Amazônia - o grande desafio (II)

 *Manoel Soriano Neto
 
“Árdua é a missão de desenvolver e defender a Amazônia. Muito mais difícil, porém, foi a de nossos antepassados em conquistá-la e mantê-la.” 
General Rodrigo Octávio / 1º Comandante Militar da Amazônia (1968/1970)
 
Uma Incompleta Caracterização da Área
 
A Amazônia é uma imensa, riquíssima e por demais cobiçada porção do globo terrestre, como procuraremos demonstrar ao longo desta série de artigos. A Gran ou Pan-Amazônia possui aproximadamente 7 milhões de quilômetros quadrados. A Amazônia Brasileira (somente o território da floresta amazônica) abrange 3.800.000 da citada quilometragem e faz fronteira com sete países sul-americanos.
 
Mas é preciso assinalar-se a existência da ‘Amazônia Legal Brasileira’ que engloba uma superfície ainda maior, de 5.029.322 de quilômetros quadrados, e compreende os estados de Rondônia, Acre, Amapá, Amazonas, Roraima, Pará, Tocantins, partes consideráveis do Maranhão e Mato Grosso e 5 municípios de Goiás. 
 
Ela foi estabelecida pelo artigo 2°, da Lei 5173, de 27/10/1966, que criou a Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (SUDAM) e corresponde a 3/5 (cerca de 60%) da extensão territorial brasileira. A criação dessa hoje gigantesca área, por razões meramente econômico-financeiras e em desrespeito a fundamentais aspectos geográficos e corográficos, impropriamente chamada de ‘Amazônia’, foi e é muito criticada, por descaracterizar a verdadeira e exuberante ‘Amazônia Verde’ (floresta tropical úmida, latifoliada - quer dizer, de folhas largas), com o seu bioma peculiar, biodiversidade e riquezas minerais. A propósito, aduza-se que o aparato ambientalista/indigenista, quando amiúde se refere ao desmate da ‘floresta amazônica’, particularmente por meio das queimadas, inclui, malevolamente (para inflar os números), regiões da Amazônia Legal que não se encontram na dita floresta e possuem ecossistemas completamente diversos, como os cerrados, campos, etc.
 
Apesar da imensidão territorial, a Amazônia é uma região anecumênica, um verdadeiro vazio ou vácuo demográfico, mas com plenas condições de habitabilidade, pelo que o seu povoamento se faz imprescindível. Outrossim, é ainda assaz carente da ação governamental (da presença, principalmente, à bela exceção das Forças Armadas). Não faz muito tempo, dizia-se no Exército, em tom de brincadeira brincadeira, quando das transferências de oficiais para o Norte, que eles iriam servir na Amazônia, ‘"um pais amigo, anexado ao Brasil’".
 
A população amazônida, basicamente miscigenada, com significativos estoques raciais indígenas de diversas etnias - referimo-nos à Amazônia Legal - é escassa e mal distribuída, contando, segundo  o censo de 2000, com 20,3 milhões de habitantes. Tal número equivale a 12,32 % da população nacional (apenas dois habitantes por quilômetro quadrado). Esses habitantes são distribuídos por 775 municípios (são 342, no espaço da floresta tropical), sendo que 68,9 % são citadinos, vivendo em zonas urbanas banhadas por rios, segundo o IBGE. Alguns desses municípios são maiores do que estados brasileiros e nações da Europa. O município de Altamira (PA), v.g., é o maior do Brasil - mais extenso do que 11 estados - e do mundo (!) - de extensão superior a muitos países (entretanto, em 2000, contava tão somente com 84.400 habitantes).
 
Como consabido, sem Energia, não há vida. A trilogia para a existência da vida planetária é - Ar, Água e Sol. E o amado Brasil possui, em abundância, como nenhum outro do mundo, essa trilogia existencial. Nosso País é tido, sem favor algum, como “A Nação do Sol” e o “Império das Águas”!! A Amazônia é este vastíssimo Império, mercê da grandiosidade da bacia potamográfica do Solimões-Amazonas.
 
* Coronel, Historiador Militar e Advogado
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