A Amazônia e a Hidreletricidade (XI)

*Manoel Soriano Neto

 

Árdua é a missão de desenvolver e defender a Amazônia. Muito mais difícil, porém, foi a de nossos antepassados em conquistá-la e mantê-la.

General Rodrigo Octávio / 1º Comandante Militar da Amazônia (1968/1970)

 

 

O período úmido., em grande parte do Brasil, vai de dezembro a abril. Nele, as chuvas são abundantes, intensas e prolongadas, havendo até um dito popular:abril, chuvas mil.. Mas, no presente ano, elas não vieram como se previa, em especial nas regiões Sudeste e Centro-Oeste onde se localizam as maiores usinas hidrelétricas, que contribuem com 70% da água disponível para a geração de energia. Acrescente-se que o Nordeste contribui com 18%, estando com o seu estoque em nível muito perigoso, cerca de 40%; o Sul, com 7% e o Norte, o de maior potencial hidrológico, com 5%, sendo certo que tal situação se inverterá completamente, após a entrada em funcionamento das hidrelétricas que lá estão sendo construídas.

 

Quando as chuvas se tornam escassas no período úmido., o solo não se umedece e as águas não têm como correr para os reservatórios. Atualmente, a estocagem total de água (diga-se, de energia) é assaz crítica, estando por volta de 39%, o que é considerado inferior ao nível de segurança, estimado em 43%; e nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, as caixas d'água. do país., estamos no período seco., com a duração de sete meses, pelo que é impossível a reposição da água que moveria as turbinas das hidrelétricas, de maio a dezembro (e não se pode mais construir usinas com grandes reservatórios e sim afio d'água.). Destarte, para suprir o déficit energético, as termelétricas, caras e poluentes, que seriam complementares às hidrelétricas, estão operando diuturnamente.

 

Então, pode-se concluir que a carência de energia continuará aumentando exponencialmente, máxime no período de abril a dezembro dezembro, sem que medidas corretivas venham sendo tomadas, como o desencadeamento de uma campanha nacional de conscientização, para que se evite um

racionamento como aconteceu em 2001.

 

O desgoverno que aí está não foi capaz de enfrentar esse gravíssimo problema e, ao contrário, só fez agravá-lo, com o populismo tarifário de reduzir, demagogicamente, em 20%, a conta de energia elétrica das empresas e dos domicílios; e não reajustou o preço dos combustíveis, tudo com vistas às eleições de outubro.

 

Outrossim, não soube e/ou não quis sustar a ação deletéria de ambientalistas/indigenistas que vêm perpetrando atos de vandalismo contra a construção de hidrelétricas, como a de Belo Monte, todas com o seu cronograma de obras bastante atrasado. Igualmente, negligenciou o problema das linhas de transmissão (os linhões) e o da construção de eclusas,para não se falar na diversificação de nossa matriz energética, por meio do uso de fontes alternativas sustentáveis, como as nuclear, eólica e solar, apesar da existência de mirabolantes planos que recebem denominações pomposas.

 

Enquanto isso, repita-se, as térmicas movidas a gás, carvão, diesel, biomassa do bagaço de cana, etc, continuam em funcionamento (e já são responsáveis por 24% da energia do país), num custo muito elevado, que termina sendo bancado pelo Tesouro e, ao final, pelos contribuintes. E o preço altíssimo da energia está fazendo com que as indústrias (especialmente as metalúrgica e química) negociem a que consomem, para o aumento de caixa.

 

Assim, restam perguntas que não querem calar: cadê as obras prometidas com tanto alarde midiático? Cadê a infra-estrutura padrão FIFA.: aeroportos, portos, ferrovias, rodovias, hidrelétricas com eclusas e linhas de transmissão, refinarias, gasodutos, o trem-bala. etc, etc? Cadê, a gerentona. e o seu propalado choque de gestão. no Brasil? Enfim, onde se encontra a mãe de todos os PACs.?

 

* Coronel, Historiador Militar e Advogado

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