A Amazônia e a Hidreletricidade (XVII)

*Manoel Soriano Neto
 
“Árdua é a missão de desenvolver e defender a Amazônia. Muito mais difícil, porém, foi a de nossos antepassados em conquistá-la e mantê-la.”
General Rodrigo Octávio / 1º Comandante Militar da Amazônia (1968/1970)
 

 

A água é um dos maiores bens da humanidade, uma dádiva da natureza. Não existe vida sem ela, que ocupa dois terços da extensão terrestre, sendo que 97% do precioso líquido encontram-se nos oceanos. Estudiosos afirmam que futuras guerras poderão ocorrer por causa da água, que vem afetando muitos países. O Brasil - “Império das Águas e Nação do Sol” - possui 14% das reservas de água doce do planeta, sendo que cerca de 80% (!) dessa água encontram-se na região amazônica (rica em água, sol, biodiversidade, minérios, pescado, etc, além de sua excepcional posição geoestratégica, eis que toda cortada pela linha do Equador).
 
 
Assim, sobram apenas 20% para o restante do vasto território nacional, onde vivem 95% da população brasileira. Então, pela fartura da água de que dispomos, criouse um pernicioso mito, sob um argumento simplista - o da “abundância hídrica do Brasil” -, tudo potencializado pela irresponsabilidade da atual presidente da República que reduziu, há pouco tempo, as tarifas de energia elétrica em 20% (o chamado “populismo tarifário”), com efeitos altamente catastróficos para a economia e a inflação.
 
 
Impende lembrar, entretanto, que convivemos com uma gravíssima crise hidroenergética, jamais vista em nossa História, principalmente pelo descaso dos governos federal e estaduais, que não souberam planejar para o futuro, e nem tanto pela estiagem que nos assola. Acrescente-se que aí estão as grandes hidrelétricas que se constroem na Amazônia (que aproveitam a energia cinética das águas de caudalosos rios), com seus cronogramas de obras bastante atrasados, máxime pela leniência governamental para com o aparato ambientalista/ indigenista, que, não raras vezes, apelou - e apela - para a perpetração de criminosos atos vandálicos nos canteiros de obras das usinas.
 
 
Caso as hidrelétricas de Belo Monte, Jirau, Teles Pires e outras de menor porte estivessem funcionando plenamente, como já deveriam, o problema do estresse hídrico seria significativamente reduzido. E se não fosse o baixo crescimento da economia, com o PIB “beirando o zero”, o Brasil entraria em colapso, por falta de energia, apesar de esse governicho que aí está, continuar alardeando que tudo caminha às mil maravilhas em nosso Pindorama.
 
 
Considere-se também que cerca de 70% da água disponível, em escala mundial, são destinados à agricultura com vistas à imprescindível produção de alimentos e à plantação vegetal, visando às exportações de “commodities” do agronegócio, como a soja, em nosso caso. Anote-se, em complementação, que 12% dos recursos hídricos vão para a indústria e mineração e 4% para o consumo humano e animal.
 
 
Destarte, é preciso que superemos esse mito da abundância de água e sensibilizemos a população para a sua utilização racional, na mudança de hábitos nocivos, como, para citarmos apenas três exemplos, na descarga de esgotos não tratados nos rios, na lavagem de carros e calçadas com água potável e no inconsequente desperdício, com sói acontecer, diuturnamente, em inúmeras atividades.
 
 
Repita-se que por volta de meados da década de 2020, a nossa invejável, por limpa, renovável e abundante matriz energética, com base na hidreletricidade (o Brasil detém o 3° maior potencial hidrelétrico do mundo), terá se esgotado. Assim, urge que seja elaborado, desde já, um meticuloso planejamento para a utilização racional de energias alternativas. Trataremos, a seguir, da energia da biomassa (responsável por cerca de 7% de nossa matriz energética) percentual que tende a aumentar, exponencialmente. 
 
Coronel, Historiador Militar e Advogado
Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

 

Mais por este Autor:
Artigos Relacionados: