Amazônia - O grande desafio (XI)

*Manoel Soriano Neto

“Árdua é a missão de desenvolver e defender a
Amazônia. Muito mais difícil, porém, foi a de nossos
antepassados em conquistá-la e mantê-la.”
General Rodrigo Octávio / 1º Comandante Militar da Amazônia (1968/1970)


Antes de prosseguirmos na análise da hidropirataria nos rios amazônicos, gostaríamos de reproduzir importantes trechos de uma palestra do então Comandante Militar da Amazônia, General de Exército Geraldo Antônio Miotto (atual Comandante Militar do Sul), proferida na PUCRS, em 18 de setembro de 2017. O assunto abordado se compagina, à perfeição, com o temário que vimos desenvolvendo e já foi objeto de semelhantes estudos da parte de anteriores comandantes daquela região brasileira, tão cobiçada internacionalmente, como assinalou, de forma franca, didática e transparente, o citado oficial-general.


Disse ele em determinado momento: "“A cobiça internacional pela Amazônia é retórica ou realidade? É só conversa? Ou tem algum fundo de realidade?”. E, mais adiante: “Em 1950, o Exército tinha 1.000 homens na Amazônia. Hoje, tem 30.000 homens. No Comando Militar da Amazônia, que abrange esses quatro estados no mapa, eu comando 21.000 homens. Várias Unidades saíram do Sul do Brasil e foram transferidas para a Amazônia. Por que a prioridade é a Amazônia? Vejam nesta tela quanta coisa eu coloquei: dois terços das reservas hidrelétricas, maior banco genético,  maior província de minérios, centenas de trilhões de toneladas de carbono, fronteiras com sete países. São 10.000 Km de fronteiras que temos na Amazônia. Seus rios descarregam um quinto da água doce do planeta. Depois falarei sobre eles. Aqui todo mundo fala que o Aquífero Guarani é o maior do mundo, mas ele está em vários países: Brasil, Paraguai, Argentina e Uruguai. Na verdade, ele é o segundo maior do mundo. Sabem onde está o maior aquífero do mundo? Na Amazônia. É o Alter do Chão. Manaus está em cima dele. Capacidade: 85.000 Km cúbicos! É o maior do mundo e está embaixo do rio. Poucos brasileiros sabem disso, mas há muita gente no exterior que sabe disso. E o mundo, um dia, fará guerra por causa de água.  Em alguns lugares, o litro de água é mais caro do que o litro de gasolina”.

A escassez de água doce no mundo vem aumentando de forma exponencial, como nos deu ciência a 8ª edição do ‘Fórum Mundial da Água’, realizada no  mês de março passado em Brasília (DF). E a bacia hidrográfica amazônica é a grande reserva planetária de água potável para os próximos mil (!) anos (cerca de 13% da água de superfície - percentual que muitos contestam, considerando-o bem aquém da realidade -, encontram-se  na região, afora as águas subterrâneas como as do ‘Aquífero Alter do Chão’, já referenciado, linhas atrás).

A dita bacia, nunca é despiciendo repetir, é um verdadeiro mar interior, um ‘mar fechado’, cujos principais rios são navegáveis por navios de qualquer calado. Não foi sem razão que o médico sanitarista e notável escritor, Gastão Cruls, a denominou de “Mare Nostrum Brasileiro”.

Eis, entre outras, a razão da prática da hidropirataria, sendo certo que a foz do rio Amazonas é o local preferido para tal prática criminosa, em especial por grandes navios petroleiros (ela se faz, outrossim, em menor escala, nos rios interiores) aproveitando-se da precariedade da vigilância/monitoramento lá existente. O saqueio de água para tratamento, engarrafamento, comércio, etc., em nações desenvolvidas; a captura de cardumes de peixes de rio, inclusive os ornamentais, e de microorganismos e nutrientes para análises científicas e uso, se faz de forma ardilosa e clandestina,  por alienígenas, como explicamos em detalhes no artigo anterior, ao que afronta a Soberania Nacional na mais rica região do território pátrio.

* Coronel, Historiador Militar e Advogado Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

 

 

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