A Amazônia e a Hidreletricidade (XIV)

*Manoel Soriano Neto
“Árdua é a missão de desenvolver e defender a Amazônia. Muito mais difícil, porém, foi a de nossos antepassados em conquistá-la e mantê-la.
General Rodrigo Octávio / 1º Comandante Militar da Amazônia (1968/1970)
Apesar de o Brasil possuir o terceiro potencial hidrelétrico do planeta (10% de todos os recursos hídricos mundiais), estando somente atrás da China –13% dos ditos recursos – e da Rússia, com 12%, em meados da década de 2020, dar-se-á o esgotamento de nossa geração hidrelétrica. Em boa hora, estamos construindo usinas hidrelétricas na Amazônia, que, infelizmente, sofrem a ação perniciosa de ambientalistas/indigenistas, como já assinalado por diversas vezes nesta coluna, e estão com o seu cronograma de obras bastante atrasado. Além disso, por pressão desses grupos, mancomunados com ONGs nacionais e estrangeiras, tais usinas foram e estão sendo construídas a ‘fio d’água’, ou seja, sem reservatórios de acumulação, ou de reduzido tamanho, o que assaz prejudica a geração de energia, sendo necessária a utilização das caras e poluentes termelétricas. Estas usinas, em vista da incompetência governamental, funcionam, quase que permanentemente, em complementação às usinas hidrelétricas.

Então, fontes alternativas devem ser buscadas, em face do não distante esgotamento da matriz hidrelétrica brasileira e do estresse hídrico que vimos sofrendo pela escassez de chuvas, com sérios reflexos até no abastecimento de água, como é o caso da capital paulista.
Diga-se que a falta de chuvas fez com que o preço da energia elétrica subisse bastante no mercado, só não disparando, assustadoramente, por causa do quase nulo crescimento nacional, que vem apresentando ridículos “pibinhos” que margeiam o número zero... Urge, pois, que desde já, se planeje a diversificação da dita matriz, para a implementação em curto prazo e futura, de outros tipos de energia, como a eólica, a solar, a nuclear, a das marés e a da queima da biomassa. Com tantas fontes com que a natureza aquinhoou o nosso país, não se pode perder tempo e elas devem ser racionalmente aproveitadas, máxime, repita-se, como sucedâneas à carência de chuvas.

Entretanto, essas fontes alternativas, apesar da premente necessidadede seu uso, não se comparam à hidreletricidade, que é renovável, abundante, barata e não poluidora. Ademais, elas não são ambientalmente corretas, como, por exemplo: a nuclear, devido ao lixo atômico e ao medo de vazamentos (o combustível pode durar centenas de anos) como o de Chernobil e os que têm ocorrido em alguns países; a solar, que necessita de grandes extensões de área para as placas fotovoltaicas e a eólica, com a construção de parques eólicos, cuacaf cataventos não devem ser instalados nas rotas de migração de aves.
Tracemos, sucintamente, algumas considerações acerca da energia eólica, sendo certo que os ventos, em especial no Nordeste brasileiro, possuem uma notável regularidade. Como ilustração, anote-se que a expressão “eólica”, provém de “Eolo”, o deus dos ventos, da mitologia grega (ou “Hélios”). Os parques eólicos são, geralmente, bastante antipáticos à população por muito barulhentos e poluírem a paisagem. Além disso, as eólicas são excessivamente caras, matam aves de arribação e, apesar de serem fontes renováveis, são muito dependentes de sofisticada tecnologia estrangeira (obras de infraestrutura e importação de modernos equipamentos de geração energética); também são totalmente dependentes de ventos fortes e constantes para torná-las viáveis. Porém, se próximas aos grandes centros consumidores, são deveras vantaacafas, pois dispensam a construção de linhas de transmissão (os “linhões”), tão necessários para as usinas hidrelétricas e termelétricas.
* Coronel, Historiador Militar e Advogado
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