Santos, FHC e a paz das FARC

*Graça Salgueiro

 

A paz que as FARC desejam é nada menos do que assumir o poder na Colômbia, destruindo o atual estado democrático. As exigências absurdas para selar a paz, apoiadas por ex-presidentes socialistas, inclusive o brasileiro FHC, incluem a puniçãodos culpados., para eles, as forças militares que, constitucionalmente, os combateram.

No princípio do mês de julho o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, reuniu durante três dias em Cartagena de Índias os ex-presidentes Bill Clinton, Felipe González, Ricardo Lagos, Tony Blair e Fernando Henrique Cardoso (FHC), para o que ele chamou de Terceira Via. Oobjetivo, na realidade, era buscar apoio para seu projeto utópico e criminoso de selar a paz entre governo e FARC. Tudo às custas do contribuinte.

FHC escreveu, então, um artigo que foi publicado no site do PSDB, cumprindo com o acordado no encontro de propagandear, perante o mundo, que Santos é o.presidente da paz. e os que têm-se mostrado contra esta aberração porque prima pela impunidade, sãoinimigos da paz.

O artigo de FHC é tão falacioso que seria necessário muitas laudas para refutá-lo, por isso, vou salientar apenas os pontos mais relevantes. Ele diz que nas mesas de negociações três dos cinco pontos da agenda já foram acordados e cita como exemplo a reparação das vítimas e a forma de punição dos culpados. FHC não observa (ou não lhe foi informado) que, nestes.acordos., ditados pelas FARC, as vítimas.  são os terroristas, elas.acossadas pelo Estado., e não as que eles assassinaram em emboscadas, seqüestradas,  por minas terrestres, atos terroristas e bombas. E porpunição dos culpados., as FARC entendem que devem ser as Forças Militares (as três Armas mais Polícia), cujas instituições devem ser extintas ao término das negociações, além de enviar para os cárceres todos os militares e policiais que estiveram em atividade. Para tal, as FARC já controlam a Justiça que puseram atrás das grades mais de 8.000 militares de todas as patentes.

 

Continuando, ele se refere à questão do direitos das vítimas. afirmando que é difícil individualizar responsabilidades e punições em toda a longa série de crimes cometidos. Ora, somente um lado das partes em negociação cometeu - ao longo de 50 anos e continua até o dia de hoje - cometendo crimes sangrentos e de lesa-humanidade! As forças de segurança cumpriram com o seu dever constitucional de reagir aos ataques para defender a população e o país, sendo elas mesmas uma das maiores vítimas do conflito.

 

Segundo o Centro de Seguridad y Democracia da Universidade Sergio Arboleda, entre 2010 e 2013 as retenções ilegais se incrementaram em 69%, os atentados à infra-estrutura 283%, os seqüestros 7% e a extorsão cresceu 258%. Atualmente o orçamento anual das FARC é de US$ 3,6 bilhões, sendo a maior parte oriunda do narcotráfico, mas também de impostos cobrados de outros narcos, por alugar suas pistas clandestinas, por comercializar droga em nível local, por seqüestros e abigeato. Segundo o DEA, as FARC controlam hoje 60% do mercado mundial de cocaína sendo o Brasil seu segundo maior sócio, possuem 9.500 guerrilheiros e 89 redes de apoio com 1.102 milicianos.

 

Diante dos números expostos, é razoável se crer que as FARC vão, em nome de uma paz que eles nunca desejaram, abrir mão de tudo isso? Em entrevistas dadas desde Havana os cabeças negociadores já deixaram claro que não vão entregar as armas e que o que desejam mesmo é o poder. Os colombianos abominam essa idéia porque não seria a paz que todos desejam mas a rendição total do país ao narco-comunismo de terroristas com total impunidade, ditado desde Havana pelos ditadores Castro.

 

FHC, que durante seus governos foi o maior incentivador do MST, vê com bons olhos que outros terroristas destruam a democracia da Colômbia, e encerra seu longo artigo dizendo que a iniciativa de Santosmerece todo o nosso apoio.

 

Mais uma vez, o Brasil figura no cenário internacional nos enchendo de vergonha e asco.

 

* É jornalista independente, estudiosa do Foro de São Paulo e do regime castro-comunista e de seus avanços na América Latina, especialmente em Cuba, Venezuela, Argentina e Brasil. É articulista, revisora e tradutora do Mídia Sem Máscara e proprietária do blog Notalatina.

 

 

 

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