A Amazônia e a Hidreletricidade (XXI)

*Manoel Soriano Neto

“Árdua é a missão de desenvolver e defender a Amazônia. Muito mais difícil, porém, foi a de nossos antepassados em conquistá-la e mantê-la.

General Rodrigo Octávio / 1º Comandante Militar da Amazônia (1968/1970)

É muito doloroso vermos o Brasil tão desgovernado, como agora. Aí estão o “pibinho”, a inflação crescente, o desemprego, a desindustrialização, a crise energética, o rebaixamento, há pouco, do grau de investimento do país, que ora se encontra na condição de mau pagador, ou seja, caloteiro (o que afugentar á os investidores internacionais), a corrupção desenfreada, etc, etc. É inexorável, como nos ensina a História Econômica, que após tudo o que estamos passando (uma “tempestade perfeita”) em um quadro de recessão, virá o desabastecimento de gêneros de toda espécie, com o sacrifício da população e que poder á redundar em grave comoção social, até mesmo em guerra civil. Isso não é catastrofismo, sinistrose ou algo parecido: é a realidade da História – “- "A Mestra da Vida”".

E o nosso amado Brasil não está infenso, como afirma a propaganda enganosa do atual e irresponsável governicho, a esses fenômenos sociais...

No dia 11 de agosto, foi lançado um programa para o setor elétrico, no intuito de minimizar os efeitos da gravíssima crise que o vem assolando, principalmente após 2012. Nesse ano, a presidente interveio, desastradamente, na área energética. Nunca é demais recordar alguns dos passos em falso, dados pela governante da nação e que, por sua magnitude, desarranjaram a economia nacional. Inicialmente, foram alterados as condições e os prazos para a renovação das concessões das imprescindíveis usinas hidrelétricas, com sérios reflexos nas que se constroem na Amazônia.

Em seguida, em 2013, de forma populista, demagógica e assaz imprudente, ela baixou em cerca de 20%, as tarifas de energia, cujo preço o país vem dolorosamente pagando, até hoje, e continuar á a pagar. Diga-se, por relevante, que naquele ano teve início um inclemente período de escassez de chuvas, como especialistas no assunto já haviam alertado, somando-se a isso, o fato de que a taxa de juros (Selic) foi drasticamente reduzida, parecendo que a “criatura” (Dilma) desejava ultrapassar, em feitos retumbantes, o seu “criador criador ” (Lula), instituindo uma nova matriz macroeconômica, com base no consumismo.

As hidrelétricas não suportaram a demanda (em vista, além de outros fatores, do calor intenso) e as termelétricas –caras e muito poluentes, em face do elevado consumo de derivados do petróleo–, implantadas quando do racionamento de 2001, tiveram de ser acionadas, de forma quase que permanente, quando deveriam servir apenas para a complementa ção da energia gerada pelas usinas hidrelétricas (só recentemente estão sendo sendo desligadas, de forma parcial). As empresas distribuidoras e geradoras, públicas ou privadas, em consequência desses desatinos, encontram-se em situação financeira calamitosa, desde 2012, sem que haja investimentos no setor, por causa da insegurança jurídica. Porém, as artimanhas relatadas se mantiveram até o estelionato eleitoral de 2014, tendo o Tesouro Nacional bancado o sesquipedal prejuízo. Culpar São Pedro pela desídia governamental, é risível, para dizer o mínimo...

Agora nos apresentam, com um pomposo nome, o tal “Programa de Investimentos em Energia Elétrica”, que se compromete a investir um total de duzentos bilhões (!) de reais, em três anos, na geração e transmissão de energia elétrica. Ora, de onde virá tão vultosa verba, num país quebrado economicamente? Chega de enganação! O povo demonstrou, insofismavelmente, no memorável dia 16 de agosto, em todo o Brasil (cujo símbolo maior foi o enorme boneco inflável do Lula, em Brasília), o que realmente deseja !!

* Coronel, Historiador Militar e Advogado
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