A Amazônia e a Hidreletricidade (XIII)

*Manoel Soriano Neto
 
 
“Árdua é a missão de desenvolver e defender a Amazônia. Muito mais difícil, porém, foi a de nossos antepassados em conquistá-la e mantê-la.”
General Rodrigo Octávio / 1º Comandante Militar da Amazônia (1968/1970)
 
 
 
O Brasil detém o terceiro maior potencial hidrelétrico do planeta (10% de todos os recursos hídricos mundiais), estando atrás somente da China - 13% dos ditos recursos - e da Rússia, com 12%. A Amazônia é a região em que, atualmente, mais se investe no aproveitamento da energia limpa, barata, abundante, renovável e não poluidora de suas bacias hidrográficas.
 
Lá se constroem várias usinas hidrelétricas, em especial nos rios Xingu e Madeira, como as de Belo Monte, Santo Antônio e Jirau (infelizmente, ‘a fio d’água’, ou seja, as que não dispõem de reservatórios de água ou os
têm em espaços bem menores do que poderiam ter); e tudo por inadmissível pressão de radicais ambientalistas/indigenistas, nacionais e estrangeiros, como já comentamos em artigos anteriores.
 
A esse propósito, diga-se que hidrelétricas com grandes reservatórios de armazenagem de água (e armazenar ou guardar água, significa armazenar ou guardar energia!) continuam sendo erguidas e a Eletrobras estuda construí-las no Suriname e na Guiana: parte da eletricidade será compartilhada com estados da Amazônia, o que poderá se tornar em um risco futuro, dependendo do grau de relacionamento nosso com esses dois países, bastando que se constatem os problemas tidos com o Paraguai, por causa da cotação da energia oriunda da hidrelétrica de Itaipu, e do gás que importamos da Bolívia...
 
A matriz energética brasileira, à base da hidreletricidade, é responsável por mais de 70% da energia gerada no país. Entretanto, por causa da insuficiente geração das hidrelétricas e da escassez de chuvas, ela é complementada, hoje, quase que de forma permanente, pelas usinas termelétricas, assaz poluentes, eis que movidas a carvão mineral, gás e petróleo (óleo combustível), etc. Isso eleva sobremaneira o preço da energia elétrica, que já começa a ser liberado para prejuízo dos consumidores, após a demagogia do governo na prática de um “populismo tarifário”, que diminuiu em 20% os preços das contas de luz dos domicílios e das empresas, tornando a energia excessivamente cara, o que impacta, em especial, a indústria (consome cerca de 41% de toda a eletricidade produzida), as residências (24%) e o comércio (16%).
 
Assim,  o Brasil passa por um período nunca antes vivenciado, de energia caríssima, o que só não é mais doloroso em vista do crescimento pífio do país, que vem apresentando seguidos e vergonhosos “"pibinhos"”, além de uma inflação elevada (ou seja, a “"estagflação"”: estagnação econômica e inflação alta) e, pior ainda, já estamos em “recessão técnica ”. E a atual presidente seria “a competente gerentona que daria um choque de gestão no Brasil”. Mas, desgraçadamente, não foi isso o que se viu, e, sim, o país “quebrar” economicamente. Está, pois, coberto de razão, o ministro do STF, Gilmar Mendes, que declarou, em 15 de março do presente ano, que “"o país vive um apagão de gestão"”.

Destarte, os programas de construção das hidrelétricas nos rios da Amazônia devem prosseguir com bem mais rapidez, probidade e eficácia, sendo certo que estão muito atrasados. E é preciso que se atente ao fato de que em meados da década de 2020, o Brasil sofrerá o esgotamento de sua geração hidrelétrica. Assim, urge que se diversifique, desde já, a matriz energética brasileira, tão invejada por todo o mundo. É, pois, premente, o investimento prioritário na implementação de outras fontes alternativas de energia, como a eólica, a solar, a nuclear, a das marés e a da queima da biomassa, importante assunto.
 
 
Coronel, Historiador Militar e Advogado
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