A Amazônia e a Hidreletricidade (XXXIV - Final)

*Manoel Soriano Neto

Encerramos com esta matéria, a série que vínhamos escrevendo. Procuramos abordar o assunto e outros afins, de forma a passar aos leitores uma ideia do incomensur ável potencial da bacia potamográfica amazônica, e, principalmente, dos problemas ocorridos e que ainda ocorrem, em decorrência das construções de usinas hidrelétricas nos rios tributários do Amazonas. 
 
O Brasil é um país privilegiado. Possuímos uma invejável matriz energética, em comparação ao restante do mundo. Cerca de 40% de nossa energia provêm de fontes renováveis – basicamente da hidreletricidade (energia limpa e barata) e do etanol; e por volta de 60%, de combustíveis fósseis.
 
Assim, precisamos preservar essa matriz, apesar da queda do preço do petróleo, da pressão de ativistas ambientalistas/ indigenistas e de governos impatrióticos. É preciso que logo se conclua o projeto estratégico de utilização energética dos tributários do rio Amazonas, que é para nós, brasileiros, uma dádiva de Deus. Este rio, anteriormente africano, correu para a América do Sul, após a divisão dos continentes, e desaguava no Oceano Pacífico. Entretanto, com a abrupta elevação da Cordilheira dos Andes, inverteu o seu curso e passou a desaguar no Atlântico. Ele nasce no Peru, inicialmente échamadode Solimões, e, quando recebe o rio Negro, se denomina de Amazonas – ‘O Rio-Mar’. É o mais volumoso e extenso (supera, como foi provado recentemente, os rios Nilo e Mississipi) curso d’água do planeta, como nos dá conta o prestigioso INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).
 
Os megaprojetos hidrelétricos da região estão em andamento, alguns já concluídos, como os das usinas de Belo Monte e Santo Antônio, a despeito das propinas pagas a políticos corruptos. Atualmente, está em estudo um projeto hidrelétrico binacional entre Brasil e Bolívia, de 3000 megawatts, em Guajará-Mirim (RO), no rio Madeira, com a previsão de uma hidrovia de 420 km navegáveis.
 
Lastimavelmente, as hidrelétricas da Amazônia foram construídas ‘a fio d’água’, com significativa redução dos reservatórios de acumulação de água (energia), sendo necessária a utilização de usinas termelétricas, caras e poluentes. Igualmente lastimável foi o abandono pelo governo, do projeto de construção da UHE de São Luiz do Tapajós (PA), por falta de licença do Ibama.
 
Outrossim, comentamos amiúde a necessidade de o Brasil diversificar a sua matriz de energia, com ‘novas fontes renováveis’, ditas ‘alternativas’, por meio de usinas eólicas, solares, da biomassa, etc. Aliás, tais usinas vêm crescendo nos últimos anos em nosso País. Entre 2005 e 2014, conforme informação do Balanço Energético Nacional (BEN), as energias alternativas aumentaram em 14,6%, ao passo que a hidrelétrica cresceu 10%, o que assaz contribui para o processo de ‘descarbonização’, com o qual o Brasil se comprometeu após a Conferência do Clima, realizadaemParis,em dezembro de 2015. 
 
As energias eólica e solar crescerão bastante nos próximos anos. Entretanto, são fontes intermitentes e dependem da natureza. Por isso, há estudos para ‘armazená-las’ por intermédio de sofisticadas baterias, que, infelizmente, são de altíssimo custo e importadas.
 
Por final, alertamos para o desarquivamento do lesa-pátria ‘Acordo de Alcântara’, com os EEUU, do início da década de 2000. Entre outros absurdos, ele previa a entrega de enorme área (um verdadeiro enclave!) do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA) àquele país, onde vigoraria o instituto da ‘soberania limitada’ ou ‘restrita’. Em Guarda! 
 
* Coronel, Historiador Militar e Advogado - Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.
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