A Amazônia e a Hidreletricidade (XVIII)

*Manoel Soriano Neto

Árdua é a missão de desenvolver e defender a Amazônia. Muito mais difícil, porém, foi a de nossos antepassados em conquistá-la e mantê-la.”

General Rodrigo Octávio / 1º Comandante Militar da Amazônia (1968/1970)

 

No final do mês de abril, o Fundo Monetário Internacional (FMI), nos fez grave advertência, ao afirmar que o Brasil vive a sua pior crise, em 20 anos. Isso, como bem ressaltado, é devido à rápida desaceleração da economia; e ainda projetou uma preocupante retração econômica para o país. É o que está ocorrendo nesse processo de “estagflação - chamada popularmente de “boca de jacaré” (pibinho vergonhoso, tangenciando o zero, e inflação que já beira os 9% até o final do ano, ou seja, exatamente o dobro do centro da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional - CMN -, de 4,5%), o que caracteriza uma situação de “pré-colapso econômico”, de recessão, ou estagnação, pelo que a taxa de juros, a Selic, voltou a aumentar.

E o ministro dos Transportes declarou, de forma alarmante, que as obras, em especial as de infraestrutura, poderiam ser suspensas, por causa da Operação Lava-Jato e do ajuste fiscal ora em curso. Mas o pior já está acontecendo, aceleradamente, com a perda do emprego, particularmente na indústria, e com a diminuição drástica da renda dos trabalhadores, numa combinação diabólica de desemprego e salários baixos, redundando na queda significativa do consumo - uma das metas da radical mudança da matriz econômica, implementada de forma voluntarista, incompetente e irresponsável pela presidente.

Ela, de tão envergonhada, decidiu não convocar a rede nacional de rádio e televisão, no Dia do Trabalho, sempre usada pelo lulo-petismo, há 12 anos, receosa de um novo panela ço, como o de 8 de março, Dia da Mulher; nem apareceu no último programa do PT... Ademais, o periculoso agitador Stédile, “general de Lula”, no comando de um “exército de Brancaleone ”, do MST, vem, com a sua voz tonitruante, insuflando seus prosélitos para uma guerra civil, consoante diretrizes diretrizes do Foro de São Paulo.

Qual a razão, pode-se perguntar, deste longo preâmbulo ao assunto que abordamos mensalmente nesta Coluna? É que a caótica situação que vivenciamos, com o Brasil descendo a ladeira, vem influindo, indubitavelmente, nos problemas infraestruturais do país. Destarte, a construção de hidrelétricas na Amazônia está sendo retardada por ações deletérias de ativistas do ambientalismo e do indigenismo (o cronograma de obras está bastante atrasado) e agora, também, pela restrição de verbas. Assim, a imprescindível e urgente diversificação de nossa matriz hidrelétrica (complementada pela termeletricidade, cara e poluidora), encontra-se seriamente comprometida, por falta de aporte financeiro.

Já tratamos da problemática das energias eólica, solar e nuclear. Quanto a esta última, há a preocupação com o armazenamento do lixo atômico e o medo de acidentes graves, como os ocorridos em Three Mile Island, nos EEUU, em 1979; de Chernobyl, na Ucrânia, em 1986, e de Fukushima, no Japão, em 2011. Mas é uma alternativa barata, não poluente e autossuficiente em combustível (urânio enriquecido), que deve ser bem estudada, pois o Brasil possui a sétima reserva mundial desse minério.

Outra das energias alternativas é a da biomassa. Ela é responsável por cerca de 7% da energia gerada e tende a aumentar esse percentual, exponencialmente,  no futuro. A geração de energia a partir do uso da biomassa, conta, atualmente, com quase 500 usinas. Muitas delas, hoje, são integrantes da matriz energética nacional, não mais se prestando apenas ao autoconsumo (produção de calor e eletricidade). Daí a premência da construção de novas usinas, com a utilização, basicamente, do bagaço da cana de açúcar.

Coronel, Historiador Militar e Advogado - Email: Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

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