A Amazônia e a Hidreletricidade (XXII)

*Manoel Soriano Neto

“Árdua é a missão de desenvolver e defender a Amazônia. Muito mais difícil, porém, foi a de nossos antepassados em conquistá-la e mantê-la.

General Rodrigo Octávio / 1º Comandante Militar da Amazônia (1968/1970)

Desafortunadamente, o nosso Brasil vai de mal a pior. Outra agência de “rating” rebaixou o nosso grau de investimento. Diga-se mais: que País é esse em que as mais gradas autoridades (a começar pela atual presidente e o seu mentor apedeuta) são blindadas contra notórias violações da lei, como a infringência da Lei de Responsabilidade Fiscal, por meio das “pedaladas” da atual e muito rejeitada governanta, como ficou evidenciado pelo julgamento técnico do TCU? À época do impedimento de Collor, o PT não considerava “golpe”, o processo previsto na Constituição, como o faz agora, em coro com as desesperadas e constantes declarações presidenciais. E o STF ainda interfere no rito da Câmara dos Deputados em relação ao citado impedimento... São também muito assustadores, os terríveis cortes orçamentários nos ministérios, em decorrência do chamado “ajuste fiscal”.

Por causa disso, há pouco, em entrevista à Imprensa, o general Villas Bôas lamentava o atraso nos projetos estratégicos do Exército Brasileiro - ocorrendo o mesmo nas outras Forças -, o que trará sérios prejuízos para a Instituição e igualmente para a Nação, como é o caso do monitoramento de nossas extensas e vulneráveis fronteiras (Projeto Sisfron), numa época em que se intensifica a entrada de drogas, armas, terroristas e militantes de organizações guerrilheiras de esquerda, no Brasil. A propósito, é mui louvável a postura transparente e sincera do atual comandante do Exército, que vem, sistematicamente, prestando contas aos brasileiros do que faz a Força Terrestre - parcela integrante e bastante querida da sociedade - inclusive mobilizando a Reserva, como aconteceu, recentemente, em uma vídeoconferência com oficiais da reserva de segunda classe (R/2), quando vários temas foram tratados atitude difere frontalmente da adotada pelo comandante que lhe antecedeu e que optou por um inaceitável, inexplicável e omisso silêncio obsequioso, covarde e vexatório, como se o Exército devesse ser (logo no caótico Brasil de hoje!!), “"O Grande Mudo"”.

Outrossim, a recessão brasileira, que será bastante longa, como dizem os economistas, vem afetando todas as áreas do desenvolvimento nacional, como a da hidreletricidade, em particular em nossa cobiçada Amazônia, tão carente da presença do Estado, com a benemérita exceção das FFAA e de outras poucas instituições. Nunca é demais repetir que as grandes usinas de geração de energia hídrica que se constroem na região encontram-se com os cronogramas de obras bastante atrasados, máxime pela atuação do aparato ambientalista/indigenista nacional e estrangeiro. A energia hidrelétrica se esgotará no Brasil por volta de 2020, como afirmam entendidos do assunto, apesar de possuirmos o terceiro maior potencial hidrelétrico do mundo, daí a necessidade premente de diversificação da nossa matriz energética, por meio de energias alternativas renováveis.

Por final, aduza-se que é assaz preocupante o recente pedido da Transnorte Energia S.A., de rescisão do contrato para a construção do “Linhão de Tucuruí”, que levaria a energia de Manaus a Boa Vista (RR), o único estado não integrante do Sistema Nacional Interligado (SNI), e que recebe energia, muito precariamente, da falida Venezuela, já havendo ameaça de corte no fornecimento. Assim, foram perdidos três longos anos, tudo motivado pela ação deletéria (político-ideológica) de Funai, o Ibama e o Ministério Público Federal.

* Coronel, Historiador Militar e Advogado
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