A Amazônia e a Hidreletricidade (XVI)

*Manoel Soriano Neto
 
 
“Árdua é a missão de desenvolver e defender a
Amazônia. Muito mais difícil, porém, foi a de nossos
antepassados em conquistá-la e mantê-la.”
“Árdua é a missão de desenvolver e defender aAmazônia. Muito mais difícil, porém, foi a de nossos antepassados em conquistá-la e mantê-la.”
General Rodrigo Octávio / 1º Comandante Militar da Amazônia (1968/1970)
 

 

A escassez de água que está prejudicando a população, em especial a da região Sudeste, com sérios reflexos no fornecimento de energia elétrica, não se deve apenas à falta de chuvas, mas, principalmente, à falta de planejamento governamental. Os governos do PT - e lá se vão mais de doze anos - não aprenderam a planejar obras e as construções de hidrelétricas na Amazônia estão muito atrasadas, sem eclusas, sem reservatórios de acumulação e com as linhas de transmissão (os “linhões”) igualmente defasadas com relação ao cronograma inicial. Diga-se que o estresse hídrico não é somente da responsabilidade dos governos estaduais, mas principalmente do governo federal, a quem incumbe, prioritariamente, a construção de grandes hidrelétricas. Acrescente-se que o ano de 2015 será pior do que o de 2014, que já foi pior do que o de 2013, pelo que o racionamento de água e energia era, de há muito, bastante previsível, de pouco adiantando estudos emergenciais a fim de minimizar, em curto prazo, danos ao povo brasileiro.

 

Outrossim, os dirigentes petistas não souberam lidar, juridicamente, com os licenciamentos ambientais e são bastante lenientes com os argumentos de ativistas ambientalistas e indigenistas. A par disso, os leilões de energia oferecem taxas baixíssimas, fazendo com que as empresas estatais sempre ganhem as concessões: mas elas estão descapitalizadas, sem receita. E quem mais sofre é o consumidor, que se vê punido com as altas contas de luz dom ésticas e dos estabelecimentos industriais, que aumentaram, apenas por agora, cerca de 41% (!); e isso após o ‘populismo tarifário’, de pouco tempo atrás, que reduziu, demagogicamente, com vistas às eleições, a tarifa de energia elétrica, em 20%. Assim, repita-se, houve grave falha de planejamento e gestão. A propósito, quando dos governos militares, que a mídia amestrada e vendida abomina de todas as maneiras e de forma contínua, havia, sim, um meticuloso e competente planejamento global, com os “Planos Decenais de Desenvolvimento”, elaborados por gente técnica que “entendia do riscado ”. Não fossem as grandes obras de infraestrutura daquela época, o Brasil, hoje, não sobreviveria, apesar de estar ladeira abaixo, numa fase de “pré-colapso ”, como vários estudiosos vêm afirmando.
Atualmente, tudo é obra do imediatismo de políticos irresponsáveis e inconsequentes, atrelados à base governista, pelo que teremos de conviver com apagões, racionamentos, atrasos de obras, etc, e com as mentiras demagógicas que só iludem o povo, como ocorreu na recente e enganosa campanha eleitoral. Também, por falta de planejamento a longo prazo, somente agora se fala nas energias alternativas, sendo certo de que lá por meados dos anos 2020, a nossa matriz energética (abundante, limpa, barata e não poluente, a melhor do mundo, enfim), com base na hidreletricidade e na termeletricidade (em complementação à primeira) terá se esgotado, apesar de a natureza ter sido assaz pródiga para conosco, pois somos ricos em água, ventos fortes e constantes, sol, biomassa, etc.

 

Anteriormente, falamos acerca das energias eólica e solar. Trataremos agora da energia da biomassa, com vistas à sua utilização em nosso país. A queima da biomassa contribui para a matriz energética brasileira em 26% (16% de cana-de-açúcar; 8% de lenha/carvão e 2% de lixívia). Brasil e Rússia detêm 31% de toda a área florestal do planeta, o que é de suma importância para a utilização dessa abundante fonte alternativa de energia – a bioenergia ou biomassa energética.

 

* Coronel, Historiador Militar e Advogado
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