Quem se lembrará de ti, Tenente Sampaio?

*Luiz Osório Marinho Silva

 

Há setenta e quatro anos, em novembro de 1935, aqui em Recife, no interior de um quartel próximo ao Parque 13 de Maio, foi assassinado, de maneira covarde e traiçoeira, o 1º Tenente do Exército José SAMPAIO Xavier.

Em Natal, Recife e Rio de Janeiro, um levante comunista tentou implantar em nosso país o mais cruel regime da história da humanidade. Outros militares, também apanhados de surpresa e alguns até dormindo, foram assassinados por então companheiros de farda, obcecados pela ideologia marxista e pela sede de poder. Os conspiradores da Intentona Comunista foram derrotados e presos. Um deles, o traidor e ex-sargento GREGÓRIO BEZERRA, foi o assassino do jovem Tenente Sampaio.

Em Recife, no cemitério de Santo Amaro, resta um túmulo onde estão enterrados os que morreram em defesa da Pátria. Os seus nomes já não são lembrados pelo povo brasileiro e os atuais donos do poder desejam apagá-los da nossa História. Mas, as suas mortes não foram em vão. Os verdadeiros heróis de 1935 ainda inspiram o soldado brasileiro na eterna vigilância em defesa dos princípios cristãos e democráticos da Pátria Brasileira.

Na distorção dos fatos históricos e inversão dos verdadeiros valores, mais uma vez, governistas de plantão e aproveitadores de toda a natureza tentam transformar traidores em heróis e covardes em valentes. Com o dinheiro dos impostos, sob o patrocínio da Petrobras, Governo de Pernambuco, Prefeitura do Recife, BNDES e COPERGÁS (Companhia Pernambucana de Gás), está sendo rodado em Pernambuco o filme “História de um Valente, feito de ferro e de flor” que, de forma ficcional, contará a história do “líder comunista” Gregório Bezerra, no período de 1957 a 1964, quando foi novamente preso e “torturado” nas ruas do bairro de Casa Forte. Aliás, esse será o principal momento da trama, o de maior apelo emocional. Por que a história desse “valente” não é contada desde 1935?

O filme tem locações até mesmo no interior do Palácio do Campo das Princesas, sede do Governo de Pernambuco. O orçamento, conforme consta no site de divulgação, é de cerca de R$ 3,5 milhões. As filmagens começaram em setembro e atualmente apresentam alguma dificuldade para a continuação. Deve ser a necessidade de mais recursos, pois nesse tipo de obra os orçamentos previstos são sempre insuficientes e, como todos sabem, os patrocinadores “públicos” estão dispostos a dar um pouco mais, em nome da “verdade histórica”.

O título do filme é o mesmo do poema de Ferreira Gullar, do qual cito um trecho:

Mas existe nesta terra / muito homem de valor / que é bravo sem matar gente / mas não teme matador, / que gosta de sua gente / e que luta a seu favor, / como Gregório Bezerra, / feito de ferro e de flor.”

E quem falará de ti, Tenente Sampaio? Quem te dedicará um filme? Quem te fará um poema? Quem te homenageará no 74º aniversário de tua morte? Partiste muito cedo, quase um menino, com os teus sonhos e esperanças. Mas, deixaste um país livre da nefasta ideologia. O teu algoz viveu até os 83 anos, morrendo de “morte morrida”, sem se arrepender do teu sangue derramado.

Recife/PE (27/11)

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