Nem tanto a terra, nem tanto ao mar

*Graça Salgueiro

O Foro de São Paulo sofreu alguns revezes, alguns bem contundentes, mas não devemos nos iludir acreditando que isso será o fim da organização. Eles são matreiros e conseguem, através de compra de consciências, subornos e enganos, ressurgir das cinzas quando menos se espera.

A prisão do ex-presidente Lula no último 7 de abril, embora eivada de irregularidades por parte do réu que pôs a Justiça a seus pés e se entregou quando bem quis, foi motivo de alegria para a maioria dos brasileiros de bem que comemoraram com rojões, panelaços e palavras de ordem à sua chegada à Curitiba. Entretanto, a mídia insiste em apresentar umas pesquisas de opinião realizadas sabe-se lá onde e com qual público-alvo, onde o petista é apontado como favorito na corrida eleitoral para a Presidência da República.

Por duas vezes Lula realizou "caravanas" pelo Brasil e em todos os lugares por onde passou, de norte a sul do país, foi rechaçado, vaiado, posto para correr e até impedido de entrar em determinados lugares. Entretanto, e apesar do que todos veem, ele continua sendo o favorito para governar o Brasil mais uma vez. Michel Temer, ao contrário (e que fique claro que não votei nele!), é rotulado como o pior presidente que já tivemos, com a aprovação de apenas 7% da população, entretanto, circula pelo país sem qualquer tipo de atropelo. E essa mesma imprensa que o condena não cansa de anunciar que os índices econômicos estão melhorando e o nível de confiança externa no país aumentou. Leitura esquizofrênica, essa!

Na Colômbia, no dia 6 de abril a DEA,emconjunto com a Promotoria Geral, realizou a captura e detenção de "Jesús Santrich", um dos cabeças das FARC, agraciado com o cargo de senador sem ter passado pelo escrutínio das urnas, sob a acusação de ter realizado negócios com o chefão do Cartel de Sinaloa, do México. Na acusação fica provado, através de áudios, vídeos e documentos, que Santrich vendeu 10 toneladas de cocaína por 15 mil dólares. Tal como nas acusações contra Lula, asFARCsaíram de imediato a dizer que era "perseguição política" dos que não aceitam os acordos do "processo de paz" e "exigem" a libertação do velho terrorista que se faz passar por cego.

No último dia 16 de abril, Daniel Ortega, ditador da Nicarágua, resolveu alterar os valores das contribuições previdenciárias e emitiu um decreto, à revelia do parlamento e de todos os setores da sociedade que seriam afetados, onde propunha um aumento desproporcional para cobrir os "rombos" causados por ele mesmo e seus apaniguados. O resultado disso é que o povo não aceitou e foi às ruas protestar pacificamente "armados" de cartazes. Numa reação desproporcional, e digna das que ocorreram na Venezuela sobretudo na gestão Maduro, as milícias sandinistas e a polícia antimotim atacaram os manifestantes (sobretudo jovens universitários) com arma de fogo, deixando até hoje (26/04) um saldo de 34 mortos, 428 feridos e mais de 100 detidos e 50 policiais presos por se recusar a atacar pessoas indefesas. Depois disso, 15 jornalistas que trabalhavam nos órgãos oficiais pediram demissão.

Ortega recuou e anulou o decreto, e agora diz que quer abrir uma "mesa de negociações" com Conferência Episcopal e o empresariado. Nada disso porém fez cessar as manifestações, pois o povo não reclama apenas do aumento nas contribuições mas querem que Ortega e sua mulher Rosario Morillo, que é a vicepresidente, renunciem ou sejam apeados do poder, acusando-o de fraude nas eleições de 2016 e de querer se perpetuar no poder.

Em 19 de abril o Conselho de Estado do Partido Comunista Cubano realizou "eleições" presidenciais e o delfim de Raúl Castro, que já fazia o papel de vicepresidente, foi aclamado por unanimidade (603 dos 604 votos; ele não votou em si próprio) como o novo "presidente" da Ilha-Cárcere. Miguel Díaz-Canel, tido pela imprensa como "democrata" por gostar dos Beatles e Rolling Stones, continuará representando um papel, agora de bobo, pois nada mudou ou mudará no regime autoritário ditatorial da ilha, cujo comando continuará a cargo de Raúl como chefe dos ministros de Estado e das Força Armadas, de seu filho Alejandro Castro Espín nos serviços de Inteligência e espionagem, e de um monte de octogenários remanescentes da tomada do poder há 60 anos.

No domingo 22 de abril o Paraguai elegeu Mario Abdo Benítez, um empresário conservador e católico do Partido Colorado, como seu novo Presidente, derrotando o candidato do Foro de São Paulo, da Alianza Ganar, Efraín Alegre que não satisfeito disse que teve uma "vitória moral".

Como pudemos observar através dessa cronologia, o Foro de São Paulo sofreu alguns revezes, alguns bem contundentes, mas não devemos nos iludir acreditando que isso será o fim da organização. Eles são matreiros e conseguem, através de compra de consciências, subornos e enganos, ressurgir das cinzas quando menos se espera. Ganhamos algumas batalhas mas a guerra está longe de acabar. Enquanto houver juízes no STF que mais parecem advogar para o réu petista, enquanto o mundo civilizado não entender que enviar dinheiro para ajudar o "processo de paz" das FARC só vai fortalecer e financiar o movimento terrorista e assassino, e enquanto não se rechaçar enérgica e absolutamente os crimes de lesa-humanidade cometidos em Cuba e Venezuela, só alcançaremos vitórias de Pirro e muito sangue inocente continuará correndo por estes solos latino-americanos.

* É jornalista independente, estudiosa do Foro de São Paulo e do regime castro-comunista e de seus avanços na América Latina, especialmente em Cuba, Venezuela, Argentina e Brasil. É articulista, revisora e tradutora do Mídia Sem Máscara e proprietária do blog Notalatina.

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