A Amazônia e a Hidreletricidade (VII)

*Manoel Soriano Neto
“Árdua é a missão de desenvolver e defender a
Amazônia. Muito mais difícil, porém, foi a de nossos
antepassados em conquistá-la e mantê-la.”
General Rodrigo Octávio / 1º Comandante Militar da Amazônia (1968/1970)
“Árdua é a missão de desenvolver e defender aAmazônia. Muito mais difícil, porém, foi a de nossosantepassados em conquistá-la e mantê-la.”
General Rodrigo Octávio / 1º Comandante Militar da Amazônia (1968/1970)
Brasil é um país privilegiado por possuir, em especial na Amazônia, inúmeras jazidas minerais - hoje assaz ambicionadas por potências hegemônicas -, extensas terras agricultáveis, abundância de ventos e excelente luminosidade. Além disso, a maior bacia hidrográfica e as maiores reservas de água subterrânea do mundo (aquíferos Guarani e Alter do Chão) são nossas. O potencial energético brasileiro é o terceiro do planeta, superado apenas pelos da China e da Rússia. Todas as alternativas energéticas nos são disponíveis por meio de usinas hidrelétricas e termelétricas – estas movidas a gás, diesel, carvão, bagaço de cana, lenha, xisto, etc, e de reatores nucleares e usinas eólicas e solares. A energia hidrelétrica, limpa, abundante, barata e renovável é, sem dúvida, a que mais nos convém, sendo certo que o Brasil utiliza somente 20% dessa fonte energética, que em sua maior parte se encontra em terras amazônicas. Aduza-se que a hidreletricidade aproveitável nas regiões Sudeste e Sul está praticamente esgotada, daí a imperiosa necessidade dos projetos ora em curso na Amazônia.
Tais projetos vêm sendo criminosamente retardados, como já salientamos em textos anteriores, mormente por causa de licenciamentos ambientais, sob constantes processos judiciais e pela atoarda de grupos ambientalistas/indigenistas que vêm, impatriótica e às vezes ingenuamente, fazendo o jogo de ONGs nacionais e internacionais e de cobiçosos países centrais, contrários ao nosso desenvolvimento. Diga-se que esses grupos estão obtendo relativo êxito em suas deletérias campanhas.
Note-se, ainda, que as hidrelétricas em construção possuem reservatórios mínimos de acumulação de água, eis que são ‘a fio d’água’, o que diminui, enormemente, a capacidade energética das mesmas, que necessitarão (para a transmissão de energia), das caras e poluidoras usinas termelétricas, as quais deveriam ser apenas complementares, mas, hoje, são imprescindíveis para o transporte de eletricidade. E mais: os projetos, como o de Belo Monte, no rio Xingu, e os do rio Madeira - Santo Antônio e Jirau, não contemplam a construção de eclusas, o que inviabiliza as hidrovias dos citados rios, erro governamental inadmissível,mercê da inexistência de coordena ção interministerial, particularmente entre os ministérios de Minas e Energia e dos Transportes.
O Brasil possui 63.000 km de rios e lagos, em 12 bacias hidrográficas, com 41.600 km de rios navegáveis. Não se pode, pois, esquecer das hidrovias, quando da construção das hidrelétricas amazônicas, sabendo-se que existe um Plano Hidroviário Estratégico (PHE), anunciado pelo governo federal, em outubro de 2013, sendo as hidrovias prioritárias, as dos rios Tocantins, Madeira e Paraguai. Mas tudo está bastante atrasado e as futuras hidrelétricas (como as três previstas para o rio Teles Pires, por exemplo) serão construídas, desafortunadamente, sem eclusas, o que impedirá a boa navegação de um importante curso d’água...
Também está muito retardada a construção dos “linhões” (linhas de transmissão de energia elétrica), previstos pelo Sistema Interligado Nacional (SIN), os quais devem ser “energizados”, com toda presteza, em face das grandes distâncias até aonde se encontram os maiores centros consumidores do país.
Em síntese, consigne-se que a decisão do governo em construir várias hidrelétricas em nossa cobiçada Amazônia é louvável. Porém, tais empreendimentos estão eivados de graves erros, em especial o da não construção de eclusas, com vistas às hidrovias da região.
* Coronel, Historiador Militar e Advogado 
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