Amazônia - O grande desafio (XXI)

*Manoel Soriano Neto

Comentamos anteriormente, de modo suscinto, o que será o Sínodo Pan-Amazônico a ser realizado no Vaticano, em outubro próximo. Também abordamos, pela rama, a participação da Igreja Católica, por meio de sua corrente, dita ‘progressista’ (alguns falam em “Igreja Nova”), na preparação do dito Sínodo, eis que são assuntos conexos e umbilicalmente imbricados. Muito vem se escrevendo a respeito deste Encontro, mas nunca é demais acrescermos algumas considerações, mesmo que repetitivas: afinal, “a repetição é a base do aprendizado”.

Destarte, prosseguiremos na análise do tema, com um pouco mais de profundidade, frisando que o Sínodo será “um encontro global de bispos no Vaticano para discutir a realidade de índios, ribeirinhos, e demais povos da Amazônia, políticas de desenvolvimento dos governos da região, mudanças climáticas e conflitos de terra”. E mais, - dê-se ênfase! – “discutir-se a evangelização dos povos amazônicos”, vale dizer, com quase certeza, a implantação de uma “nova catequese”, bem ao gosto da ‘esquerda clerical’ (antiga expressão, hoje fora de moda)...

Nos dias atuais, em nosso País, existe uma clara dicotomia na Igreja Católica, tornada evidente na recente eleição da CNBB, como assinalamos em nossa última matéria. Os ditos ‘progressistas’ defendem teses brandidas pelas esquerdas, em consonância, alegam, com diretrizes do Papa Francisco, “Pontífice que deseja o clero bem mais próximo dos pobres e de seus problemas”. Os ‘conservadores’, mais ligados ao saudoso Papa João Paulo II e a Bento XVI, priorizam o resgate dos tradicionais valores cristãos e são francamente contrários à ‘Teologia da Libertação’. Esta Teologia (desde as Conferências do Episcopado da América Latina, de Medellin, em 1968, na Colômbia; e de Puebla, no México, em 1979) surgiu no seio da Igreja, apesar de sua condenação, após Puebla, pelo citado Papa João Paulo II, e que tem por lema, ‘a opção preferencial pelos pobres’...

Tal é a importância para o Vaticano, do Sínodo em comento, que foi enviado para um encontro preliminar - o ‘Sínodo da Amazônia’ -, ocorrido em março passado, em Manaus, o famoso monsenhor Marcelo Sanchez Sorondo, denodado defensor das causas ambientalistas, chanceler e presidente da Pontifícia Academia de Ciências (PAC) e da Academia de Ciências Sociais (PACS) - importantes órgãos doutrinários da Santa Sé.

Pode-se inferir, pois, que o Vaticano alinha-se com setores da Igreja, de matiz esquerdista, e com nações hegemônicas que almejam a internacionalização da Amazônia, o que poderá redundar em um desnecessário conflito do Brasil – uma das maiores nações católicas do mundo – com o Estado do Vaticano. A quem isso interessa?

Impende ainda destacar, que uma das entidades organizadoras do Sínodo PanAmazônico é a Fundação Amazonas Sustentável (FAS), uma ONG ambientalista, com sede em Manaus, presidida pelo engenheiro florestal Virgílio Viana, financiada por empresas privadas, como a Samsung e a Coca Cola, e pelo ‘Fundo Amazônia’, cujo maior doador - ‘mecenas’ - é o governo norueguês. Além do monsenhor Sorondo e de Viana, estão bastante envolvidos com a realização do Sínodo, Dom Cláudio Hummes, presidente da Comissão Episcopal para a Amazônia, da CNBB, e Martin Von Hildebrand, colombiano/estadunidense, presidente da Fundação Gaia Amazônia e idealizador do já amplamente comentado ‘Corredor Triplo A’.

Em recente entrevista a ‘O Estado de São Paulo’, o ministro general Heleno declarou que “a questão vai ser objeto de estudo cuidadoso pelo GSI”

* Coronel, Historiador Militar e Advogado
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