Reflexos da morte de "Mono Joyoy"

*Graça Salgueiro

Com o fim da campanha eleitoral, quando o PT apostava todas as suas fichas em que sairia vitorioso ainda no primeiro turno, não era nada prudente lamentar o .assassinato. do terrorista "Mono Jojoy", um dos cabeças do Secretariado das FARC, abatido em 23 de setembro na Operação Sodoma.

No encontro do Grupo de Trabalho do Foro de São Paulo, celebrado entre os dias 8 e 10 de outubro em San Salvador, para comemorar os 30 anos de existência do movimento guerrilheiro "Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional" (FMLN), tampouco esta morte foi lamentada, pelo menos não do conhecimento público.

A mídia nacional também usou e abusou da espiral do silêncio.

Noticiou o fato no dia do acontecimento mas relegou a segundo plano um fato que tem sérios reflexos na atual conjuntura do Brasil, considerando ser o presidente Lula fundador do Foro de São Paulo onde as FARC são membros fundadores e, apesar de se divulgar que "nunca pertenceram" e depois que "já não pertencem mais" à tal organização, sabe-se perfeitamente bem que os vínculos entre ambos seguem tão firmes quanto sempre foram.

Um fato que chama a atenção e que, se formos fazer as corretas analogias entre FARC, PCC, Foro de São Paulo e conseqüentemente o PT, é que no primeiro turno das eleições presidenciais a candidata governista obteve 63,5% dos votos dos presidiários de São Paulo, onde domina a facção narcotraficante PCC. Presidiários votarem já é, por si só, uma excrescência sem tamanho e mais ainda, quando esses "eleitores" dão seu voto à candidata do partido que foi acusado publicamente - e há  fartas provas documentais - de ter relações com as FARC.

O presidente Juan Manuel Santos anunciou que a revelação dos dados contidos nos computadores e memórias USB encontrados no bunker do terrorista Jojoy vão levar alguns meses para ser totalmente decodificados, pois o material apreendido representa onze vezes mais do que os achados nos computadores de Raúl Reyes, abatido em 1 de março de 2008.

Entretanto, algumas coisas já estão saindo a público como por exemplo: que o atentado a bomba em 13 de agosto desse ano, contra Caracol Radio, em Bogotá, foi mesmo perpetrado pelas FARC, que a guerrilheira Tanja, cognome "Alexandra" fora promovida à Frente Internacional das FARC e que havia um plano do Secretariado para assassinar o ex-presidente Álvaro Uribe. Mais coisas devem aparecerem seu devido tempo e, certamente, já estão fazendo tremer as bases dos governos da Venezuela, Equador e Brasil, pois todos têm rabo preso com os narco-terroristas das FARC.

Quando o presidente Santos esteve em visita ao Brasil, escrevi o artigo "Diplomacia rima com hipocrisia", onde alertava para o erro de interpretação do mandatário colombiano ao acreditar que Lula havia condenado as FARC. Com a morte de Jojoy e o silêncio constrangedor do governo brasileiroperante um dos mais importantes acontecimentos da história da Colômbia, fica confirmado que a condenação era mesmo em relação ao "terrorismo de Estado" - como é classificado pelo Foro de São Paulo - e não às ações saneadoras realizadas pelas Forças Militares e Policiais da Colômbia.

Por questão de espaço não posso me alongar muito mais. Entretanto, lembro que a justiça brasileira, controlada pelo Partido-Estado, sempre encontra filigranas jurídicas para proteger bandidos das FARC em nosso território nacional, como ficou claro nos casos de "Oliverio Medina" (por ser casado com uma brasileira, apadrinhada por Dilma Rousseff no Ministério da Pesca) e de "Tatareto", preso em maio deste ano em Manaus, e que não pode ser extraditado por ter que cumprir pena no Brasil por haver .cometido crimes em território nacional..

Por isso, morte de Jojoy será chorada em segredo de alcova.

* É jornalista independente, estudiosa do Foro de São Paulo e do regime castrocomunista e de seus avanços na América Latina, especialmente em Cuba, Venezuela, Argentina e Brasil. É articulista, revisora e tradutora do Mídia Sem Máscara e proprietária do blog Notalatina.

Nota: A nossa articulista Graça Salgueiro concedeu entrevista a Don Fernando Londoño em seu programa La Hora de la Verdade da Radio Super de Bogotá, em 12.10.10, sobre as eleições brasileiras e o passado de Dilma Rousseff.

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