A Amazônia e a Hidreletricidade (XXIII)

*Manoel Soriano Neto

Árdua é a missão de desenvolver e defender a Amazônia. Muito mais difícil, porém, foi a de nossos antepassados em conquistá-la e mantê-la.”

General Rodrigo Octávio / 1o Comandante Militar da Amazônia (1968/1970)

 

O Brasil passa por sua maior crise energética. Ela não é mais grave porque o País encontra-se em uma cruel recessão (quase “depressão”) econômica, apesar de sua grandeza territorial e imenso potencial em recursos naturais, como os existentes em nossa riquíssima e cobiçada Amazônia. A escassez de chuvas contribuiu para tal, evidentemente, obrigando a ligação das usinas termelétricas, caras e poluentes, que deveriam apenas complementar a energia produzida pelas hidrelétricas. Mas, diga-se: a estiagem foi prevista, com bastante antecedência, por renomados especialistas, porém não foi levada em conta, em um ano de eleições, tendo sido perpetrado um criminoso estelionato eleitoral para a atual presidente se reeleger, à custa do colapso da economia brasileira.

Sim, pois aí estão o baixíssimo crescimento, a inflação descontrolada, a desindustrialização, o crescente desemprego, os recentes rebaixamentos do grau de investimento do Brasil, a insegurança jurídica nos negócios internacionais, a morte do rio Doce, etc., etc., isso associado a uma desenfreada corrupção, tudo se afigurando à denominada “tempestade perfeita”.

E ainda, e o mais preocupante, nessa caótica conjuntura, é a contínua incitação à odienta luta de classes marxista-leninista e ao revanchismo, bastando que se atente para as irresponsáveis declarações do
“pixuleco” Lula, de colocar nas ruas um “exército” a comando de conhecido agitador do MST, ao que fizeram coro os presidentes da CUT e do radical PCB. Igualmente lamentável foi a exoneração do desassombrado e acendrado patriota, general Hamilton Mourão, do Comando Militar do Sul, por dizer a verdade acerca da gravíssima e longa crise político-econômico-social e ético/moral em que estamos mergulhados. Assim, desafortunadamente, assistimos ao êxito das diretrizes do maldito-seja Foro de São Paulo, sob um governicho desacreditado, rejeitado e sujeito a processo de “impeachment”...

A Usina de Belo Monte, o maior empreendimento energético brasileiro dos últimos tempos e que será a terceira maior do mundo, terá a sua produção de energia severamente afetada pela redução do lago (reservatório) de acumulação de água, em vista do atendimento de absurdas reivindicações de ambientalistas/indigenistas, e encontra-se (como as demais que se constroem na Amazônia), com o cronograma de obras bem atrasado, em vista da demora da licença, só há pouco concedida pelo Ibama, para o enchimento do dito lago.

Ademais, pesa sobre a portentosa obra, uma nebulosa suspeita, após o presidente Dalton Avancini, da empresa Camargo Correia, haver declarado em delação premiada, que para a sua construção, a empreiteira pagou uma propina de 100 milhões de reais (!), que teria sido dividida entre o PT e o PMDB. Acrescente-se que as usinas, ora construídas pelo processo ‘a fio d’água’ terão o seu potencial assaz diminuído, sendo certo que por volta de 2020, a invejável matriz hidrelétrica nacional se esgotará, tornando-se necessária a sua urgente diversificação.

O importante “Linhão de Tucuruí” que levaria a energia de Manaus para Boa Vista (Roraima é o único estado não integrante do Sistema Nacional Interligado – SNI –, sendo suprido, precariamente, pela falida Venezuela, que já ameaça diminuir ou cortar o fornecimento de energia) encontra-se deveras comprometido pelo pedido da Transporte de Energia S.A., de rescisão de contrato para a sua construção, tendo sido perdidos três longos anos, por meras e injustificáveis motivações político-ideológicas.

* Coronel, Historiador Militar e Advogado
Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

 

Mais por este Autor:
Artigos Relacionados: