UNOAMERICA: pedra no sapato do Foro de São Paulo

*Graça Salgueiro

No último dia 23 de junho a União de Organizações Democráticas da América – UNOAMÉ-RICA – entregou à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da OEA, em Washington, um relatório em que denunciava o presidente da Bolívia, Evo Morales, por crime de lesa-humanidade no episódio que ficou conhecido como o “Massacre de Pando”. Para os que não estão familiarizados com o assunto, este massacre ocorreu em 11 de setembro de 2008, no estado Pando, onde ao menos 13 pessoas morreram, centenas ficaram feridas, jornalistas foram perseguidos e presos, e outras tantas pessoas tiveram que se exilar em cidades fronteiriças brasileiras para preservar suas vidas.

Morales acusou a oposição pelo massacre, depondo e encarcerando (até os dias de hoje) o governador Leopoldo Fernández, decretando estado de sítio no estado e pondo em lugar de Fernández um militar de sua confiança. Lideranças bolivianas, juntamente com jornalistas e políticos opositores, reuniram-se com delegados da UnoAmérica em fins de março passado com o objetivo de fazer uma investigação paralela, pois todos estavam seguros de que o massacre havia sido planejado e executado pelo próprio governo, por militantes do MAS (partido de Morales) e indígenas aymarás, da etnia de Morales, com a conivência das Forças Armadas e Policiais a serviço do presidente.

A notícia desta investigação se espalhou rápido, pois ao término da coleta dos dados estes delegados deram entrevistas à imprensa responsabilizando o governo pelo massacre, e condenando o relatório elaborado pela UNASUL (União das Nações Sul-Americanas, uma sucursal do Foro de São Paulo), cujo relator foi o “ex” terrorista do ERP (Exército Revolucionário do Povo, da Argentina) Rodolfo Mattarollo. Este informe, que ficou conhecido como “Informe Mattarollo”, ratificava a calúnia divulgada por Morales, além de mentir, omitir dados importantes, fraudar, e dar como mortos indígenas que estão bem vivos.

Apenas saiu o anúncio de que a oposição, com o apoio de UnoAmérica, estava elaborando um relatório para encaminhar à CIDH acusando Evo Morales pelo crime de lesa-humanidade e a esquerda inteira se alvoroçou. Vários conhecidos órgãos de mídia esquerdista partiram para a calúnia, desqualificando os delegados de UnaoAmérica e desmerecendo o trabalho por eles realizado, embora desconhecessem por completo seu conteúdo. Como é comum nas hostes comunistas, desqualificaram as pessoas porque não podiam desqualificar o relatório.

Este foi o primeiro sinal do desespero das esquerdas ao ver a “ousadia” de um grupo até então desconhecido, pequeno e sem os recursos financeiros que eles têm, em enfrentá-los e opor-se efetivamente a seus desmandos e crimes. Pouco tempo depois, em princípios de abril, o cocalero presidente boliviano (depois de uma reciclagem em Cuba) lança o factóide, com grande alarde, de que “a oposição” planejava assassiná-lo e que três terroristas internacionais, contratados pela oposição e membros de UnoAmérica, foram “abatidos” em confronto com a polícia. Nesta edição o Notalatina (http://notalatina. blogspot.com/2009/05/farsa-do-magnicidio-contra-evo-morales.html) desmascara mais esta farsa mal engendrada, sobretudo a de ter havido o tal “confronto”, uma vez que as vítimas foram assassinadas a sangue frio enquanto dormiam.

A entrega do “Informe de Pando” à CIDH foi amplamente divulgada pelos órgãos de imprensa de várias partes do mundo com muito boa receptividade; entretanto, o Vice-Presidente da Bolívia, Álvaro García Linera rapidamente tratou de desmerecer o documento classificando-o de “pouco sério”. Porém, a coisa fica mais interessante quando se observa o vídeo onde García Linera faz esta afirmação, pois não é preciso ser psicólogo para perceber seu nervosismo e até mesmo as contradições de quem sabe que não tem razão mas necessita manter a defesa de suas mentiras a qualquer custo. Neste vídeo http://www.youtube.com/watch?v=_66BBs9Hvzs gravado pelo “Canal 7”, no Palácio do Governo, a partir de 1:23 minutos García Linera começa a falar; em 2:23 ele afirma: “queremos ter maior informação de sua estrutura interna e das pessoas que conformam este sistema pouco sério da suposta defesa dos direitos humanos”. Ora, se ele não tem qualquer referência sobre a UnoAmérica, não conhece os membros que elaboraram o relatório e muito menos conhece com exatidão o teor do documento, como pode fazer afirmação tão patética, tão ridícula, tão primária?

Não vi o governo brasileiro se pronunciar a respeito, mas – é óbvio! –já deve ter tomado conhecimento e as conversas devem estar rolando como segredo de alcova entre Lula, Morales, Chávez e Fidel. O presidente do Peru, Alán García, foi vítima recentemente de uma situação semelhante, cujo objetivo é depô-lo a todo custo como já fizeram com outros presidentes do continente não-membros do Foro de São Paulo. Este é o modus operandi desta gente e é por isso que chamo a atenção dos brasileiros porque aqui também temos índios violentos e o MST, todos protegidos pelo Partido-Estado. Não será surpresa se dentro em pouco surgir uma rebelião semelhante contra fazendeiros, pois estes presidentes do Foro de São Paulo não defendem etnias nem minorias, mas as usa como bucha de canhão para alcançar seu fim que é perpetuar-se indefinidamente no poder.

*É jornalista independente, estudiosa do Foro de São Paulo e do regime castro-comunista e de seus avanços na América Latina, especialmente em Cuba, Venezuela, Argentina e Brasil. É articulista, revisora e tradutora do Mídia Sem Máscara e proprietária do blog Notalatina.

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