O Foro de São Paulo continua dando as cartas

Graça Salgueiro

O Foro de São Paulo (FSP) segue seu curso impávido, interferindo nas decisões políticas da Venezuela e Colômbia, ao mesmo tempo em que se queixa da "intervenção" do "império" e países a este aliados. E nada se diz na imprensa nacional

 Enquanto no Brasil as atenções estão voltadas para os escândalos de corrupção e quanto Temer teve que desembolsar do erário para comprar consciências e votos de parlamentares, o Foro de São Paulo (FSP) segue seu curso impávido, interferindo nas decisões políticas da Venezuela e Colômbia, ao mesmo tempo em que se queixa da “intervenção” do “império” e países a este aliado. E nada se diz na imprensa nacional.

Valendo-se do desinteresse dos brasileiros ao que acontece nos países vizinhos, Gleisi Hoffmann, presidente do PT, e Monica Valente, secretária e Relações Internacionais do PT e do FSP, emitiram uma nota conjunta onde saúdam a vitória do PSUV nas eleições para governador no último 15 de outubro, e registram, sem se dar conta, sua vocação ditatorial de se perpetuar indefinidamente no poder, quando dizem com gáudio "...“…em dezoito anos de governos liderados pelo PSUV"” [1].

Como das inúmeras vezes anteriores, a fraude foi a estrela mais reluzente uma vez que, um país que passa por um dos piores momentos de sua História pela fome, miséria, assassinatos a soldo do Governo impunes, centenas de presos-políticos e massiva saída do país, é estarrecedor que de 23 estados, 18 dos governadores eleitos pertençam ao partido governista. O povo já havia rechaçado rotundamente a Assembléia Nacional Constituinte, instalada de forma ilegal e inconstitucional, mas o ditador Nicolás Maduro O FORO DE SÃO PAULO CONTINUA DANDO AS CARTAS a impôs à revelia, apesar das condenações e não reconhecimento de países como Estados Unidos, Canadá, União Européia, OEA e quase toda a América do Sul, obtendo o apoio apenas de seus aliados do FSP em Resolução aprovada no XXIII Encontro ocorrido em julho, em Manágua [2]. Ninguém vê nada de esquizofrênico nisso e ainda há os que aplaudem chamando essa aberração de “"democracia"”.
 
Enquanto isso, na Colômbia, o pacto Santos-FARC-FSP continua de vento em popa. Lá, o povo soberano também rechaçou rotundamente o famigerado "“acordo de paz"” através de um referendo em 2 de outubro de 2016, cujo resultado foi solenemente ignorado pelo governo, e agora apresenta sua jóia da coroa: um engendro chamado “"Justiça Especial de Paz”" (JEP) que fere tudo o que se conhece de Direito e Tratados internacionais, criada unicamente para beneficiar os narco-terroristas das FARC e condenar militares honrados, acusados através de falsos testemunhos e testemunhas falsas, de delitos que jamais cometeram. 
 
 
É o caso do Coronel Hernán Mejía Gutiérrez, reconhecido comandante e herói do Exército Colombiano no período do expresidente Álvaro Uribe e também no combate ao holocausto do Palácio da Justiça, acusado por testemunhas falsas de ter “"nexos" ” com para-militares, e agora vítima de perseguição judicial. O Coronel Mejía havia sido condenado a 19 anos de prisão mas decidiu apresentar uma carta à JEP afirmando que acolheria esse sistema, o que lhe garantiria a prisão domiciliar. No dia 5 de outubro a JEP indicou que ele cumpria com os requisitos estabelecidos na Lei 1820 de 2016, mas uma juíza da Quarta Sala Penal revogou a medida e o encaminhou ao centro penitenciário La Picota, apesar dele estar gravemente enfermo.
 
Já é de conhecimento público que a testemunha-chave contra o Coronel Mejía foi Edwin Manuel Guzmán, um sargento que foi detido em Valledupar, quando o coronel descobriu que ele vendia armas e munições às FARC e aos para-militares. Num claro ato de vingança, esse sargento fez a falsa denúncia de que era o Coronel Mejía, e não ele, quem tinha "“negócios" ” com notórios para-militares, que foi prontamente acolhida como verdade bíblica, ganhando a liberdade e ainda o status de “"testemunha protegida”". Três anos depois, outros dois prisioneiros, em busca dos mesmos benefícios, confirmaram o falso testemunho dado pelo sargento.
 
Os colombianos estão organizando outro referendo para os próximos dias rechaçando e exigindo o fim da JEP, para que terroristas não sejam anistiados - como já está em vigor - e pessoas de bem e heróis nacionais não apodreçam nas prisões por crimes que nunca cometeram. Se depender de Santos-FARC, a vendeta vai prosseguir até que eles tomem definitivamente o poder, pois esse é o sonho do FSP desde sempre. E eles não dormem nunca.
 
Notas:
[1] http://forodesaopaulo.org/venezuela-mais-uma-vez-exemplo-de-democracia-e-participacao-cidada/
[2] http://forodesaopaulo.org/resolucion-en-solidaridad-a-la-revolucion-bolivariana-y-la-asamblea-constituyente/
 
É jornalista independente, estudiosa do Foro de São Paulo e do regime castro-comunista e
de seus avanços na América Latina, especialmente em Cuba, Venezuela, Argentina e Brasil.
É articulista, revisora e tradutora do Mídia Sem Máscara e proprietária do blog Notalatina.

 

 

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