Ex-Comandante Critica a Invasão de ONG´s na Amazônia

*Roldão Arruda


Diante de quase 700 pessoas, reuni das no Clube Esperia, em São Paulo, o general da reserva Luiz Gonzaga Lessa, ex-comandante militar da Amazônia, disse ontem que aumentam a cada ano as pressões pela internacionalização da Amazônia e alertou que a “invasão branca” da região já começou, por meio das ações de organizações não-governamentais (ONGs).

Ele afirmou que as terras indígenas na fronteira norte do País constituem a ponta de lança para que a região seja desmembrada do País, ou, conforme sua expressão, “são o germe da secessão”. E explicou: “Hoje elas pertencem ao Estado brasileiro, mas há uma trama internacional para que se tornem nações indígenas e depois deixem de ser propriedade do Estado”.


O general concluiu dizendo, em referência aos vazios demográficos da Amazônia, que “a marcha para o Oeste e o Norte é o desafio da nova geração”.Foi aplaudido em pé. O encontro foi organizado pelo Fórum Permanente em Defesa do Empreendedor, que abriga quase cem entidades, como Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomércio), Federação das Indústrias (Fiesp) e Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).


A Proposta inicial era um debate em torno do tema A Realidade da Amazônia – Soberania Ameaçada, Farsa ou Realidade?. Desde os primeiros instantes, porém o encontro caracterizou-se como uma espécie de ato em defesa da soberania e contra a demarcação da terra indígena em Roraima, que está sendo analisada no Supremo Tribunal Federal (STF).


O próprio apresentador da cerimônia observou, na abertura, após a execução do Hino Nacional: “Mais do que um painel, nosso encontro está se convertendo num ato de civismo”. Também falaram durante o encontro o deputado Aldo Rebelo (PC do B), o professor de filosofia da UFRGS, Denis Lerrer Rosenfield e o índio macuxi Jonas de Souza Marcolino. Os três chamaram a atenção para a questão da soberania.


Marcolino, que é formado em pedagogia e vive na Raposa Serra do Sol, se opõe à demarcação em terra contínua com o afastamento dos não-indígenas.Ele acusou as ONGs internacionais de “usar os índios como massa de manobra, colocando-os contra os brasileiros, destruindo os valores patrióticos”.


Na platéia encontrava-se o prefeito de Pacaraima, João Paulo César Quartiero. Dono de fazendas de arroz no interior da área reivindicada pelos índios, ele organizou em abril um movimento de resistência á ação da Polícia Federal na região. Apresentado como “brasileiro que sofreu os efeitos da intolerância e dos interesses escusos”, o arrozeiro teve direito à palavra e foi aplaudido.

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