Amazônia - O grande desafio (XVI)

*Manoel Soriano Neto

 

Árdua é a missão de desenvolver e defender a
Amazônia. Muito mais difícil, porém, foi a de nossos
antepassados em conquistá-la e mantê-la.
General Rodrigo Octávio / 1º Comandante Militar da Amazônia (1968/1970)

A Amazônia, nunca é demais lembrar, é a maior floresta tropical úmida do planeta. Ela possui, em seu ecossistema, a maior biodiversidade do mundo, prenhe de incomensuráveis riquezas naturais, além do potencial, máxime hidrelétrico, de sua bacia potamográ-fica, assaz utilizada pela navegação.

No artigo anterior, abordamos, sucintamente, algumas causas humanas responsáveis pelo desmatamento da floresta em pé (mui agravado em períodos eleitorais), apesar dos exageros quanto a isso, alardeados pelo aparato ambientalista/indigenista nacional e internacional.

A extração ilegal de madeiras nobres - de lei -; a constante expansão da fronteira agrícola, com a plantação desordenada (após criminosas queimadas), de espécies estranhas ao meio ambiente, como a soja, o milho e a cana de açúcar, com vistas ao agronegócio; a pecuária, em especial a criação de gado (que responde sozinha, por cerca de 15% da emissão total de gases, o que aumenta, substancialmente, o efeito estufa e interfere na poluição ambiental) e a garimpagem ilegal, são algumas das causas elencadas, dentre outras, para o processo chamado de desertificação ou savanização da região.

Comentaremos algo acerca do grave crime ambiental praticado pelos que se dedicam à garimpagem indevida de ouro; ela vem assoreando particularmente o rio Tapajós e seus tributários e está sendo combatida, tenazmente, pelos órgãos fiscalizadores da União, pela Polícia Federal, forças policiais, etc., e pelo Exército (por meio de seus dois Comandos Militares de Área). A região mais afetada é a de Itaituba, no sudoeste do Pará, onde se encontra a maior área de garimpo irregular do Brasil. Outrossim, os garimpos vêm afetando, danosamente, rios, como o Rato, o Crepori e o Jamanchim. Além do assoreamento, tal prática redunda em sérios prejuízos para a fauna, a flora, a navegação, o turismo e a balneabilidade de belas praias fluviais, cujas águas deixam de ser translúcidas (a cor do rio Tapajós está alterada por centenas de quilômetros e os sedimentos acumulados já chegam à área da região turística de Ater do Chão, onde se encontra o nosso maior aquífero), segundo autoridades locais. E ainda: o mercúrio e o cianeto levados pela correnteza dos rios trazem malefícios à saúde das populações ribeirinhas, sendo certo que as atividades se incrementaram, nos últimos tempos, em face de modernos equipamentos, como as escavadeiras, que provocam destruições maiores do que as de antigamente. Aduza-se que na bacia do Tapajós, mais de 90% dos garimpos não obedecem à legislação ambiental e agem, fraudulentamente, na lavagem de ouro clandestina, pelo que a produção é de baixo custo. O ouro é retirado e comprado por empresas que emitem notas fiscais falsas; e tal comércio vem se expandido em que pese o aumento da repressão...

Recentemente, o presidente eleito Jair Bolsonaro denunciou o projeto de criação de um imenso corredor ecológico o “Triplo A” (que vai dos Andes, passa por toda a Amazônia até ao Atlântico daí o nome). O idealizador desse lesivo plano é o norte-americano Martin Von Hildebrand, presidente da Fundação Gaia Amazonas, sediada na Colômbia, com o apoio do ex-presidente deste país, Juan Manuel Santos. Lembremonos de que em 1967, o Hudson Institute sugeriu a criação de sete lagos em nossa Amazônia, outra ameaça à soberania brasileira! É preciso, pois, permanecermos sempre de atalaia quanto à cobiça internacional sobre a mais rica das regiões brasileiras (no decorrer deste Estudo, abordaremos o assunto em detalhes).

* Coronel, Historiador Militar e Advogado Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

 

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