Amazônia - o grande desafio (VI)

Manoel Soriano Neto

“Árdua é a missão de desenvolver e defender a Amazônia. Muito mais difícil, porém, foi a de nossos antepassados em conquistá-la e mantê-la.” General Rodrigo Octávio / 1º Comandante Militar da Amazônia (1968/1970)
Após comentarmos, de escantilhão, aspectos relevantes acerca da foz ou embocadura do rio Amazonas, o ‘Mar Doce’, o mais volumoso e extenso do planeta, aí se considerando os rios Ucaialy, Solimões e Amazonas, do Peru ao Brasil, trataremos dos chamados ‘"rios voadores"’ ou ‘"aéreos'’. Eles carregam água da floresta, movidos pelos ventos alíseos, oriundos do Atlântico Norte (a nossa maior fonte de umidade para a produção de chuvas). Tais ‘rios’, ao colidirem com a Cordilheira dos Andes, de 7 mil metros de altitude, são desviados para o Sudeste, o Sul e o Centro-Oeste, trazendo benfazejas chuvas para essas regiões brasileiras.
 
De fato, a colossal bacia potamográfica amazônica, a maior do universo - o ‘Mare Nostrum Brasileiro’ -, é de incomensurável importância para o Brasil e para a humanidade, por seus recursos minerais, por sua biodiversidade, pela água doce e piscicultura dos rios e sua privilegiada posição geográfica, eis que cortada pela fictícia ‘"linha do Equador’", o que propicia, em face da força da gravidade, o lançamento, nas melhores condições em relação aos demais países, de artefatos aeroespaciais, como sondas, satélites, foguetes, mísseis e até naves espaciais, as cosmonaves (daí a inegável cobiça internacional pelo Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão, localizado na Amazônia Legal Brasileira!). A água captada pela selva é devolvida em grande parte ao meio ambiente, pelos ‘rios’ que a transportam, movidos pelos ventos, os chamados, repita-se, ‘rios "voadores" ’ ou ‘"aéreos'’.
 
Tal singular ocorrência da natureza, cujo nome científico é “evapotranspiração da floresta amazônica”, é bem simples e compreensível: a floresta bombeia para a atmosfera, em forma de vapor, a água e a umidade acumuladas (retidas) no dossel de suas árvores, que, em expressiva quantidade, se condensam nas nuvens, as quais uma vez ‘"carregadas’", são "‘exportadas’" pelos ventos para Oeste; e ao se chocarem com os Andes, resvalam para as regiões antes citadas, não se perdendo em direção ao Oceano Pacífico. Isso traz as chuvas e outros tantos benefícios delas decorrentes, como a melhoria do clima, o enchimento de barragens e o uso de recursos hídricos para o agronegócio e a indústria.
 
Desde já, uma advertência iterativamente lembrada por ambientalistas, mas não aceita, anote-se, por muitos estudiosos do assunto, que a julgam alarmista ou catastrofista: dizem eles que em vista da devastação da Mata Atlântica, formou-se uma espessa massa de ar quente na atmosfera, que aumenta a cada ano, em especial no estado de São Paulo, por causa, basicamente, da poluição humana, afetando, de forma grave, o ecossistema da região. Por sua alta densidade, tal massa atmosférica vem impedindo a chegada dos "‘rios voadores"’; assim, as nuvens empurradas pelos ventos vão desaguar no Acre e em Rondônia, o que explica as estiagens no Sudeste e as cheias registradas, recentemente, no Norte do País (e, por ilustrativo, aduza-se que tudo também pode se alterar, mercê da influência dos fenômenos do "El Niño"’ e ‘"La Niña"’ – haja vista as secas na Amazônia, de 2005 e 2010, seguidas das inundações, em anos seguintes).
 
A floresta, por meio das copas das árvores de sua cobertura vegetal, leva para atmosfera, diariamente, 20 bilhões de toneladas (!) de vapor d’água que se acumulam nas nuvens, dando início à ação dos ‘rios voadores’, descrita linhas atrás. Isso corresponde a uma média diária de 500 litros de água (!) para cada árvore da Panamazônia, daí a superlativa relevância da preservação florestal.
 
* Coronel, Historiador Militar e Advogado Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

 

 

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