A Amazônia e a Hidreletricidade (IV)

*Manoel Soriano Neto
“Árdua é a missão de desenvolver e defender a Amazônia. Muito mais difícil, porém, foi a de nossos antepassados em conquistá-la e mantê-la.”
“Árdua é a missão de desenvolver e defender a Amazônia. Muito mais difícil, porém, foi a de nossos antepassados em conquistá-la e mantê-la.”
As 30 hidrelétricas em construção ou a serem construídas na Amazônia, como já afirmado, não terão reservatórios (pois a construção das usinas é “a fio d’água”) para armazenagem hídrica, melhor dizendo, de energia; ou estes reservatórios serão mínimos, com as barragens acumulando muito pouca água. Isso redunda na subutilização de nosso fabuloso potencial hídrológico (o Brasil utiliza apenas 20% deste potencial), mormente na Amazônia. Portanto, nos tornamos, irreversivelmente, dependentes das caras e poluentes usinas termelétricas, sendo certo que estas já são responsáveis por 22% do consumo de luz do País, transformando-se não simplesmente em usinas complementares, mas, sim, em essenciais à matriz energética brasileira.
Desde 2007, o Brasil passou a obedecer a esta-pafúrdias exigências ambientais e não mais construiu usinas hidrelétricas com grandes reservatórios de regularização, perdendo a confortável margem de segurança que possuía no setor energético. Tais reservatórios, complemente-se por ilustração, são polivalentes e se prestam a mega-projetos de irrigação, a controle de enchentes, à construção de eclusas com vistas à navegação por hidrovias, etc.
Destarte, o nosso País vem diminuindo, consideravelmente, as suas reservas de água, imprescindíveis quando das estiagens prolongadas, tornando-se, repita-se, refém das poluidoras termelétricas, as quais se valem de combustíveis fósseis, emitindo, em desmesurada quantidade, nocivos gases de efeito estufa: assinale-se que elas são movidas a gás natural, óleo diesel, carvão ou biomassa.
Aduza-se, por relevante, que a energia elétrica brasileira (que não mais poderá ser armazenada!) está interconectada pe-lo Sistema Interligado Nacional (SIN), um dos maiores do mundo, com 12.000 Km de linhas de alta tensão, superiores a 230 quilovolts (Kv), o que permite a otimi-zação dos reservatórios de água em todo o território nacional. Assim, a construção de várias termelétricas, para fins de suprir o pequeno estoque hídrico dos reservatórios existentes, em especial quando da carência de chuvas, só nos trará, por óbvio, enormes prejuízos.
Diga-se que por causa das deletérias ações promovidos pelo radicalismo da militância de ambientalistas/indigenistas atrelados a perniciosas ONGs, nacionais e estrangeiras, o Brasil vem caminhando na contra-mão do desenvolvimento e o cronograma de obras das hidrelétricas amazônicas está sensivelmente atrasado. Anote-se que ainda são construídas hidrelétricas com imensos reservatórios, em determinadas regiões do mundo.
A Eletrobras estuda a construção de algumas delas no Suriname e na Guiana (“Projeto Arco Norte”), com a previsão de compartilhamento da eletricidade por estados da Amazônia Oriental. Isso nos torna, sem necessidade e mais uma vez, caudatários de outros países em relação a um bem - os recursos hídricos - que temos em abundância (apenas um exemplo dentre outros: a Venezuela fornece boa parte da energia consumida pelo estado de Roraima...).
Segundo o Plano de Aceleração do Crescimento II (PAC- II), divulgado em março de 2012, encontram-se em construção ou planejadas, na Amazônia Legal, 30 usinas hidrelétricas de portes variados, o que trará uma nova conformação sócio-ambiental e territorial para a região. As principais delas são as de Jirau e Santo Antônio, no rio Madeira (RO), e a de Belo Monte, no rio Xingu (PA), que vêm sofrendo acerbas críticas do aparato ambientalista/indige-nista, em níveis nacional e internacional, máxime a hidrelétrica de Belo Monte.  
* Coronel, Historiador Militar e Advogado
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