determinação dos povos, mas ao ideário comunista. Cortou vários acordos bilaterais que mantinha com aquele país, desconheceu o novo governo bem como os funcionários da embaixada, cancelou os vistos dos hondurenhos residentes no Brasil, além de insistentemente exigir do comuno-muçulmano pre-sidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que apertasse o cerco contra o novo governo de Roberto Micheletti.

Obama apertou mas não tanto quanto desejavam Lula-Chávez-FARC, que queriam a caveira de Micheletti e seu acólito Zelaya outra vez no poder, para dar prosseguimento aos planos de comunizar Honduras e fazer dela um paraíso do narco-terrorismo como esteve quase a ponto de se tornar.

Agora, depois que atiçaram fogo ao paiol de pólvora, reagem em um coro cínico e hipócrita todos os que contribuíram para este fato. Inzulsa deixa cair a máscara e novamente volta a insistir na aprovação do pacto de São José da Costa Rica, proposto pelo presidente Oscar Arias, que pede a anistia a Zelaya e sua volta ao poder. Ademais, joga o mesmo jogo sujo que as FARC e Chávez fazem com Uribe, quando dizem que “ele” não quer se abrir ao diálogo. Em um comunicado emitido ao governo hondurenho, Inzulsa diz: “Quero fazer um chamado à calma aos atores envolvidos neste processo, e assinalar às autoridades do governo de fato que devem tornar-se responsáveis pela segurança do presidente Zelaya e da embaixada do Brasil”. Ora, se cabe alguma responsabilidade nisso é ao Sr. Luiz Inácio e ao Sr. Hugo Chávez, mentores da patifaria!

O embaixador do Brasil em Honduras, Ruy Casaes, por sua vez, diz que Zelaya chegou “por meios próprios, pacíficos e acompanhado de sua esposa e outras pessoas”. As palavras-chave neste momento são “diálogo”, “calma” “pacificação”, “respeito à democracia”. São repetidas à exaustão para que o povo fixe apenas o que é dito, enquanto as ações não têm NADA de pacífico e muito menos democrático. Os seguidores de Zelaya já começaram seus atos de vandalismo, depredando, saqueando e até um carro da Polícia foi incendiado e, no entanto, todos os favoráveis à desordem e ao desrespeito à Constituição, acusam a oposição daquilo que eles fazem.

Uma das provas mais fidedignas de que este retorno de Zelaya estava planejado desde o Foro de São Paulo e de comum acordo entre Lula e Chávez é que, quem primeiro deu a notícia foi a rede de TV TeleSul, e a primeira pessoa a falar com Zelaya por telefone foi Chávez. Ousado, este delinqüente bolivariano mandou uma clara ameaça a Micheletti: “Esperamos que os golpistas entreguem o poder e não vão massacrar esse povo ou tentar uma loucura. O mundo está na expectativa”. No entanto, logo após se certificar de que a embaixada do Brasil havia recebido clandestinamente Zelaya, o presidente Micheletti fez um comunicado que apenas pede o que é legal: que o Brasil ofereça asilo político a Zelaya ou o entregue às autoridades para ser julgado como qualquer outro cidadão que tem um processo pendente na justiça.

O Brasil se pronunciou através do chanceler Celso Amorim afirmando que ”não sabiam de nada”, mas que não podiam negar apoio por se tratar de uma “questão humanitária”. Entretanto, essa “questão humanitária” está custando caro ao Brasil, uma vez que a Embaixada está servindo de palanque político para o golpista Zelaya que de lá, através de telefones fixos da representação brasileira (pagos por nós) e por celular, fica instigando suas hordas de vândalos a criar um caos que não existia antes para responsabilizar o presidente Micheletti. Além disso, a Embaixada brasileira deu abrigo a mais de 100 “apoiadores” de Zelaya que entraram armados, e Lula já afirmou que eles vão ficar lá “o tempo que for necessário”, embora este “apoio humanitário” seja absolutamente ilegal e jamais visto em toda a História.

Esta atitude mesquinha, covarde, ilegal e condenável sob todos os aspectos do governo brasileiro, trará, como já está sendo visto, conseqüências muito nefastas, sobretudo aos hondurenhos que serão as vítimas desta rebelião que começa a se formar. Que recaia sobre os ombros e a responsabilidade dos Srs. Luiz Inácio Lula da Silva, Marco Aurélio Garcia e Celso Amorim, os danos físicos, morais e materiais que ocorrerem ao povo hondurenho. E se houver um massacre, não culpem o presidente Micheletti ou as Forças de Segurança hondurenhas, mas aos que agiram clandestinamente, de má-fé e calculadamente, tramando desde o Foro de São Paulo, conluiados com a OEA, a ALBA e a ONU.

Se houver um massacre em Honduras, terá sido planejado e executado por estes mesmos que advogam pelo “retorno à democracia”, ou ainda pelo próprio Zelaya que chegou adaptando o slogan bolivariano “Pátria, restituição ou morte!”. Do mesmo modo que foram planejados os massacres de 11 de abril de 2002 na Venezuela, e em 11 de setembro de 2008 na Bolívia, seus autores são os mesmos de sempre e nós os conhecemos bem!

*É jornalista independente, estudiosa do Foro de São Paulo e do regime castro-comunista e de seus avanços na América Latina, especialmente em Cuba, Venezuela, Argentina e Brasil. É articulista, revisora e tradutora do Mídia Sem Máscara e proprietária do blog Notalatina.

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