A Venezuela clama no deserto

*Graça Salgueiro
Desde o dia 12 de fevereiro os estudantes venezuelanos estão nas ruas de todo o
país protestando por mais segurança, pela deposição do ilegítimo e usurpador
presidente Nicolas Maduro mas, sobretudo, pela expulsão das hordas cubanas
que invadiram a Venezuela sob o comando do falecido Hugo Chávez e agora
fortalecidos por Maduro.
Desde o dia 12 de fevereiro os estudantes venezuelanos estão nas ruas de todo opaís protestando por mais segurança, pela deposição do ilegítimo e usurpadorpresidente Nicolas Maduro mas, sobretudo, pela expulsão das hordas cubanasque invadiram a Venezuela sob o comando do falecido Hugo Chávez e agorafortalecidos por Maduro
É necessário, antes de tudo, que se faça uma distinção entre os manifestantes e protestos na Venezuela e os que saíram às ruas no Brasil. Lá, os estudantes comprovadamente estudam nas universidades e sofrem com a violência dentro dos campus, onde bandos armados invadem o recinto para roubar, agredir e provocar desordens. Outro fator determinante dessas manifestações que só pretendem acabar quando os objetivos forem alcançados, é que participam junto aos estudantes, professores, profissionais liberais, empresários, comerciantes, políticos, jornalistas, gente do povo, sem distinção de classe
social, credo ou idade. O mais marcante dessa resistência, e que contrasta flagrantemente com o que se vê no Brasil, é que não há depredação do patrimônio público ou privado e os manifestantes não possuem qualquer tipo de arma. Suas armas são a bandeira nacional, cartazes e sua voz.
Também há uma unidade no movimento que não possui cor ideológica, pois todos sofrem com os mesmos problemas de desemprego, criminalidade, desabastecimento das coisas mais básicas à sobrevivência, e a falta de liberdade, em todos os níveis. A imprensa foi silenciada retirando-se os sinais de transmissão de estações de televisão, nacional e estrangeira, sites foram tirados da internet, rádios silenciadas e os jornais não conseguem comprar papel para imprimir seus periódicos.
Até o dia 25 de fevereiro o saldo de mortos já alcançava 15 pessoas, 12 das quais baleadas na cabeça pela Guarda Nacional (GN), pelos “coletivos” chavistas ou pelo SEBIN, o serviço de informações do governo que na verdade é sua polícia política. O governo tem a desfaçatez de negar, malgrado os vídeos que circulam pela internet e redes sociais.
Em cadeia nacional Maduro acusa opositores de serem os causadores dessas mortes e o primeiro preso-político foi Leopoldo López, que vem sendo rotulado de “nazi-fascista de extrema-direita” pelo governo. No sábado 22
gente da Guarda Nacional, repleta de cubanos, deslocou-se à residência do General do Exército (reserva) Ángel Vivas para prendê-lo por “incitação ao crime”, depois dele ter publicado em redes sociais orientação à resist
ência sobre auto-defesa. Não tinham mandado judicial e o general resistiu postando-se no telhado de sua casa, armado com uma metralhadora, sendo defendido também pela população que expulsou a GN do local. O General Antonio Rivera também do Exército (reserva) tem ordem de captura e deixou o país pois foi ameaçado de morte, porque, do mesmo modo que Vivas, denunciou publicamente a ingerência cubana dentro da Força
Armada Nacional. 
A crise parece insustentável pois, por uma lado a resistência arrisca diariamente sua vida - desarmada - contra um repressão cada vez mais sofisticada, considerando a presença de cubanos enviados desde Havana para manter o poder de Maduro a qualquer preço, sua galinha dos ovos de ouro. E tanto é assim, apesar da desinformação plantada na mídia de que os Castro estariam “abandonando Maduro”, que há poucos dias desembarcou
uma tropa de elite da polícia cubana, intitulada “Avispas Negras”, com a missão de se infiltrar com baixo perfil nas manifestações e, espalhados, assassinar os manifestantes. 

Por outro lado, dentro dos quartéis o descontentamento dos militares de todos os níveis hierárquicos contra a invasão cubana é patente. Ontem (25.02) foi publicado um comunicado oficial de 15 páginas que reúne a opinião de 590 oficiais, além de 1.500 membros da GN. Nesse comunicado, que foi enviado ao Diário Las Américas, eles dizem entre outras coisas: “Povo da Venezuela, estamos com vocês, pedimos perdão pelos maltratos recebidos pela Guarda Nacional e policiais, nós também queremos um país melhor”. De acordo com a fonte que forneceu o documento, a declaração representa o desagravo de 80% das Forças Armadas.
Enquanto isso, a presidente brasileira disse que o Brasil “não interfere nos assuntos internos de outros países”, mas acatou as notas de apoio ao governo golpista de Maduro através do Foro de São Paulo e seus braços UNASUL, MERCOSUL e CELAC. A OEA, por sua vez, lava as mãos como Pilatos enquanto os venezuelanos clamam desesperadamente que o Secretário Geral, José Miguel Insulza, faça valer a Carta Democrática Interamericana que exige, dentre outras coisas, o respeito às liberdades individuais, a democracia, a liberdade de expressão e o respeito aos direitos e dignidade da pessoa humana. 
A congressista republicana cubano-americana Ileana Ros Lehtinen exigiu do presidente Obama que imponha restrições ao governo da Venezuela, tais como a diminuição da compra de petróleo e a expulsão dos diplomatas creditados nos Estados Unidos, uma vez que Maduro fez isto não só com 3 diplomatas, como a expulsão e vexames sofridos pela jornalista da CNN em Espanhol, Patricia Janiot, que foi detida no Aeroporto de Maiquetía e até seus sapatos tiveram os saltos cortados para “ver se havia droga escondida”.
Enfim, a Venezuela grita por socorro, luta por sua liberdade e o fim do jugo castro-comunista a que está subordinada, e os países que vivem em democracia fecham os olhos e viram para o outro lado como se não tivessem nada a ver com isso, enquanto continuam reverenciando os assassinos ditadores Castro. Que o Brasil fique alerta porque, com a entrada oficialmente de 13.000 cubanos no país, o destino nos reserva igual sorte que a da Venezuela.
* É jornalista independente, estudiosa do Foro de São Paulo e do regime castro-comunista e de seus avanços na
América Latina, especialmente em Cuba, Venezuela, Argentina e Brasil. É articulista, revisora e tradutora do Mídia
Sem Máscara e proprietária do blog Notalatina
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