A Amazônia e a Hidreletricidade (V)

*Manoel Soriano Neto
“Árdua é a missão de desenvolver e defender a Amazônia. Muito mais difícil, porém, foi a de nossos antepassados em conquistá-la e mantê-la.”
Árdua é a missão de desenvolver e defender a Amazônia. Muito mais difícil, porém, foi a de nossos antepassados em conquistá-la e mantê-la.”
O potencial do parque hidrelétrico brasileiro é de cerca de 260 GW, sendo que aproximadamente 40% do mesmo encontram-se na Amazônia Legal Brasileira. O Brasil necessita, pois, aproveitar os rios amazônicos, em especial o Xingu, o Madeira e o Tapajós, o que está sendo feito pela previsão/construção, na região amazônica, de trinta usinas hidrelétricas. 
A hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu, na região de Altamira (PA), anteriormente chamada de Kararaô, quando estiver operando em sua plenitude, será a terceira maior usina hidrelétrica do mundo. Ela foi planejada há mais de trinta anos e o projeto inicial também previa a construção de outras cinco barragens a montante, no rio Xingu, estando a sua construção a cargo do Consórcio Norte Energia (CNE). Entretanto, por irresistíveis pressões de radicais e inconsequentes grupos am-bientalistas/indigenistas, industriados nacional e internacionalmente, o planejamento foi totalmente modificado. Inadmissível foi o Parecer da Comissão Interame-ricana de Direitos Humanos (CIDH), da Organização dos Estados Americanos (OEA), que determinava a suspensão das obras e ainda recomendava a não construção de qualquer outra hidrelétrica na região, até o cumprimento de uma série de absurdas exigências “para a proteção do meio ambiente e dos povos indígenas e ribeirinhos da bacia do Xingu”. Ora, tais determinações/orientações afiguram-se em inaceitável ingerência na Soberania Nacional e não foram, “ipso facto”, consideradas pelo Brasil. Porém, os recentes governos alteraram, estranha e irresponsavelmente, o projeto primitivo da hidrelétrica, que foi, ao longo dos anos, sendo sucessivamente modificado e totalmente descarac-terizado; e o cronograma das obras vem sendo criminosamente retardado, por ações “ecoterroristas”, como assinalamos em textos anteriores.
Assim, com seríssimos prejuízos ao desenvolvimento do país, o lago da usina foi reduzido a um terço do tamanho original (e sendo a ‘fio d’água’, é dependente das chuvas e da vazão do rio) o que diminuirá a sua potência, de 15 mil MW para 11,3 mil MW. Com isso, a chamada “energia ou potência firme” (ou seja, a produção mínima de energia de que se pode efetivamente dispor) será drasticamente reduzida de 4,5 mil MW para 1.000 MW, nos períodos sazonais de seca.
Os “verdes”, os “indigenistas” e os “povos atingidos pelas barragens” (em especial, integrantes do IBAMA, da FUNAI e do MAB - Movimento dos Atingidos por Barragens), em suas estrepitosas campanhas, vêm brandindo, de forma capciosa, esse lastimável fato, sendo certo de que eles é quem são os principais e indiretos responsáveis pela atual e funesta realidade.
Os entendidos afirmam que se fossem cumpridos os prazos e mantido o primeiro projeto da hidrelétrica, o país não teria sofrido os apagões de 2000/2001 e hoje não estaria sujeito à falta de energia elétrica. E mais: não se precisaria recorrer às caras e poluidoras termelétricas, a não ser de forma complementar e não permanente - como hoje sói acontecer, a fim de suprir a inexplicável falta de armazenamento de água (energia), pela inexistência de grandes reservatórios. Diga-se que nos dias hodiernos, é consabido que o precioso líquido poderá até ser motivo para futuras guerras, como notáveis estudiosos nos vêm alertando...
Apesar de inúmeras dificuldades encontradas e duramente vencidas, as hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio, no rio Madeira, estão praticamente concluídas e deverão gerar 6.900 MW, após o aumento da capacidade do reservatório de Jirau.  
* Coronel, Historiador Militar e Advogado
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