A Amazônia e a Hidreletricidade (XXXII)

*Manoel Soriano Neto

“Árdua é a missão de desenvolver e defender a
Amazônia. Muito mais difícil, porém, foi a de nossos
antepassados em conquistá-la e mantê-la.”

General Rodrigo Octávio / 1º Comandante Militar da Amazônia (1968/1970)

Sem a concessão do licenciamento ambiental pelo Ibama, as obras de construção da Usina Hidrelétrica de São Luiz do Tapajós (PA) foram abandonadas. Tal licença representa cerca de 20% do preço total do empreendimento,em face, principalmente, dos gastos sócio-ambientais. Este seria o maior projeto hídro-energético do País para os próximos dez anos e concluiria todo o aproveitamento de energia gerada pelas usinas hidrelétricas já concluídas ou em fase de conclusão nos rios amazônicos.

Por oportuno, repetimos o que disse, em artigo publicado neste jornal, o coronel Gélio Fregapani, um dos mais gigantes estudiosos da Amazônia, a respeito do impatriótico Instituto, linhas atrás mencionado: “O Ibama, tal como a Funai, é um órgão incentivado do estrangeiro para prejudicar o desenvolvimento do nosso País”. Assim, o Brasil, por viezes ideológicos e/ou mesquinhos caprichos de instituições estatais, quando retomar o crescimento, eis que foi economicamente destroçado pelos desgovernos petistas, ficará privado do imenso potencial hidrelétrico do rio Tapajós.

Destarte, iremos gastar muito mais, pois teremos de suprir a energia demandada, pelo uso prioritário da termeletricidade - cara e poluidora(aliás,como já vem se fazendo por causa das estiagens que ocasionam o rebaixamento do nível dos lagos/reservatórios das usinas hidrelétricas). E é interessante observar-se uma terrível ironia:sem o completo funcionamento das hidrelétricas previstas, que produzem energia limpa, barata, renovável e de alta disponibilidade, os radicais e incoerentes ambientalistas/indigenistas terão de conviver, obrigatoriamente, com a construção de novas e poluentes usinas térmicas,ao tempo em que apregoam, freneticamente, o fiel cumprimento do Acordo de Paris, assinado em 2015, pelo Brasil...

A propósito, saliente-se que ainda não dispomos, em nível de escala, de energias alternativas como as eólica, solar, da biomassa,etc. Sectários ativistas fazem uso, entre outros argumentos, da metáfora da ‘economia verde’, expressão-talismã, por eles usada amiúde,comvistas a uma urgente ‘descarbonização’ do nosso planeta. Tal ‘descarbonização’, no contexto da chamada ‘bioeconomia sustentável’, tem por escopo a produção de bens e serviços, livre dos combustíveis fósseis, como o carbono, o petróleo e o gás natural, além do gás metano, produzido, v.g., pelos lixões das cidades, e do desmatamento (que voltou a crescer) da floresta amazônica, que tanto contribuem para o efeito estufa.

Diga-se, outrossim, que pelo mau dimensionamento da procura energética em nosso País, existem usinas termelétricas ociosas, como as de Cuiabá (MT), Uruguaiana (RS) e Araucária (PR), que não possuem contratos com o Operador Nacional do Sistema (ONS), as quais pretendem vender energia para a Argentina.

Assinale-se, ainda, que a Petrobras, a fim de fazer caixa, pois foi assolada pela corrupção lulopetista, está vendendo vários de seus ativos e se afastando de investimentos em petroquímica, fertilizantes e biocombustíveis, além de unificar em uma única empresa, as térmicas - produtoras de ‘energia suja’ - de que dispõe. Tudo isso muito reforça, evidentemente, as razões para o amplo aproveitamento dos recursos hídricos da incomensurável bacia potamográfica de nossa cobiçada Amazônia, não se podendo excluir o grandioso rio Tapajós.

Por derradeiro, é bom lembrar que Lula, cinco vezes réu, declarou, talvez após uma de suas libações alcoólicas, que o tirano sanguinário Fidel Castro “foi o maior dos latino-americanos” ...

* Coronel, Historiador Militar e Advogado - Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

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