A Amazônia e a Hidreletricidade (I)

*Manoel Soriano Neto
 
“Árdua é a missão de desenvolver e defender a Amazônia. Muito mais difícil, porém, foi a de nossos antepassados em conquistá-la e mantê-la.”
General Rodrigo Octávio.

A Amazônia, felizmente, vem despertando o interesse nacional! Ela é al-vo de uma pertinaz cobiça, desde o século XVII, a qual se agudizou nos dias ho-diernos, em vista da progressiva escassez de recursos naturais e matérias primas nos países desenvolvidos. Ao Brasil, que detém cerca de 60% da Gran ou Pan-Amazônia, cumpre guardá-la, defendê-la e explorá-la, racionalmente, sem considerar a opinião de nacionais e estrangeiros que a desejam “preservá-la” co-mo um intocável museu, parque ecológico ou santuário natural do planeta. A floresta amazônica, por sua privilegiada posição geográfica, eis que cortada pela linha do Equador, com os seus incomensuráveis recursos hídricos, mi-neralógicos (minérios raros, estratégicos, de terceira geração) e biodiversidade (abrigando o maior banco genético do mundo e 30% de todas as espécies vivas), além de suas terras férteis e agricultáveis, não po-de ser “congelada”, como se uma estratégica e imensa reserva técnica/almoxa-rifado fosse, para usufruto, a médio e lon-go prazo, ou mesmo antes, de nações he-gemônicas que, por isso, pugnam por seu tombamento como “Patrimônio Comum da Humanidade”. Não podemos permitir que a transformem em gigantescos laboratórios de experimentação ou em “jardins botânicos ou zoológicos”, em nome de questões ambientais, indígenas, climáticas, etc.


Traçados esses prolegômenos, lem-bremo-nos de que sem Energia, não há vida. A trilogia da existência da vida é Ar, Água e Sol; e o Brasil, - “A Nação do Sol” e o “Império das Águas” -, possui, em superlativa abundância, tal trilogia. O nosso País detém cerca de 18% das reservas mundiais de água doce, sendo que 15% encontram-se na Amazônia. Acrescente-se, por ilustração, que a escassez de água poderá ser motivo para guerras futuras, como nos vem alertando o General Marco Antônio Felício da Silva, dedicado estudioso do assunto; os Estados Unidos já constroem, na Califórnia, grandes navios-tanques, transportadores de água. A bacia do rio Amazonas (o mais volumoso e, hoje, também o maior rio do planeta, segundo recentes estudos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais - INPE) possui, em terras brasileiras, aproximadamente 3,8 milhões de Km2 e abrange os estados do Acre, Amazonas, Rondônia, Roraima, Mato Grosso, Pará e Amapá. A bacia potamográfica amazônica é formada por inúmeros rios, muitos deles navegáveis por navios de qualquer calado. Ela forma um verdadeiro mar interior, um “mare clausum”, o “Mar Mediterrâneo Brasileiro”, que Gas-tão Cruls denominou de “Mare Nostrum Brasileiro”, um dos maiores tesouros com que a natureza nos prodigalizou.

Nesta imensa bacia, suspeita-se da ocorrência da prática criminosa da hidropirataria, por parte de navios estrangeiros dotados de sonares para a localização e captura de cardumes de peixes, em particular dos ornamentais, principalmente na foz do rio Amazonas, na divisa entre os estados do Amazonas e Amapá, além do furto de água doce a fim de que sejam estudados os seus nutrientes e fauna ictiológica. Denúncias a esse respeito foram amplamente debatidas na Câmara dos Deputados, no ano de 2010.


O Brasil, afortunadamente, pode dispor de variadas fontes energéticas como as hidráulica, petrolífera, eólica, solar, nuclear, do carvão, do etanol e da biomassa. Mas o sistema funciona à base da energia hidrelétrica (algo em torno de 80% da produção nacional), complementada por usinas termelétricas.

E a Amazônia é fundamental para o aumento de nossa matriz energética.

* Coronel, Historiador Militar e Advogado
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