Cadernos de "JoJoy":"justiçamentos" de meninos informantes e abortos

*Graça Salgueiro

Em fins de março o jornal colombiano “El Tiem-po” publicou uma matéria em que contava ter tido acesso a uma espécie de caderno, compilado fielmente pelo rádio-operador de “Mono Jojoy”, alcunha de Jorge Briceño Suárez, um dos comandantes das FARC, com anotações de conversas tidas por rádio de Jojoy com “Manuel Marulanda”, “Alfonso Cano”, “Raúl Reyes” e outros chefes.
As conversas são mais ou menos cifradas, com linguagem semelhante a telegramas, mas perfeitamente compreensíveis. Conversa-se sobre tudo: a prova de sobrevivência dos seqüestrados, de planos terroristas, de alianças com narcos, “justiçamentos” e até de “licenças” para abortos.


No Brasil as FARC só são notícia quando se trata de favorecê-las e tentar dar legitimidade ao movimento terrorista como “grupo insurgente” ou “grupo beligerante”. Para isso, ficam aguardando uma oportunidade desses criminosos comuno-terroristas criarem mais uma situação patética de devolução de seqüestrados que eufemisticamente (eles e os governos dominados pelo Foro de São Paulo com o apoio da mídia companheira de viagem) chamam de “acordo humanitário”. Mostrar toda a malignidade escondida naquelas selvas, ninguém ousa; é proibido macular a imagem de tão generosos e justos “lutadores sociais”...


Segundo esta compilação, em novembro de 2002 Jojoy é informado da oferta de um grupo de “bandidos” (sic) que pretendiam lhe vender mil fuzis; o pagamento seria em coca. Para tal, cada uma das partes envia um fiador, que pagará com a vida se algo não der certo. As FARC vivem afirmando que não têm nada a ver com o narcotráfico; entretanto, foi esta a mensagem de Jojoy para com os negociantes dos fuzis:


“Quanta coca ou cristal tem que dar por fuzil? Onde terão o nosso fiador? Fiadores permanecerão até a entrega do último fuzil? Donos fuzis representam Estado, organização mafiosa ou o quê? Quem e por que contata-ram com você?”


Em “partes de situação”, Jo-joy envia e pede instruções acerca de aborto em guerrilheiras grávidas, uma das quais com 6 meses de gestação:
25 de outubro:“Onde podem vocês provocar aborto 6 meses de gravidez?”
30 de outubro: “Junto com novos e correio vem mulher Robinson, 6 meses gravidez, provoca-lhe aborto”.
19 de novembro: “Empre-nhadas Nariño e mulher ‘Patama-la’ já estão prontas. Não houve problema”.

Como se pôde ver, não há a menor consideração pelas mulheres que por ventura engravidem; a ordem é abortar, não importa em que estágio se encontra a gravidez. Todas as guerrilheiras capturadas ou que abandonaram a guerrilha são unânimes em contar esta história que agora é confirmada por ordens de um dos mais cruéis e sanguinários comandantes do Secretariado. Só eles, os chefões, têm direito a pôr filhos no mundo.
O mais grave, entretanto, reservei para o final: os “justi-çamentos” de meninos (ou meninas) que eles rotulam de “informantes”.

Não precisa de provas; basta a desconfiança para que sejam levados ao “conselho de guerra revolucionária”. Em uma série de comunicações datadas entre 17 de agosto e 22 de outubro, Jojoy é claro quando manda “justiçar” meninos informantes:
17 de agosto: “Justicie ladrões e ponham cada um local di-ferente” (ordem dada ao chefe da Frente 15 das FARC).
22 de agosto: “Investigar detidos e ir justiçando-os um por um e ir deixando-os visíveis”.
22 de outubro: “Investiguem bem meninos informantes e os justicie. Fuzilamento é unicamente aos que se realiza conselho de guerra”.


A respeito deste tal “conselho de guerra”, conto uma parte da história de Edinson, cognome “Johny López”, um ex-guerrilheiro desertor que foi aliciado aos 12 anos de idade. Todo dia ocorria logo cedo da manhã o tal conselho de guerra, cujas sentenças já vinham prontas pelos comandantes. Os assistentes eram todos os membros da Frente dos que seriam julgados, a maioria recém ingressados na guerrilha. Com medo de ser a próxima vítima, nenhum daqueles garotos, com idades que variavam entre 10 e 15 anos, ousava votar contra a sentença ditada.


O relato que segue é estar-recedor e repugnante, porém necessário para que se compreenda quem são e como agem estes monstros terroristas. Johny foi escolhido para matar “John Freddy”; recebeu do comandante Alonso não só a ordem mas o punhal que deveria enterrá-lo no coração da vítima, de apenas 15 anos, no dia 23 de dezembro de 1981. Após desferir o golpe fatal, Johny conta o que sucedeu:


“Alonso cortou a veia aorta do morto, pôs o punhal sobre uma pedra, recolheu o sangue entre suas mãos e me deu para que bebesse. Não tive escrúpulos para fazê-lo”. (...) “Abrimos um pequeno buraco na terra para enterrar o cadáver de John Freddy. A princípio não entendi a razão do minúsculo tamanho do fosso, porém acabei as dúvidas quando Alonso esquartejou o corpo sem vida de John Freddy, com a mesma naturalidade que um magarefe esquarteja um boi. Depois o sepultou”. (...) “Tapamos o lugar com terra e folhas secas e deixamos o lugar como se não houvesse acontecido nada”. (En el Infierno, obra inédita no Brasil do Cel Luis Alberto Villamarín Pulido). Todos os justiçamentos foram reportados a Tirofijo e Jacobo Arenas que os aprovaram, para “o bem do movimento revolucionário”.


É por gente assim que Chávez, Lula, Correa, Morales e os irmãos Castro advogam. Quem se parece, se junta...


Fonte consultada: www.eltiempo.com 

É jornalista independente, estudiosa do Foro de São Paulo e do regime castro-comunista e de seus avanços na América Latina, especialmente em Cuba, Venezuela, Argentina e Brasil.

É articulista, revisora e tradutora do Mídia Sem Máscara e proprietária do blog Notalatina.

 

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