Cai a máscara!

*Graça Salgueiro

Estava eu no Rio no dia 28 de abril passado, quando li bem cedo da manhã uma matéria recebida da Venezuela, dando conta de que no dia anterior o presidente Lula, num encontro em Boa Vista (AC) com o presidente Alan García, do Peru, teria dito aos jornalistas que “se as FARC querem chegar ao poder, seria mais fácil se converter em um partido político e disputar eleições” (sic). E continuando em sua campanha pró-FARC acrescenta uma estupidez maior que a primeira. Disse ele: “Se este continente permitiu que um índio (em referência a Evo Morales) e um operário metalúrgico chegue (sic) à presidência (numa falsa alusão a ele próprio), por que alguém das FARC não pode chegar ao poder disputando eleições?”.

No dia seguinte proferi uma palestra no Clube da Aeronáutica, cujo tema foi “A ameaça narco-terrorista: a experiência das FARC e do ELN e a destruição das Forças Armadas” e demonstrei, através de documentos e vídeos institucionais, que esse é um dos planos das FARC com apoio do Foro de São Paulo, do qual Lula é fundador. Aproveitei a ocasião para perguntar aos presentes, depois de tudo o ouviram e assistiram, se o presidente brasileiro – sabedor de todos os propósitos do Plano Estratégico das FARC – estava blefando ou fazendo pouco caso da situação vivida por milhares de colombianos afrontados há mais de 40 anos pelo terrorismo e o narco-tráfico.

Dias depois desse “recado” de Lula, chega ao Brasil a senadora Piedad Córdoba, alcunhada pelas FARC como “Teodora Bolívar” e sua “embaixadora”, para pedir a criação de uma “área neutra” entre Brasil e Colômbia para que se possa “negociar” a entrega do cabo Moncayo seqüestrado pelas FARC há quase 12 anos. Estes dois fatos não são coincidência nem podem ser vistos isoladamente. Fazem parte do Plano Estratégico das FARC, onde a vida humana é a coisa mais desprezível de todo o processo.

Lula sabe que sua eleição e a do cocalero presidente boliviano não podem de maneira alguma ser comparadas com a possibilidade de um bando terrorista também disputar um cargo eletivo. Por mais que nos repugne a idéia de governos comunistas como o deles, Lula e Morales pertencem a partidos políticos legais. Além disso, mesmo tendo condutas reprováveis e sendo coniventes com os incontáveis crimes, inclusive dos terroristas das FARC, não é o mesmo que cometê-los reiteradamente como modo de vida.

Entretanto, para Lula e Teodora isto faz parte dos “acordos de cooperação”, coisa do tipo “uma mão lava a outra”, afinal, eles são companheiros de ideais e parceiros no Foro de São Paulo. Teodora é a candidata de Chávez e das FARC ao governo da Colômbia, e disto se teve confirmação através dos achados dos computadores de Raúl Reyes. Lula também deve favores de campanha, além da fidelidade ao camaradismo do Foro de São Paulo. Chegou a hora de retribuir, pois. Primeiro ele se negou - e mantém firme até hoje - a classificar as FARC como um bando terrorista, seguindo a determinação do esquerdismo mundial, que alega que essa terminologia foi dada pelo “império”; agora deixa cair a máscara da imparcialidade e lança publicamente a igualdade de condições entre um bando terrorista e um partido político.

Contudo, estas idéias nem são originais nem tampouco meras coincidências mas determinadas por Tirofijo, como se pode verificar na mensagem enviada ao Secretariado das FARC, em 11 de janeiro de 2008. A mensagem é longa, aborda vários assuntos e o trecho seguinte refere-se aos objetivos que deviam ser discutidos num encontro que o Secretariado teria com Chávez em Yarí, Colômbia:

“Quarto: Exigir dos governos nos excluir da lista de terroristas com a finalidade de buscar reconhecimento como força beligerante alçada em armas contra o sistema, para quando os acordos pactuados forem desconhecidos ou violados, tenhamos mecanismos nacional ou internacional onde nos queixarmos”.

- “Creio que se tiveram a oportunidade de escutar comentários da imprensa, rádio e televisão, nos podemos dar por bem servidos neste caso, além do reconhecimento de Chávez como força beligerante, com um projeto político, etc. Sem mais, JE (Tirofijo)” (Extraído do livro Complot contra Colombia, pág. 158, Ediciones Luis Alberto Villamarín Pu-lido, Bogotá, Colombia, jan. 2009, do Cel Luis Alberto Villamarín Pulido – inédito no Brasil).

Neste livro há ainda várias mensagens trocadas entre Raúl Reyes e Teodora a respeito do cabo Moncayo, onde deixam claro que este infeliz militar não passa de um escambo a mais, apenas uma mercadoria cujo preço são os dividendos políticos que este bando de malfeitores possa angariar junto à opinião pública. E a manipulação vem sendo incrementada ferozmente por Teodora, agora através do professor Moncayo, pai do cabo seqüestrado, numa campanha sórdida contra o presidente Uribe e não contra os verdadeiros responsáveis pelo seqüestro e tortura do seu filho.

O chefe do Estado-Maior das Forças Militares da Colômbia, o almirante David Moreno, denunciou ontem (18) ao diário El Nuevo Siglo de Bogotá, que a guerrilha põe cianureto e excrementos em seus projéteis com a intenção clara de matar. Para ele, “isto lhes permite assassinar uma pessoa que foi ferida. Nossos soldados estão sendo assassinados com balas envenenadas com cianureto. É preciso denunciar que as FARC estão utilizando uma guerra química para acabar com os colombianos”. Enquanto isso, o Sr. da Silva considera absolutamente normal que estes monstros assassinos “lutem” para alcançar o poder e um dia governar legitimamente a Colômbia. Mas, o que esperar de um governante cuacaf principais auxiliares foram terroristas no passado?

 *É jornalista independente, estudiosa do Foro de São Paulo e do regime castro-comunista e de seus avanços na América Latina, especialmente em Cuba, Venezuela, Argentina e Brasil. É articulista, revisora e tradutora do Mídia Sem Máscara e proprietária do blog Notalatina.

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