A Amazônia e a Hidreletricidade (XV)

*Manoel Soriano Neto
 
“Árdua é a missão de desenvolver e defender a Amazônia. Muito mais difícil, porém, foi a de nossos antepassados em conquistá-la e mantê-la.”
General Rodrigo Octávio / 1º Comandante Militar da Amazônia (1968/1970)
 
“Árdua é a missão de desenvolver e defender a Amazônia. Muito mais difícil, porém, foi a de nossos antepassados em conquistá-la e mantê-la.”
General Rodrigo Octávio / 1º Comandante Militar da Amazônia (1968/1970)
 
 
 
Como já assinalamos, em meados da década de 2020, a geração de energia hidrelétrica terá se esgotado. Então, em boa hora, o Brasil constrói usinas hidrelétricas na Amazônia, a fim de aproveitar todo o potencial potamográfico desta exuberante região, cortada por caudalosos rios. Mas a ferrenha e 
 perniciosa oposição de antipatrióticos grupos de ambientalistas/indigenistas e de ONGs vem atrasando, generalizadamente, o cronograma das obras, máxime pela difícil obtenção das “licenças ambientais”. Outrossim, estamos incorrendo em grave erro, pois tais usinas estão sendo construídas ‘a fio d’água’, ou seja, com reservatórios de acumulação de pequenas dimensões, além da não previsão de eclusas e sem um meticuloso estudo para a implementação das linhas de transmissão (os “linhões”). Tais deficiências implicam na utilização, quase contínua, e já faz dois anos, das termelétricas, caras e poluentes, como complementação à energia das hidrelétricas. Assim, faz-se necessária a diversificação de nossa invejável matriz energética (abundante, renovável, barata e não poluidora). E isso também por causa do inusitado estresse hídrico e do preocupante desperdício de água por que passa o país, mormente em face da escassez de chuvas que afeta o abastecimento de grandes cidades, como a capital paulista, v.g., e encarece por demais o preçoda energia elétrica. Destarte, o planejamento para a utilização de fontes alternativas - como as energias eólica, nuclear, solar, das marés e a da queima da biomassa - deve se iniciar desde já, sabendo-se que o Brasil é muito bem aquinhoado pela prodigalidade de sua natureza.
 
No artigo anterior, tratamos de forma perfunctória das energias nuclear e eólica. Acerca desta última, gostar íamos de complementar as considerações expendidas, reafirmando que ela é limpa e renovável, eis que não lança na atmosfera, gases nocivos (como acontece com o uso do carvão), tais como o dióxido de carbono (CO2), entre outros, e pode suprir o atendimento de energia, especialmente em nosso Nordeste e em regiões remotas. Além das relacionadas no artigo anterior, como desvantagem notória deve ser considerada a intermitência da geração energética, mercê da incerteza de ventos fortes e constantes, o que a torna de relativa confiabilidade. Ademais, os antipáticos parques eólicos, que modificam a paisagem dos locais onde são implantados (poluição visual e sonora - por barulhentos), não devem ser construídos em habitat de reprodução de animais e nem sob rotas de migração de aves (elas se chocam com as hélices dos cataventos).  A energia eólica ainda causa interferência eletromagnética; influi no clima das regiões dos parques e exige manutenção preventiva e constante nas caras turbinas importadas, apud coronel José Gobbo Ferreira, in “Dez Anos de PT e a Desconstrução do Brasil”, magnífica obra que aborda, com excepcional compet ência, inúmeros problemas brasileiros de suma relevância. 
 
Quanto à energia solar, o elevado custo das placas/células fotovoltaicas (que necessitam de grandes espaços) é um sério óbice. Só há vantagens se os painéis solares estiverem próximos dos centros consumidores ou se houver interesse da população e do mercado para produção de aquecedores solares e de energia solar volta ica-a que liga dispositivos eletrônicos. A Associação Brasileira de Energia Solar (Abens) aponta as cidades de São Paulo, Belo Horizonte e São Luís, como centros propícios para a expansão dessa onerosa, mas necessária fonte de energia, ainda sem escala de produção.
 
 * Coronel, Historiador Militar e Advogado 
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