Amazônia - o grande desafio (VII)

*Manoel Soriano Neto

“Árdua é a missão de desenvolver e defender a Amazônia. Muito mais difícil, porém, foi a de nossos antepassados em conquistá-la e mantê-la.”
General Rodrigo Octávio / 1º Comandante Militar da Amazônia (1968/1970)

 

No prosseguimento do estudo analítico da Amazônia Brasileira, faremos, inicialmente, mais algumas considerações acerca dos ‘rios voadores’ ou ‘aéreos’ da bacia amazônica. Tais ‘rios’ transportam água por meio de nuvens carregadas (em razão das gotas d’água, que nelas se condensaram) movidas pelos ventos alíseos, provindos do Oceano Atlântico - a nossa maior fonte de umidade. Essas nuvens, ao colidirem com a Cordilheira dos Andes, de 7 mil metros de altitude, levam, em quantidades muito expressivas, a água acumulada (retida) nas copas das árvores, para o Sudeste, Sul e Centro-Oeste, provocando chuvas nessas regiões brasileiras. O fenômeno é denominado, cientificamente, de ‘evapotranspiração da floresta amazônica’.
 
Assim se dá o singular fenômeno: a cobertura vegetal da floresta, pelo dossel de suas árvores, leva para a atmosfera, diariamente, 20 bilhões de toneladas de vapor d’água (tal grandiosa quantidade supera em 3 bilhões de toneladas, a vazão diária do rio Amazonas!) que vão se acumular nas nuvens, as quais são empurradas pelos ventos, em direção aos Andes, como explicado anteriormente. Isso corresponde a uma média diária de 500 litros de água (!) para cada árvore da Panamazônia (o Brasil ocupa cerca de 60% de sua imensa extensão). Em termos de comparação, se o homem tivesse de aquecer água para obter a mesma evaporação, necessitaria de seis meses de toda a capacidade de geração elétrica do mundo, em cada dia!
 
Então, parte da água consumida, não apenas pela indústria, pela agricultura etc., mas também pelas torneiras das residências das regiões brasileiras, já citadas, provém da Amazônia, pelo que se torna imprescindível a preservação florestal da região, em especial ao Norte da calha do rio Amazonas, eis que a resiliência do bioma amazônico tem limites...
 
A Amazônia Brasileira é denominada, com muita propriedade, de “O Império das Águas”, não somente pela água doce de seus rios, mas também por suas águas subterrâneas, particularmente as do Aquífero Alter do Chão. Este aquífero está localizado no subsolo dos estados do Amazonas, Pará e Amapá e vem sendo assaz estudado, particularmente por geólogos da Universidade Federal do Pará (UFPA).
 
Aquífero é uma formação ou grupo de formações geológicas que armazena água subterrânea. Ele é formado por rochas porosas e impermeáveis, que retêm e fornecem água. Os aquíferos são abastecidos ou recarregados pelas águas das chuvas, em pontos onde a reserva de água aflora na superfície, ou pelo encontro com os rios; alguns deles também cedem água aos rios e a poços artesianos. O Brasil possui alguns aquíferos em seu território. Porém, dois deles são de dimensões colossais: o ‘Guarani’ (nos estados de GO, MS, MG, SP, PR, SC e RS, além de terras do Uruguai, Argentina e Paraguai) - hoje o maior aquífero transfronteiriço do planeta - e o citado ‘"Alter do Chão"’, na Amazônia
 
Este aquífero, consoante estudos ainda em andamento, da Universidade Federal do Pará, poderá ser o de maior manancial subterrâneo de água doce do mundo, superando, ao dobro, o do Aquífero Guarani, em que pese a sua menor extensão superficial.
 
O volume previsto de água para o aquífero amazônico é sesquipedal: 86,4 trilhões de litros, podendo abastecer a população mundial, por 300 anos! Ele já vem fornecendo água limpa e potável a vários municípios paraenses, como o município de Santarém, e á cidade de Manaus (AM). Os cuidados atuais são quanto à poluição decorrente da infiltração de efluentes industriais, de esgotos sanitários, agroquímicos etc.
 
* Coronel, Historiador Militar e Advogado - Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.
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