A Amazônia e a Hidreletricidade (XIX)

 
*Manoel Soriano Neto

Árdua é a missão de desenvolver e defender a

Amazônia. Muito mais difícil, porém, foi a de nossos

antepassados em conquistá-la e mantê-la.”

General Rodrigo Octávio / 1o Comandante Militar da Amazônia (1968/1970)

 

Quando o PT completou 35 anos de existência e realizou, na cidade de Salvador, de 5 a 11 de junho, o seu 5° congresso nacional, o governo petista anunciou o faraônico Programa de Investimento em Logística (PIL). É mais um pacote, melhor dizendo, um pacotão de mirabolantes e ilusórias intenções de longo prazo, com vistas à caótica infraestrutura econômica do país. Dentre as várias medidas de privatização (os lulopetistas as chamam, eufemisticamente, de “concessões”), avulta de importância a construção de uma “Ferrovia Bi-Oceânica” - que nem projeto tem e para a qual serão alocados 40 bilhões de reais (!) -, empreendimento que dificilmente será implementado no tempo previsto ou mesmo realizado (tal e qual o famigerado “trem-bala” de que não mais se cogita). Trata-se de algo assaz portentoso - entretanto, um mero factoide propagandístico - para um país em recessão, ou seja, quebrado economicamente. O PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) empacou, fracassou, e agora nos apresentam o PIL, justamente após os recentes e drásticos cortes de verbas nos ministérios (o da Defesa, v.g., perdeu 24,8%), para apenas dissimular o desgaste provocado pelo ajuste fiscal – já chamado de “arrocho salarial”. Tudo isso, desafortunadamente, atrasará, mais ainda, a construção das hidrelétricas da Amazônia…

O Brasil encontra-se em uma encruzilhada quanto à sua excelente matriz energética, que precisa ser diversificada, posto que em meados da década de 2020, a energia à base da hidreletricidade, complementada pelas caras e poluentes termelétricas, se esgotará. E mais: o mundo já caminha para o fim da dependência dos combustíveis fósseis. Assim, a exploração do présal, tão badalada pelos governos do PT, segue, em médio prazo, no contra-fluxo dos deseacaf internacionais de busca prioritária por fontes renováveis de energia. Espera-se que já na próxima década, tais fontes, máxime a solar, estejam bem mais baratas do que a geração de energia por meio de combustíveis fósseis. Diga-se que o Brasil passa por grave processo de desindustrialização, sendo certo que a energia elétrica é a mais cara do planeta para o nosso combalido setor industrial (e ela, como um todo, já aumentou 60% em apenas um ano...).

Portanto, repetimos, é imprescindível a ampliação do leque de opções energéticas, o quanto antes. Anteriormente, iniciamos a análise da energia da biomassa. Ela é responsável por cerca de 7% de toda a energia que geramos e a sua utilização tende a aumentar este percentual, exponencialmente, no futuro, em face do alto preço do óleo combustível. Hoje, a energia a partir da biomassa (a bioenergia) conta com quase 500 usinas, com uma capacidade geracional de mais de 12.000 megavatts (MW). Elas já integram a matriz energética nacional, não mais se prestando apenas ao autoconsumo (produção de calor e eletricidade). Daí a premência da construção de novas usinas, com a utilização, basicamente, dos resíduos da cana de açúcar e da madeira (lenha) das madeireiras e serrarias.

O processamento do bagaço e da palha da cana, que são desperdiçados na indústria sucroalcooleira (que produz o importante biocombustível etanol) - hoje, assinale-se, muito endividada -, produziria o equivalente à usina hidrelétrica de Itaipu! Porém, para a boa utilização da biomassa, necessita-se de milhares de hectares de terra, com o indesejável aumento das monoculturas (como a da cana de açúcar) e a derrubada contínua de árvores, o que ameaça a sustentabilidade ecológica e produzirá alta emissão de gás carbônico (CO2).

 

* Coronel, Historiador Militar e Advogado
 
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