A Amazônia e a Hidreletricidade (VI)

*Manoel Soriano Neto
“Árdua é a missão de desenvolver e defender a
Amazônia. Muito mais difícil, porém, foi a de nossos
antepassados em conquistá-la e mantê-la.”
General Rodrigo Octávio / 1º Comandante Militar da Amazônia (1968/1970)
“Árdua é a missão de desenvolver e defender aAmazônia. Muito mais difícil, porém, foi a de nossosantepassados em conquistá-la e mantê-la.”
General Rodrigo Octávio / 1º Comandante Militar da Amazônia (1968/1970)

Em outros textos, ressaltamos, à saciedade, a importância e a necessidade premente de o Brasil utilizar os rios da Amazônia, em especial o Xingu, o Madeira e o Tapajós, para a geração de energia hidráulica, renovável, barata e não poluidora. Cerca de 40% do potencial hidrelétrico brasileiro (da ordem de 260 GW) encontram-se na Amazônia Legal Brasileira. A hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu, está prevista para ser concluída em 2019, mas encontra-se com o seu cronograma de obras bem atrasado, mercê de deletérias ações “ecoterroristas”, às quais nos referimos em matérias anteriormente publicadas pelo Jornal Inconfidência, este bravo periódico nacional.
Diga-se que até hoje, Belo Monte, que será a terceira maior usina hidrelétrica do mundo, quando estiver operando em sua plenitude, já sofreu 17 (!) interrupções em suas obras, desde que estas se iniciaram em 2011. Tais obras empregam, aproximadamente, 27.000 operários e têm um custo de cerca de 26 milhões de reais. Consagrados estudiosos da problemática hidrelétrica brasileira afirmam que as usinas amazônicas, particularmente as de Belo Monte, Jirau e Santo Antônio (estas duas últimas no rio Madeira) irão beneficiar 80 milhões de brasileiros, quando prontas e as linhas de transmissão - os “linhões” - estiverem concluídos. Lamentavelmente, como já assinalamos, os lagos de acumulação dessas usinas perderam substancial volume, em especial o de Belo Monte (reduzido a um terço do tamanho original) e, sendo a construção a ‘fio d’água’, dependerão das chuvas e da vazão dos rios, o que diminuir á, significativamente, as respectivas potências. Observe-se que países como os EEUU, a China, o Japão, a Coréia do Sul e o Canadá continuam apostando nos grandes e polivalentes reservatórios de água (diga-se, também, de energia), tão necessários, máxime em face da escassez deste bem, em várias partes do mundo.
Em nosso Brasil, desafortunadamente, os sectários do “ecoxiismo” continuam a apregoar as suas teses anti-desenvolvimentistas, sendo industriados por ONGs nacionais e estrangeiras e pelo aparato indigenista/ambientalista, sendo certo que o governo é leniente, não inibindo, de forma efetiva, as ações deletérias perpetradas por esses grupelhos impatrióticos. E eles vêm persistindo, intencionalmente, em uma deturpação semântica, ao trocar ou confundir a expressão, estritamente técnica, “usina hidrelétrica”, ou simplesmente “usina”, por “barragem ”, o que não é correto; insistem em que os barramentos dos rios (meras fases das construções das hidrelétricas) não devem ser realizados, por causarem impactos irreversíveis aos indígenas e aos “povos ribeirinhos ”. A propósito, muito ativo é o Movimento dos Atingidos por Barragens – MAB. A hidrelétrica de Jirau (no rio Madeira, em Rondônia), por exemplo, também sofreu e vem sofrendo enormes prejuízos, causados pela perniciosa atuação do radicalismo de “movimentos sociais”, como ocorreu em 2011 e 2012, quando o canteiro de obras foi alvo de dois incêndios criminosos e de atos de depredação, além de paralisações estimuladas por índios, garimpeiros e ribeirinhos. A usina, em sua total capacidade, disporá de 50 unidades geradoras.
Essas turbinas já começam a ser ligadas, mas devido aos atrasos, os seus acionamentos estão seriamente comprometidos e não obedecerão à previsão inicial estabelecida por contrato com o governo federal. O consórcio Energia Sustentável do Brasil (ESBR), responsável pela construção da hidrelétrica, nos dá conta de que as greves e os atos de vandalismo, a que antes nos referimos, causaram 25 meses de paralisação total ou parcial das obras de construção da margem direita e 18 meses nas obras da margem esquerda do rio Madeira. Diga-se que o “linhão do Madeira ”, a rede de transmissão de energia que ligará as usinas de Porto Velho (RO) a Araraquara
(SP) está prestes a entrar em operação. Entretanto, maus brasileiros, atrelados ideologicamente, continuam a opor todo tipo de obstáculo às imprescindíveis obras de infraestrutura para o desenvolvimento do País, em particular o aproveitamento do potencial dos rios da Amazônia, com a construção/previsão, em médio prazo, de 30 usinas hidrelétricas (UHE).
Que Deus nos acuda!
* Coronel, Historiador Militar e Advogado Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.
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